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Poema do Amor Imponderável

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É a solidão das águas Que batem forte Abafadas Pelo astro sol  Imponente Intocável Distante, imponderável  Cheio de instantes, lembranças  Histórias alheias... A solidão dessas pedras Nas quais transito Com meus pés cansados... É talvez - a solidão dos ventos Que correm aflitos, certeiros... A solidão das rosas Que teimam em surgir... É a minha solidão Do amor esterilizado Da simples contemplação... À beira dos lampiões Confrontos de conflituosas lembranças... Um mar de indagações Flutua, transborda, E vou ficando quieto, Rompendo o ciclo Enfim... É  essa a solidão Que corre e incendeia Afaga e transforma... Transmuta os desejos Dispõe e não machuca...

O Copo de Leite

Era um dia de sol; A luz brilhava ao ponto de impedir uma boa visualização do que havia no céu. As palmeiras no morro íngreme balançavam, seguindo o ritmo impiedoso do vento. Ao longe, bois caminhando no campo alagado. Marrecos gritavam ao longe; motos transitavam pelo ramal, com a pista fofa, de muita areia. Jorge se balançava; havia tempos, não podia sair, mal conseguia andar. Sua única arma era memória; dos tempos de jovem, da maturidade cansada; da velhice do descanso forçado. Naquele dia, ao certo, lembrara de uma flor. Transportou-se em quarenta anos. Estava no povoado de Desce e Rola. Era um festejo; o santo não vinha à memória naquele momento. Duas dezenas de homens carregavam o mastro; homens e mulheres cantavam, tocavam e dançavam ao ritmo do Tambor de Crioula; o dia se aproximava do fim, e as velas e lamparinas já iniciavam o seu uso, pois não havia eletricidade num raio de pelo menos, 30 quilômetros. Foi então que ele viu… Viu o que, para ele, seria a própria visão do paraí...

De Hoje

A vida é dura. O sol inconstante. O vento que corre mente E me traz sempre as mesmas lembranças... O dia entra pela janela. É claro, mas nada parece no lugar. A vida, o quarto, vaga bagunça... Os olhos fitam a solidão, Ardente companhia sozinho ou a dois. Não flerto com a tristeza. Apenas venho seguindo Os instintos instáveis  Do meu confuso querer. Absorto fico em busca de respostas Quando o maior mistério É o do silêncio nas escolhas, Caminhos cruzados, curvas dispersas, infinitamente sós...

Som e Silêncio

O sol se escondeu suave, ligeiro. O vento frio, forte Atravessa as pessoas indiferentes, E afronta a minha solidão, Construída em silêncio e contemplação. Adentra a noite fria, leve e suave. Deixo o vento passar, Transportando idéias, montando retalhos, Olhando sereno o horizonte infinito. Hoje o mar se impõe E caminho a sós com a melancolia. Sons de violões, serenos, sinceros, Transpõem o silêncio, assustam, agridem Um coração apaixonado nessa noite solitária e fria.

O despertar

Ontem o sol veio ao encontro De um povo firme e decidido, Desperto e há muito esquecido Mas firme como o azul do céu. Vi uma multidão infinita. Linda passeata de amor... Palavras e gestos sinceros. Detive o tempo no olhar abstrato E encontrei a luz que guiará o país. O tempo e os gestos constroem Um mundo novo e fraterno, O novo momento que espero Para afastar o passado. Momento de amor e comunhão, Em que uníssona, a multidão Deixou o seu recado : Ele não.

Ao Léu

Ao léu joguei os vestígios de amor, Procurando o espelho dos sonhos Que destoam dos velhos tempos, Quando um sorriso bastava para o ano inteiro. Se o sol brilha tanto, E eu - agora - me escondo, Caberia ao tempo refazer os caminhos? Sigo as horas vazias, e a noite voraz; Ouço vozes das ruas, Vento correndo, mundo sem fim. Meu amor se perdeu Nas palavras sinceras, Foi o fim das quimeras Dessas noites mal dormidas Que ainda me afligem Enquanto sussurro ao silêncio O receio de um novo horizonte.

Horizonte no Tempo

A árvore seca, firme e sem folhas Aguarda o tempo das flores azuis. O vento pusilânime enfrenta As horas de silêncio e quebranto. Sussurro às hordas do tempo Saudades dos sonhos de outrora. Não deixo a serenidade escapar Mesmo que as dores flutuem no espaço... E deixo o sol encontrar-me no dia, Caminhando sob o dia anil.

