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O Hoje

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O dia se conecta à luz renascida. A noite se esconde com a lua em relance. O cansaço da insônia turva a visão E o dia adentra solitário e lento. As fugazes idéias de alguma chegada São apenas pensamentos que voam ao longe, Distantes e sonsos, como palavras ao vento Ou velhos sintomas de sonhos imaturos. Navega o tempo à procura dum caminho, Impõe ao silêncio a ação e o mistério, E esconde nas corridas do vento Recados que a boca não fala, Sorrisos e mágoas sufocados, Reféns das palavras não ditas E dos gestos nunca vistos...

Anágua

Formas retangulares. O espaço fechado. O ar controlado. As horas lentas. E pernas cansadas. Sono em frente ao computador. Sempre em frente caminho, Sem medo do teu espectro. Meço os passos do desencanto, Deixo o dia passar lento e calmo. Olhos diversos em distintas direções. Os teus surgem como lua esquecida Nos meus sonhos inversos Ou nas taciturnas contemplações Da noite longa, limpa e fria. Teu olhar enigmático não surpreende O meu coração conhecedor desses caminhos. Vaga o tempo, mas não as lembranças, Enquanto sigo - sincero e tranquilo.

Os fios do medo

O tempo trepidante Obscurece os caminhos. Esquece as horas tortas, Perfuma o absinto. Sigo sozinho há longo tempo, Sem luz ou trevas, mas só E tranquilo - deixando os sonhos Da torre seca, voando alto Sem asas ou balão. Hoje topei com o medo assombrado, A lua sem luar, canção sem ritmo, Sufoco seguido de sorrisos marcados, A velha ilusão desgastada e sutil. Socorro sozinho os passos vazios, Buscando no seguido caminhar A resposta dos sonhos E dos meus impropérios.

(Re)construção

Caminho nas horas de vagas palavras, Mantendo em silêncio os passos tranquilos. Sem encarar a lua no céu imponente e suave. Levanto as horas sutis No descompasso da minha quimera. Ouço tranquilo o som que badala Com o teu silencioso afastamento de mármore. Tudo polido...  Palavras e gestos, Sigo tranquilo,  sem amor em anexo, Mantendo os passos suaves nas ruas E palavras- retalhos multi versos...

Leina

A pele negra, sorriso puro. Caminha devagar sob a luz do sol, Enfrentando serena os dias inclementes. Percebo seus olhos fulgidos Escaparem, ágeis e sorrateiros Em meio à multidão, Abrigo dos teus anseios, Segredo que se retrai. Pouco a vejo... Pois sempre foge, Como a lua escapa do sol, Seguindo outro caminho, Mantendo sempre com o arrebol O grande (e triste) astro - sozinho...

Sereno Caos

O caos na cidade esquecida Empurra os meus passos em direção ao retiro. Sigo com os pés cansados e sós, Fazendo silêncio em meio ao tumulto. As horas voaram, corrompidas pelo vento, Amigo constante do tempo incapaz. Não compreendo nos meus gestos calmos O antídoto do medo nessa noite vazia. Sem lua, pressa,  chuva ou caminho, Sentado no banco duma velha praça, Perco a certeza do instante E me permito mergulhar numa calma intransigente. São Luís,  16 de março de 2018.

Caminho

Desço a ladeira lentamente... Meus sonoros passos Confundem-se com o silêncio das ruas, Escuros caminhos que me fazem seguir. Observo o céu,  escuro e calmo. As nuvens cobrem- lentamente A lua que oculta o seu riso. Encontro em minhas mãos O segredo dos tristes modos Que afastam a quem não expulso Do convívio com meus gestos toscos. Caem as folhas das árvores... Cai a noite enluarada, Vão embora as lembranças Do que nunca existiu. São Luís,  19 de agosto de 2017.