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Noturna a Mais

  Tudo basta Ou basta o incenso Para que me purifique De velhos fantasmas De sonhos vãos?   É noite adentro Da própria noite... Silencio Gatos na rua. E só – sem sono Noto o tempo Comprido e vazio.   Estranho estado. Susto – rigidez simbolista? Pessimismo de Belazarte Ou mente de Pierrot.   É desastroso esse medo. Trôpego, refazendo passos. Avanço sem tempos marcados Caminhos que não percebi.   Noite adentro Cético, frenético Distante das Flores do mal , Sintético – quem sabe, patético Caminho inseguro No tempo que vem.

As Ruas e as Gentes

As ruas cheias de gente com fome... Gente correndo, gente sem tempo, Gente sem olhar pra gente, Gente cansada e descontente. As ruas cheias de sonhos. Mulheres humilhadas e sofridas, Homens negros vendendo bugigangas; O assédio, racismo, a humilhação. As ruas cheias de carros... Carros com gente Com tão pouco dinheiro, E mais gente Com tanto capital Que se faz ausente do contato com os outros, Competente ladrão de sonhos e desejos, Alimenta os mais vis sentimentos Nas ruas, Em casa, donos do mundo que são Ou pretendem Com todo o seu poder Que encaminha o futuro em direção ao nada, Abismo de não ser o que um dia existiu.

O Copo de Leite

Era um dia de sol; A luz brilhava ao ponto de impedir uma boa visualização do que havia no céu. As palmeiras no morro íngreme balançavam, seguindo o ritmo impiedoso do vento. Ao longe, bois caminhando no campo alagado. Marrecos gritavam ao longe; motos transitavam pelo ramal, com a pista fofa, de muita areia. Jorge se balançava; havia tempos, não podia sair, mal conseguia andar. Sua única arma era memória; dos tempos de jovem, da maturidade cansada; da velhice do descanso forçado. Naquele dia, ao certo, lembrara de uma flor. Transportou-se em quarenta anos. Estava no povoado de Desce e Rola. Era um festejo; o santo não vinha à memória naquele momento. Duas dezenas de homens carregavam o mastro; homens e mulheres cantavam, tocavam e dançavam ao ritmo do Tambor de Crioula; o dia se aproximava do fim, e as velas e lamparinas já iniciavam o seu uso, pois não havia eletricidade num raio de pelo menos, 30 quilômetros. Foi então que ele viu… Viu o que, para ele, seria a própria visão do paraí...

Pra Você

Mais um dia vem nascendo... Como nascem os amores e os sonhos. Ou os sonhos não nascem, já são Antes que a mente os perceba? Galos ao longe cantam, Anunciam o novo dia de batalhas. Afligem quem se atrasa com o sono, Apressam quem tem tempo e ansiedade. Talvez tenha pensado vagamente Nos seus belos cabelos, Na sua calma e contida expressão. Em sua tez branca, e na indiferença Que mostro todos os dias Como válvula de escape Pro meu silêncio medroso e necessário, Para anseios vagos que a noite traz E se desfazem logo cedo, Ao primeiro clarão do dia...

Recortes

Imagem
O mar desafoga, manso e presente, Às dezoito horas, quando o dia se esconde da gente. O vento sopra sem medo ou inconstância. Deixo ele tocar o meu corpo, Transpiro sensações e medos Ao longo desse toque. As idéias se cruzam, as palavras também. As certezas se calam, e contemplam A passagem do tempo, Inflexível contendor de emoções E sentimentos. Onde está a musa que encanta com os olhos vivos, Que se afasta com palavras, Mas acompanha o cotidiano? Não o sei, mas evito infortúnios De fazê-la cansar Com subjetivas palavras E mais ainda - os gestos. Não há flor ou espinho Que me faça compreender Onde ela entrou no caminho Da minha história de curvas, Se numa noite em silêncio Ou no meio da multidão. Só importa o quanto ela assombra O tempo e modula a história Com sua força e coragem, Transformando o destino, E escrevendo no mundo Ainda só - e indi...

Ao Léu

Ao léu joguei os vestígios de amor, Procurando o espelho dos sonhos Que destoam dos velhos tempos, Quando um sorriso bastava para o ano inteiro. Se o sol brilha tanto, E eu - agora - me escondo, Caberia ao tempo refazer os caminhos? Sigo as horas vazias, e a noite voraz; Ouço vozes das ruas, Vento correndo, mundo sem fim. Meu amor se perdeu Nas palavras sinceras, Foi o fim das quimeras Dessas noites mal dormidas Que ainda me afligem Enquanto sussurro ao silêncio O receio de um novo horizonte.

A Saia

A longa saia balança com o vento. Tão cheia de graça, Mostra as suas pernas morenas e grossas, Símbolos da perfeição e do encanto Em que vivo... Voa a saia que gira com a força do vento Fazendo o vento rodar nas tuas pernas. Guardo no olhar o encanto Da percepção contida De tua forma querida Nos sonhos mais improváveis. Voa a saia que roda Da moça cheia de encantos, A dona do meu olhar incontido. A forma mais querida Dos meus improváveis sonhos.