Serenata do Tempo

O silêncio do campo limpo Enche de sons os espelhos d'água. Flores suspensas em longos galhos Ditam ao sol o ritmo do seu brilho. Rutilam vozes ao longe, suaves. As horas banham o campo de silêncio. O azul do céu mergulha no espaço As cores irmãs das águas na Terra. As flores solitárias rutilam o campo... As horas banham os espelhos d'água... O sol enche de sons os longos galhos. O azul do céu mergulha no sol... As cores e horas rutilam o silêncio, E ditam aos galhos as vozes nas águas.

O Contraste

Corre o sol sem poesia No dia inconstante e passivo. Esqueço o tempo do meu despreparo, Sonhando alto enquanto tropeço. Marcham as horas da história sentida E esquecida em um sutil abandono. Abono os medos incontroláveis, Contornando com o pensamento as dores de agora. Vejo cabelos balançando ao vento. Milhares de formas e sonhos Transitando na cidade vivida E embalada em saudades inquietas De modernos sistemas e modos.

Mais

As lembranças não correm Com o passo ligeiro Enquanto a cidade constrói em silêncio Suas verdades de asfalto e concreto, Logo que um dia de sol se anuncia. Guardo os segredos dos meus velhos laços, Hoje tão fartos de serem passado... Talvez o dia azul fosse tudo O que preciso para manter o meu mundo. O silêncio dos dias vem calmo e sereno. Senta ao meu lado, Repleto de cansaço e dúvidas, Sentado num lugar qualquer, Sem saber no que pensar. Apenas respiro e confronto o tempo. Dores já tive,  mas agora Tenho um escudo Silencioso e inconstante: A serenidade impera enquanto Faço dos momentos mosaico E das lembranças retalhos Pra onde não quero voltar.

Leina

A pele negra, sorriso puro. Caminha devagar sob a luz do sol, Enfrentando serena os dias inclementes. Percebo seus olhos fulgidos Escaparem, ágeis e sorrateiros Em meio à multidão, Abrigo dos teus anseios, Segredo que se retrai. Pouco a vejo... Pois sempre foge, Como a lua escapa do sol, Seguindo outro caminho, Mantendo sempre com o arrebol O grande (e triste) astro - sozinho...

A Torrente

A chuva lava as mágoas Que um dia deixei na janela, Quando não havia alternativa E o sol passeava ligeiro. As horas do fim da manhã Em que a chuva se faz mais forte, Entorpecem os medos de outrora, Consolidam caminhos nas nuvens. Distraem do acaso e das palavras Que fogem como mãos passageiras. É o mês que começa cinzento Como o lodo no mangue, E traz no simples horizonte O concreto momento com abstratos sentidos.

À sombra

Quando o sol se esconde E dá lugar às nuvens no céu, O vento caminha tranquilo Sobre a copa de árvores imponentes. A chuva entrou numa trégua E as horas passaram ligeiro, Rompendo a monotonia do silêncio Com doces sorrisos sinceros. Esquecidos no tempo e espaço, Guardados na música calma e esquecida, Deixamos as horas correrem, Até que o cotidiano tolheu enfim O nosso encontro.

Hoje mirei o mar

Hoje mirei o mar Com suas ondas arquejantes Tão belas quanto um sorriso moreno Que escapou de lábios sutis. Hoje mirei o mar... E a chuva compôs nesse encontro Uma rapsódia de sensações No contato com o chão molhado Nesta solidão do cais. Hoje mirei o mar... E percebi que o caminho torto Não aflige os meus pés cansados De círculos já conhecidos E certezas desgastadas. Hoje mirei o mar... Que importa o sol do inverno Quando a chuva é quem traz a vida Esquecida num ponto qualquer.

Bucólico

Cheiro de folhas molhadas Guarda o agridoce dos dias de chuva. O sol - hoje, desconhecida estrela Caminha distante em meio ao firmamento. Há flores em diversos tons, E vida a ser refeita em cada pétala. Um vasto silêncio na paisagem Traz aos sentidos uma paz incontida. O extenso campo de pequenos arbustos Traz em si o mistério do infinito, Em meio à chuva que cai E as solitárias borboletas,  as quais lembram Perdidos andarilhos Sem ideia de destino, nem pressa pra chegar.