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A noite sincera sem Luar

O gato preto me fita Com seu felino olhar atento. Refém da preguiça, Encara a  minha mão, Mas fecha seus olhos E aproveita o sono da noite, Escura como a pupila dos seus olhos arregalados... Cães latem nas ruas. Pessoas andam com pressa Na rua deserta de sonhos. Cansaço cotidiano - isso as invade e domina E assusta quem - sem medo, Não deixou de sonhar com um mundo sincero. O céu sem luar e estrelas, Signo da modernidade doentia, Deixa as luzes dos postes irradiarem Sobre a nossa humanidade perdida.

O gato

O gato pula na noite escura. A casa fechada, sala vazia. O silêncio transborda em meio à corrida. O gato corre na sala vazia. Porta fechada, noite escura. O silêncio pula na noite corrida. O gato escuro transborda a noite. A sala fechada, o silêncio vazio. A casa estática em meio à corrida.