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O Copo de Leite

Era um dia de sol; A luz brilhava ao ponto de impedir uma boa visualização do que havia no céu. As palmeiras no morro íngreme balançavam, seguindo o ritmo impiedoso do vento. Ao longe, bois caminhando no campo alagado. Marrecos gritavam ao longe; motos transitavam pelo ramal, com a pista fofa, de muita areia. Jorge se balançava; havia tempos, não podia sair, mal conseguia andar. Sua única arma era memória; dos tempos de jovem, da maturidade cansada; da velhice do descanso forçado. Naquele dia, ao certo, lembrara de uma flor. Transportou-se em quarenta anos. Estava no povoado de Desce e Rola. Era um festejo; o santo não vinha à memória naquele momento. Duas dezenas de homens carregavam o mastro; homens e mulheres cantavam, tocavam e dançavam ao ritmo do Tambor de Crioula; o dia se aproximava do fim, e as velas e lamparinas já iniciavam o seu uso, pois não havia eletricidade num raio de pelo menos, 30 quilômetros. Foi então que ele viu… Viu o que, para ele, seria a própria visão do paraí...