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Pés na Areia

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Hoje pisei na areia molhada Banhada de mar Que vai e vem Sereno E traz a fugitiva brisa Que segue Sempre em frente... Passos, lembranças... Sussurros do vento. Ruído do mar. Paz A calma do tempo. Dia se pondo, E eu caminhando... Ao longe a floresta. O céu pouco azul. É a noite que chega Com a lua crescente Forte, resplandecente. É o tempo que corre. É a vida presente...

Noturna a Mais

  Tudo basta Ou basta o incenso Para que me purifique De velhos fantasmas De sonhos vãos?   É noite adentro Da própria noite... Silencio Gatos na rua. E só – sem sono Noto o tempo Comprido e vazio.   Estranho estado. Susto – rigidez simbolista? Pessimismo de Belazarte Ou mente de Pierrot.   É desastroso esse medo. Trôpego, refazendo passos. Avanço sem tempos marcados Caminhos que não percebi.   Noite adentro Cético, frenético Distante das Flores do mal , Sintético – quem sabe, patético Caminho inseguro No tempo que vem.

FRIO

  Insônia como serão... A chuva nesses dias Quebrou o fluxo Os ritmos Deixou turvos medos E incertos rumos.   Me abstenho De procurar novos contornos Que não façam qualquer sentido. Absorto Com o som das cigarras Vou deixando as horas contarem Os segredos do tempo que vai Frio e sem direção.   Afago a cama Lá fora é incerto Frio Quase melancólico Mas certo como dois e dois São quatro Se não tenho artifícios Se a espera é paciente Como o tempo a cada passo...    

Sem Fúria

Os cliques nos teclados quebram o ritmo do silêncio. O tempo urge, mas esconde a pressa… Ouço e meço as palavras Como quem se desespera diante de um caos. Vejo os dias cansados, passados, jogados… As sombras de amores perdidas, pisadas, Como pétalas de flores esquecidas, amassadas, Como areia nas dunas, que correm,  Vão e vem, e um dia morrem Como todo encanto sempre vai. E nada falo, quieto e calmo… Só deixo a mente caminhar E deixo o tempo esquecer, Deixando a vida transformar.

Psiqueros

Havia tempos, e eu não via nada além De pessoas e sorrisos. Houve um momento onde tudo era cinza, O chão sempre duro E as certezas da mágoa eram imponderáveis. Havia sonhos que foram esquecidos, Palavras guardadas para cartas que não mais viriam, Discretos olhares interessados que não fariam Qualquer sentido aparente Para quem cansou de acreditar. E, vê... Ainda não acredito, Mas me envolvo em silêncio, Observo aos poucos E sem que se perceba, Vou devagar sondando o território Incerto, sutil e vago... Sem pressa. Apenas absorvo Palavras no cotidiano, Envolto num sonho me engano Ou num mar de poesia me envolvo... Amor, não é com certeza. Paixão, talvez a começar. Presente do tempo ou das ilusões, Oráculo das histórias e dos corações Na infinita trajetória de Eros e Psiquê...

Pingos

Ouço a chuva que estala e assusta... Noto o escuro do meu quarto numa noite qualquer de abril... Há sons e ruídos abafados Como os sonhos da infância que larguei. As árvores caem resistindo À imperiosa vontade dos ventos. As flores mergulham nas águas de chuva E somem da vista de todos. Enquanto tudo isso acontece, Espero pela tua volta, Me assusto com o vago silêncio E sonho com um tempo só nosso. Onde as flores no nosso jardim Transmitirão amor a quem vê-las, Encantarão a quem passar pela rua. Quando esse tempo vier, Será a calma e o burburinho. Será o mistério de uma vida a dois. Será um tempo de novas descobertas e sonhos.

Tempo Temporal

O temporal - quase dilúvio - faz tremer o chão. A luz da sala desliga Enquanto milhares de descargas elétricas Despontam no chão. As horas caminham sinceras. Como a chuva que está caindo Ou o sono volúvel à noite. O tempo sempre à frente Aponta caminhos e novos ajustes ou pensamentos A quem faz o seu rumo - calado e só.

Flores no asfalto e céu rosado

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Flores brancas caem dos galhos    [Adentram o chão de concreto e asfalto, Afogam o impacto do tempo passado, Perseguem o ritmo natural. Quisera eu entender a sua lógica Por algum meio pouco técnico - E ver na vida um ponto aberto Às interrogações que crescem,  espantam, afligem. Hoje o que temos ao nascer do dia Além de flores caindo ao chão, É um céu rosado de poesia, Melancolia - e solidão.

O olhar

O tempo se comporta calmo e são. O dia nasce limpo, seco, mas suave. O vento afaga num terno abraço. A vida caminha com poucos receios. Quem sabe as palavras assomem Numa manhã, de repente... E o mundo acorde tranquilo ou indiferente ao caos. Ou seria o olhar de quem vive? Transbordando de encanto e palavras, Recheando de amor as ruas antigas Com o olhar humilde e constante, Buscando o horizonte dos versos que vem.

O Hoje

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O dia se conecta à luz renascida. A noite se esconde com a lua em relance. O cansaço da insônia turva a visão E o dia adentra solitário e lento. As fugazes idéias de alguma chegada São apenas pensamentos que voam ao longe, Distantes e sonsos, como palavras ao vento Ou velhos sintomas de sonhos imaturos. Navega o tempo à procura dum caminho, Impõe ao silêncio a ação e o mistério, E esconde nas corridas do vento Recados que a boca não fala, Sorrisos e mágoas sufocados, Reféns das palavras não ditas E dos gestos nunca vistos...

