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Pingos

Ouço a chuva que estala e assusta... Noto o escuro do meu quarto numa noite qualquer de abril... Há sons e ruídos abafados Como os sonhos da infância que larguei. As árvores caem resistindo À imperiosa vontade dos ventos. As flores mergulham nas águas de chuva E somem da vista de todos. Enquanto tudo isso acontece, Espero pela tua volta, Me assusto com o vago silêncio E sonho com um tempo só nosso. Onde as flores no nosso jardim Transmitirão amor a quem vê-las, Encantarão a quem passar pela rua. Quando esse tempo vier, Será a calma e o burburinho. Será o mistério de uma vida a dois. Será um tempo de novas descobertas e sonhos.

Os fios do medo

O tempo trepidante Obscurece os caminhos. Esquece as horas tortas, Perfuma o absinto. Sigo sozinho há longo tempo, Sem luz ou trevas, mas só E tranquilo - deixando os sonhos Da torre seca, voando alto Sem asas ou balão. Hoje topei com o medo assombrado, A lua sem luar, canção sem ritmo, Sufoco seguido de sorrisos marcados, A velha ilusão desgastada e sutil. Socorro sozinho os passos vazios, Buscando no seguido caminhar A resposta dos sonhos E dos meus impropérios.

Agora

As escolas quebradas. Os pobres jogados ao ostracismo. Bandeiras-aos montes- se espalham Nas ruas, e enganam olhares de sonhos e luta. Bastam palavras,  toques e mentiras. O povo (re) usado se curva impotente. Não vêem que a vida é luta constante No instante em que a ilusão, Companheira esperada em tempos incertos. Mendigos jogados nas ruas À mercê da sorte sofrida e incerta, Contemplam com os olhos a miséria De quem lhes recusa um abraço ou o pão. Marchando com flores à frente, Com sonhos e amores nas mãos, Podemos mudar a história, Viver em um mundo de irmãos, Destruindo o passado dorido, Doando sonhos, garra e luta, Caminhando na contra mão. São Luis, 17 de agosto de 2018

Andarilhos

Passos serenos na rua deserta. Caminhamos lado a lado na noite escura. A lua oculta não quis dar o tom Das horas ocultas e vivas Que adentram a madrugada. Vagas surpresas no improvável caminho Trouxeram o medo que estava escondido E trouxeram o mistério do infortúnio De não saber quando o sonho é real. Mas essa noite escura E sem luar teve emoções Pequenas e graves, Quando crianças correram na pista Enfrentando juntas as incertezas do amanhã. São Luís,  5 de março de 2018.