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Poema do Amor Imponderável

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É a solidão das águas Que batem forte Abafadas Pelo astro sol  Imponente Intocável Distante, imponderável  Cheio de instantes, lembranças  Histórias alheias... A solidão dessas pedras Nas quais transito Com meus pés cansados... É talvez - a solidão dos ventos Que correm aflitos, certeiros... A solidão das rosas Que teimam em surgir... É a minha solidão Do amor esterilizado Da simples contemplação... À beira dos lampiões Confrontos de conflituosas lembranças... Um mar de indagações Flutua, transborda, E vou ficando quieto, Rompendo o ciclo Enfim... É  essa a solidão Que corre e incendeia Afaga e transforma... Transmuta os desejos Dispõe e não machuca...

De Hoje

A vida é dura. O sol inconstante. O vento que corre mente E me traz sempre as mesmas lembranças... O dia entra pela janela. É claro, mas nada parece no lugar. A vida, o quarto, vaga bagunça... Os olhos fitam a solidão, Ardente companhia sozinho ou a dois. Não flerto com a tristeza. Apenas venho seguindo Os instintos instáveis  Do meu confuso querer. Absorto fico em busca de respostas Quando o maior mistério É o do silêncio nas escolhas, Caminhos cruzados, curvas dispersas, infinitamente sós...

É chegada a primavera!

As flores caem ao chão da pista seca De concreto batido e gasto. Os pássaros ressoam desde o meio da madrugada, Entoam cantigas no frio das três... Os olhos em frente ao espelho Notam uma cor diferente No olhar de quem corre Todos os dias contra o próprio tempo... Talvez uma solidão acostumada Em ser quem é sem medo... E que brilha na esperança de novas certezas, Caminhos e sonhos. As pessoas como sempre Passam ligeiro, correm e desviam Das descobertas de mais um dia azul, Distantes de tudo E próximas ao resto da multidão. No entanto, é primavera. Primado de luz e beleza, Silêncio, entrega, contemplação...

Flores no asfalto e céu rosado

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Flores brancas caem dos galhos    [Adentram o chão de concreto e asfalto, Afogam o impacto do tempo passado, Perseguem o ritmo natural. Quisera eu entender a sua lógica Por algum meio pouco técnico - E ver na vida um ponto aberto Às interrogações que crescem,  espantam, afligem. Hoje o que temos ao nascer do dia Além de flores caindo ao chão, É um céu rosado de poesia, Melancolia - e solidão.

Catirina (Poema 2)

Solto as amarras de antigas promessas e sonhos. Sigo a linha do horizonte e busco Palavras que descrevam meu medo descontínuo. Do cacto nasceu a flor Que na primavera surpreendeu. Abriu um sorriso e revelou O que meu coração nunca percebeu. Com um vago receio me pergunto Se a flor de cacto corresponde Ao impulso que tenho a cada olhar, À força das palavras sinceras, À paixão que nasce devagar, Ao silêncio inequívoco e eficaz. Restam dúvidas enquanto o dia nasce, A solidão repele E meu sentimento, incerto e insensato, Enfrenta tempo e espaço, E sonha com o que ainda não aconteceu.

Trivialidades

Os livros na estante. A parede concreta e fria. A luz sob o telhado. O tempo contra o embalo. A mesa velha e cansada. O piso antigo e desbotado. Muriçocas seguem inquietas Seus caminhos de solidão. Balanço a rede estridente, Suada de sutis embalos, Enquanto a alma - inocente, Reclama o amor que acalma Pela vida serena e ardente Os dias de ventos suaves E noites de intensos mistérios.

A Tempestade

A tempestade da manhã Molhou os pés cansados. Desiludidos passos nas ruas estreitas Buscaram os modos mais sintéticos e puros. Segui cantando na calçada imunda, Em que a lama se confunde ao concreto nu, E a água empurrou todas as mágoas Para um velho poço de solidão. Não pude correr em meio à chuva. Apenas senti nos meus passos temerosos Uma vaga incerteza do que vem amanhã, Quando hoje  me assusta o caos em silêncio, Sereno tormento para o meu querer.

Sábado

Os passos do dia surgiram solitários Em espaços vazios, vagando no caminho. Vagos sorrisos de alegria medida Deram o tom da manhã cinzenta. Um olhar penetrante de medo e terror Marcou as primeiras horas, Nas quais o sono se sobrepõe À luz do sol que brilha no horizonte. Calma solidão trouxe à tarde o torpor. Tranquilo silêncio de quem nada deve, Mas o isolamento mudo assusta, Quando família e amigos ausentes estão. A noite trouxe suspiros de alegria De forma leve,  sem cobrança... E resplandeceu sem a luz do luar, Segura d e seus misteriosos encantos.

Sexta Feira

Dia flexível entre sol e chuva. Leve,  lento,  triste... Busco em meio às pessoas que passam Um sorriso sincero de amizade recôndita. Em meio à noite que completa esse dia Leve,  lento, triste... A cidade se esquece da vida Já frágil e incipiente. Muitas variáveis tornaram o meu dia Leve,  lento,  triste... Mas enfrento essa solidão Que perscruta o meu caminho, Amiga inesperada de todos os dias.

Onze e Meia

Palavras saltam e fogem, Quando tudo o que vemos Nunca foi verdade. Quente dia azul... Doce dia de sol... As horas gritam o silêncio Da minha tenra solidão. Papéis  sussurram ideias, Acompanham meu atento recato; Mas não estancam o vazio Dessa arraigada melancolia Que subsiste em mim.

Espera

Meço os segundos À espera da tua resposta. Se olho os meus pés, Percebo o descompasso Destes meus rastros solitários, Sedentos neste espaço Da companhia dos passos teus. É alva como a flor mais pura, Se há pureza em uma flor. Distante como a lua errante, Intensa e reluzente; Uma luz no horizonte Das incertezas  que vivo. Igual aos teus cabelos, Talvez não hajam iguais. Tão pretos como o carvão, E brilhantes quanto o verniz... Eis que te peço um favor, Pedido do coração: Afasta essa tristeza Deste pobre aprendiz. Ajude a respirar  ares novos Quem já se sente cansado Por viver na solidão. São Luís,  16 de Setembro de 2017.