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Mostrando postagens de março, 2026

Encruzilhado

Não me perco em palavras. Me ausento dos sonhos em silêncio. Já não me entendo, Pouco me conheço E se hoje me lanço Num novo e incerto salto - Sem respostas, recuo... Saio do caminho de nuances várias, Caminho no asfalto E não me perco mais Mais do que perdi. E já não sofro mais Com minhas armaduras de solitário Que me cabem E não permitem esperar respostas Que claramente não vem.

Vibração

Ah, se a gente pudesse... Pudesse sorrir de novo Diante dos olhos intensos Da bela mulher que desconheço. Moça negra, cabelos escuros, Com cachos tão belos Quanto um dia de chuva E a gente escondido Só ouvindo os sons do ambiente, E do tempo, os rangidos... Ah, se da História Essa mulher me contasse histórias Mesmo do que não viveu Ficaria atento ouvindo E tão leve, simples, sorrindo, Perderia meu olhar no teu, E inebriado de paz e sintonia, Ah, eu creio! Te amaria, Como ninguém jamais a amou Depois que te conheceu.

A Poesia e o Poeta

O poeta... Seria um escravo ou artesão? Preso às palavras Que liberta em transe Ou diante de muito esforço Ele sofre e respira tranquilo Sorri e chora em meio à vida Ruidoso silêncio Mistério e  turbilhão. Sua patroa, ou dona (?) (Ninguém sabe ao certo!) Segue abstrata Flui como rio diante do deserto... Palavras, artesanato, atitudes, sonhos. A poesia segue viva Na consciência, permeando a existência Dos homens que, dia após dia, Mudam sempre a vida E os rumos da história. E assim a poesia Salva vidas, transforma rumos, Faz a lida menos sofrida, Brilha o cinza, ferve o azul... Ela é livre, e borda o destino Do homem, que se fazendo menino Relembra de si para poder se entender.

Poema para a Chuva

Chove a conta gotas E, no entanto, tudo segue encharcado. As palavras esquentam o silêncio, O silêncio encharca as expectativas Que se dispersaram com o decorrer do dia. A mente inquieta corre... Precisa de mais calma e cores. Olha o tom cinzento dos telhados Ouve o som das folhas que caem E soltas, se misturam ao barro E moldam o quintal Com seu molhado chão. O dia preserva sua beleza De tempo frio e opaco E me convida a refletir Sobre os sonhos, desejos e cansaços.

Em Campo

Caminhando sobre a terra Cheia de brejos Repleta de lama Num lugar que respira a história Dinâmica e constantemente divergente Que mesmo sem um vestígio Do ar colonial de antigas casas da elite Tem um povo que ri  - Sonha e insiste Em viver no seu pedacinho de chão... Amo esse quilombo E esse cheiro de terra molhada. Amo o campo firme e vibrante... E amo a tortuosa, íngreme estrada. Gosto do tempo que se fecha E da noite que já se aproxima Do vento que encosta na testa Do sol que no campo se inclina E da vida que a vida atesta Na simplicidade quilombola e campesina...

Reflexão Bucólica

Há muitos dias O céu parece encoberto E quase não se vê a noite estrelada; O tempo escuro Traz o frio Amigo dos ares lentos Nas noites de março e abril. Hoje, não tive medo do dia. Hoje, andei devagar cada passo. Ainda que sonhos fujam E sigam escorregando das mãos, A vida transcorre -  Longo mistério levemente descoberto... Hoje, não quis navegar Na estranha melancolia De me agarrar a passados impossíveis, Sigo cioso pelos sonhos do futuro, Desejando o melhor dos mundos Ainda que siga sendo uma grande utopia Como um olhar e um sorriso Que possam apresentar novos caminhos E sonhos diversos para um novo eu.

Um Homem Fatigado

 O frio é companheiro, grande amigo. O tempo - pouco gentil - espreita e corre. É tanto sonho, tanto sono, cansaço e culpa Por não saber o que me deixa triste, O que me deixa fraco, o que me faz ausente. Já não sou uma criança, Embora às vezes assim me sinta. As crenças e desejos mudaram, Sonhos morreram, outros floriram Sem saber o porquê. E, mesmo assim, Faltam sinceros sorrisos E conversas duras, beijos reais, abraços singelos (Floridos anelos!) Que venham da mulher amada... - Mas quem ela é, meu Deus? Se já segui nessa estrada E já creio que sou o livramento de tanta gente... Em silêncio, penso, (Nem sei se sonho) Com um futuro estável, feliz, indiferente À validação sincera e inconsciente De minha solitária e discreta existência Por parte da triste e fria civilização.

O Homem

O homem calado Está aflito, ansioso, sobressaltado... Grita em silêncio, Sonha cansado. O homem aflito dorme, E sonha sempre aperreado, E clama sempre pelo futuro Tão sonhado e muito desencontrado. O homem solitário e tenso Já não sabe Onde se perdeu, Em qual porto perdeu o amor. Sorri automático, mede as palavras, Não se entrega à sutileza dos lugares, Constrói saudades enlatadas Prontas para serem arquivadas Num grande e velho barril.

Poemeto da Noite Fria

O frio amotinado Transpira como a noite que se inclina Perante a chuva Descendo como torrente intrépida. As horas frias Abraçam a solidão Encaram e encantam Meu olhar sincero Tempo objetivo - Histórias inóspitas, Momento incerto... O caminho borda silêncios, Rumina tranquilo Os medos do tempo ácido As bordas dos sonhos esquecidos.