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FRIO

  Insônia como serão... A chuva nesses dias Quebrou o fluxo Os ritmos Deixou turvos medos E incertos rumos.   Me abstenho De procurar novos contornos Que não façam qualquer sentido. Absorto Com o som das cigarras Vou deixando as horas contarem Os segredos do tempo que vai Frio e sem direção.   Afago a cama Lá fora é incerto Frio Quase melancólico Mas certo como dois e dois São quatro Se não tenho artifícios Se a espera é paciente Como o tempo a cada passo...    

Paz

Gosto de não ser objetivo, Tal qual muitos versos que escrevo. Diligentemente os dias tem passado, E ainda parece haver Tanta coisa escondida Nas palavras que recebo. E mesmo com todo o cansaço, Abro os braços para a incerteza, Confiante sem motivo, Calmo com essa chuva que cai...

Um Quadro

As ruas quase desertas. Pessoas correndo: fogem? É escuro, e a chuva ameaça Quem caminha longe de casa. É noite. Fico à espreita Do medo que desabrocha, Enquanto encontro os pingos de chuva Que não assustam meu jeito incerto e anestesiado.

Pingos

Ouço a chuva que estala e assusta... Noto o escuro do meu quarto numa noite qualquer de abril... Há sons e ruídos abafados Como os sonhos da infância que larguei. As árvores caem resistindo À imperiosa vontade dos ventos. As flores mergulham nas águas de chuva E somem da vista de todos. Enquanto tudo isso acontece, Espero pela tua volta, Me assusto com o vago silêncio E sonho com um tempo só nosso. Onde as flores no nosso jardim Transmitirão amor a quem vê-las, Encantarão a quem passar pela rua. Quando esse tempo vier, Será a calma e o burburinho. Será o mistério de uma vida a dois. Será um tempo de novas descobertas e sonhos.

Tempo Temporal

O temporal - quase dilúvio - faz tremer o chão. A luz da sala desliga Enquanto milhares de descargas elétricas Despontam no chão. As horas caminham sinceras. Como a chuva que está caindo Ou o sono volúvel à noite. O tempo sempre à frente Aponta caminhos e novos ajustes ou pensamentos A quem faz o seu rumo - calado e só.

O Grito

Navego em palavras distopicas Em meio à chuva imperosa Que confronta as pedras de cantaria Enquanto sigo o tempo No dia cheio e impalpável. Não busco a noite impura, Enquanto sonhos marcados Desfazem velhas fissuras De olhares tortos e embriagados. Socorrem as horas de desalento A poesia em brisa refeita Enquanto murcham as dores do não ser, E enfrento a metafísica do tempo/espaço, Falando das dores que tive - e recriei. Chora o distante sussurro do dia. Gritam as horas de sonho e liberdade, Vejo o rebelde clamor de alegria, Compondo o panorama da noite na cidade. Encaro as ruas - velhas amigas... Desço a ladeira, ergo a cabeça, Encaro o futuro que desconheço, Rompendo com o medo - sem saber voar.

Olhos na Chuva

Um passo de cada vez Em meio à chuva intensa. Os olhos miram o chão Na noite espaçada e fria. Os olhos buscam o espelho Pros versos então oprimidos Lançarem à luz seus segredos, Deixando seu medo esquecido. O silêncio na noite chuvosa Traz ao clima o frio mais puro. Os minutos passam, As palavras se entrelaçam Num horizonte qualquer De incertezas internas.

A Tempestade

A tempestade da manhã Molhou os pés cansados. Desiludidos passos nas ruas estreitas Buscaram os modos mais sintéticos e puros. Segui cantando na calçada imunda, Em que a lama se confunde ao concreto nu, E a água empurrou todas as mágoas Para um velho poço de solidão. Não pude correr em meio à chuva. Apenas senti nos meus passos temerosos Uma vaga incerteza do que vem amanhã, Quando hoje  me assusta o caos em silêncio, Sereno tormento para o meu querer.

A Torrente

A chuva lava as mágoas Que um dia deixei na janela, Quando não havia alternativa E o sol passeava ligeiro. As horas do fim da manhã Em que a chuva se faz mais forte, Entorpecem os medos de outrora, Consolidam caminhos nas nuvens. Distraem do acaso e das palavras Que fogem como mãos passageiras. É o mês que começa cinzento Como o lodo no mangue, E traz no simples horizonte O concreto momento com abstratos sentidos.

À sombra

Quando o sol se esconde E dá lugar às nuvens no céu, O vento caminha tranquilo Sobre a copa de árvores imponentes. A chuva entrou numa trégua E as horas passaram ligeiro, Rompendo a monotonia do silêncio Com doces sorrisos sinceros. Esquecidos no tempo e espaço, Guardados na música calma e esquecida, Deixamos as horas correrem, Até que o cotidiano tolheu enfim O nosso encontro.

Hoje mirei o mar

Hoje mirei o mar Com suas ondas arquejantes Tão belas quanto um sorriso moreno Que escapou de lábios sutis. Hoje mirei o mar... E a chuva compôs nesse encontro Uma rapsódia de sensações No contato com o chão molhado Nesta solidão do cais. Hoje mirei o mar... E percebi que o caminho torto Não aflige os meus pés cansados De círculos já conhecidos E certezas desgastadas. Hoje mirei o mar... Que importa o sol do inverno Quando a chuva é quem traz a vida Esquecida num ponto qualquer.

Bucólico

Cheiro de folhas molhadas Guarda o agridoce dos dias de chuva. O sol - hoje, desconhecida estrela Caminha distante em meio ao firmamento. Há flores em diversos tons, E vida a ser refeita em cada pétala. Um vasto silêncio na paisagem Traz aos sentidos uma paz incontida. O extenso campo de pequenos arbustos Traz em si o mistério do infinito, Em meio à chuva que cai E as solitárias borboletas,  as quais lembram Perdidos andarilhos Sem ideia de destino, nem pressa pra chegar.

Segunda de Chuva

Chove sobre a cidade, Que está nua sob a fonte Distante da pálida calma cotidiana. O azul do céu ficou violeta, Quando ao invés da lua A água em tudo ficou visível. Percebo meus passos encharcados Neste caminho,  já conhecido Que guarda segredos amedrontados Num banco de praça adormecido. Meço as distâncias que ainda não percorri, E percebo que tudo está por escrever, Enquanto o mistério segue o caminho lado a lado comigo, Com o imutável propósito de ter um abrigo Nessa incessante busca de um recomeço.

Dia Dissoluto

O dia de chuva passou em silêncio. .. As nuvens melancólicas correram pouco. O vaguear dos passos na casa Pressupõem inquietação de quem caminha. - O dia de chuva passou em silêncio... A fome irrequieta ocupou o tempo... Na visível indecisão que acompanhou o dia. O medo da casa - ruídos no quintal Não tornam o sono pesado e tranquilo. - A fome irrequieta ocupou o tempo... E a contemplação do céu distraiu O discreto receio de não perceber o amor. Retido nas flores e rios, Gravado em cada sorriso De algum recanto escondido, Alheio ao desalento, Desconhecido e ativo torpor.

Dissemelhanças

Imagem
Enquanto o dia escurece, Enfrentando a chuva que está por vir, Distantes passos trôpegos Seguem intrépidos em meio à campina. Avisto um distante horizonte, À sombra de flores que enfrentam As nuvens dispostas no céu, Cheias de furia e ruídos. Basta a contemplação dessas flores Para o dia possuir um sentido, Em meio às divagações que diluem Frente às gotas de chuva que começam a cair...