Recortes

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O mar desafoga, manso e presente, Às dezoito horas, quando o dia se esconde da gente. O vento sopra sem medo ou inconstância. Deixo ele tocar o meu corpo, Transpiro sensações e medos Ao longo desse toque. As idéias se cruzam, as palavras também. As certezas se calam, e contemplam A passagem do tempo, Inflexível contendor de emoções E sentimentos. Onde está a musa que encanta com os olhos vivos, Que se afasta com palavras, Mas acompanha o cotidiano? Não o sei, mas evito infortúnios De fazê-la cansar Com subjetivas palavras E mais ainda - os gestos. Não há flor ou espinho Que me faça compreender Onde ela entrou no caminho Da minha história de curvas, Se numa noite em silêncio Ou no meio da multidão. Só importa o quanto ela assombra O tempo e modula a história Com sua força e coragem, Transformando o destino, E escrevendo no mundo Ainda só - e indi...

Palavras distantes e dispersas

A noite trafega em silêncio e luz. O tempo contempla o espaço inconstante, E afeta a distância das palavras não ditas. Recito palavras distantes da fantasia Dos amores ideais que larguei Ao longo da estrada incerta e esquecida... As palavras na noite distante e opaca Recitam fantasias na estrada esquecida De um novo amor que pode surgir Em meio ao tempo e o silêncio não dito.

Ao Léu

Ao léu joguei os vestígios de amor, Procurando o espelho dos sonhos Que destoam dos velhos tempos, Quando um sorriso bastava para o ano inteiro. Se o sol brilha tanto, E eu - agora - me escondo, Caberia ao tempo refazer os caminhos? Sigo as horas vazias, e a noite voraz; Ouço vozes das ruas, Vento correndo, mundo sem fim. Meu amor se perdeu Nas palavras sinceras, Foi o fim das quimeras Dessas noites mal dormidas Que ainda me afligem Enquanto sussurro ao silêncio O receio de um novo horizonte.

Horizonte no Tempo

A árvore seca, firme e sem folhas Aguarda o tempo das flores azuis. O vento pusilânime enfrenta As horas de silêncio e quebranto. Sussurro às hordas do tempo Saudades dos sonhos de outrora. Não deixo a serenidade escapar Mesmo que as dores flutuem no espaço... E deixo o sol encontrar-me no dia, Caminhando sob o dia anil.

Anágua

Formas retangulares. O espaço fechado. O ar controlado. As horas lentas. E pernas cansadas. Sono em frente ao computador. Sempre em frente caminho, Sem medo do teu espectro. Meço os passos do desencanto, Deixo o dia passar lento e calmo. Olhos diversos em distintas direções. Os teus surgem como lua esquecida Nos meus sonhos inversos Ou nas taciturnas contemplações Da noite longa, limpa e fria. Teu olhar enigmático não surpreende O meu coração conhecedor desses caminhos. Vaga o tempo, mas não as lembranças, Enquanto sigo - sincero e tranquilo.

As Luzes e Sons

As luzes e vozes. Tons claros de festa Rutilam na terça feira. Os olhos cansados E as mãos desgastadas Arrefecem em torpor, Vendo as saias que rodam, Os sorrisos alegres, O ritmo certo e enxuto Que sai dos tambores azuis. E nas mesas muitas cervejas, E no meu olhar - certezas; E nos ruídos - correntes de uma noite senil. E nas canções tristeza, Enquanto sonhos diversos Socorrem os versos Desse tempo largado - de luzes e sons.

Os fios do medo

O tempo trepidante Obscurece os caminhos. Esquece as horas tortas, Perfuma o absinto. Sigo sozinho há longo tempo, Sem luz ou trevas, mas só E tranquilo - deixando os sonhos Da torre seca, voando alto Sem asas ou balão. Hoje topei com o medo assombrado, A lua sem luar, canção sem ritmo, Sufoco seguido de sorrisos marcados, A velha ilusão desgastada e sutil. Socorro sozinho os passos vazios, Buscando no seguido caminhar A resposta dos sonhos E dos meus impropérios.

O Contraste

Corre o sol sem poesia No dia inconstante e passivo. Esqueço o tempo do meu despreparo, Sonhando alto enquanto tropeço. Marcham as horas da história sentida E esquecida em um sutil abandono. Abono os medos incontroláveis, Contornando com o pensamento as dores de agora. Vejo cabelos balançando ao vento. Milhares de formas e sonhos Transitando na cidade vivida E embalada em saudades inquietas De modernos sistemas e modos.

Panorama Geral

As ruas do Centro Vazias e belas Na sutil manhã De sonhos e lutas Expõem ao tempo as misérias abertas. Nas ruas em que andam Pessoas sorrindo, floridas de encanto Tenho o desengano - ao ver A tristeza no chão estampada. Um homem como fome, Sem sonhos ou amigos, Rasgando sacolas - e o tempo da espera, Comia lixo - um final de quimera. Comia aflito,  sem presente ou futuro, Distante e fraco,  encardido e esquecido... Alheio ao desprezo,  tem fome e tristeza, Rastejando no frio das pedras de cantaria, Que encantam quem não vê Com os olhos bem abertos A miséria que somos Enquanto ficamos distantes De todos os que sofrem calados.

O mistério de Cronos

O tempo embala as memórias. O nada se impõe ao silêncio. Os dias seriam mais belos Sem mágoas no horizonte. Procuro o socorro da luz No concreto labirinto... Tateio palavras - discursos vazios. Procuro teu cheiro,  com os olhos abertos, Sonhando despertos nas horas de estio. Florescem os vestígios de um recomeço... Descubro o vazio no qual reconheço Teu gosto sincero pela distância, Deixando as horas correrem, Relevando o nada que fomos. Talvez só restem gotas Que façam sentir o meu rude descompasso Do abraço que não me deu Quando,  enfim - te deixei partir.