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É chegada a primavera!

As flores caem ao chão da pista seca De concreto batido e gasto. Os pássaros ressoam desde o meio da madrugada, Entoam cantigas no frio das três... Os olhos em frente ao espelho Notam uma cor diferente No olhar de quem corre Todos os dias contra o próprio tempo... Talvez uma solidão acostumada Em ser quem é sem medo... E que brilha na esperança de novas certezas, Caminhos e sonhos. As pessoas como sempre Passam ligeiro, correm e desviam Das descobertas de mais um dia azul, Distantes de tudo E próximas ao resto da multidão. No entanto, é primavera. Primado de luz e beleza, Silêncio, entrega, contemplação...

Anágua

Formas retangulares. O espaço fechado. O ar controlado. As horas lentas. E pernas cansadas. Sono em frente ao computador. Sempre em frente caminho, Sem medo do teu espectro. Meço os passos do desencanto, Deixo o dia passar lento e calmo. Olhos diversos em distintas direções. Os teus surgem como lua esquecida Nos meus sonhos inversos Ou nas taciturnas contemplações Da noite longa, limpa e fria. Teu olhar enigmático não surpreende O meu coração conhecedor desses caminhos. Vaga o tempo, mas não as lembranças, Enquanto sigo - sincero e tranquilo.

As Luzes e Sons

As luzes e vozes. Tons claros de festa Rutilam na terça feira. Os olhos cansados E as mãos desgastadas Arrefecem em torpor, Vendo as saias que rodam, Os sorrisos alegres, O ritmo certo e enxuto Que sai dos tambores azuis. E nas mesas muitas cervejas, E no meu olhar - certezas; E nos ruídos - correntes de uma noite senil. E nas canções tristeza, Enquanto sonhos diversos Socorrem os versos Desse tempo largado - de luzes e sons.

Panorama Geral

As ruas do Centro Vazias e belas Na sutil manhã De sonhos e lutas Expõem ao tempo as misérias abertas. Nas ruas em que andam Pessoas sorrindo, floridas de encanto Tenho o desengano - ao ver A tristeza no chão estampada. Um homem como fome, Sem sonhos ou amigos, Rasgando sacolas - e o tempo da espera, Comia lixo - um final de quimera. Comia aflito,  sem presente ou futuro, Distante e fraco,  encardido e esquecido... Alheio ao desprezo,  tem fome e tristeza, Rastejando no frio das pedras de cantaria, Que encantam quem não vê Com os olhos bem abertos A miséria que somos Enquanto ficamos distantes De todos os que sofrem calados.

O Poeta e o Cotidiano

Assomam palavras de todos os cantos. Brilham com os olhos, enfrentam o tempo, Deixam de lado o perigo, Emocionam sem tocar... Nas ruas o poeta segue, intransigente, Os sonhos dum cotidiano intragável, E foge da musa indiferente Construindo um caminho à margem do passado. O poeta vive em meio à fragatas de utopia. Não deseja reencontros com os males de outrora, Tramando no olhar novos desafios, Sonhando acordado com diversos horizontes...

Olhos na Chuva

Um passo de cada vez Em meio à chuva intensa. Os olhos miram o chão Na noite espaçada e fria. Os olhos buscam o espelho Pros versos então oprimidos Lançarem à luz seus segredos, Deixando seu medo esquecido. O silêncio na noite chuvosa Traz ao clima o frio mais puro. Os minutos passam, As palavras se entrelaçam Num horizonte qualquer De incertezas internas.

Quadro do Centro

O medo assusta as pessoas. A beleza do lugar atrai o silêncio. As horas correm, vorazes. O Centro segue a vida,  nos seus diversos ritmos. O homem catando lixo. A criança pedindo moedas. A mulher sentada frente ao banco. Os transeuntes caminham indiferentes. Passos que seguem, vidas no chão. Venceu o amor o desprezo sem par. Fica distante a conquista do pão. Qual novo mundo se quer construir, Quando os olhos fogem do que temos aqui? Os passos seguem, céleres e tranquilos. Levam bem guardados o dízimo das igrejas, Que distantes estão do povo sofrido, Pobre, oprimido, sem apoio nem chão. 

Leina

A pele negra, sorriso puro. Caminha devagar sob a luz do sol, Enfrentando serena os dias inclementes. Percebo seus olhos fulgidos Escaparem, ágeis e sorrateiros Em meio à multidão, Abrigo dos teus anseios, Segredo que se retrai. Pouco a vejo... Pois sempre foge, Como a lua escapa do sol, Seguindo outro caminho, Mantendo sempre com o arrebol O grande (e triste) astro - sozinho...

Mulher

Trabalha todos os dias, Sem demonstrar cansaço. Procura um espaço pra chamar de seu, Enfrenta o mormaço enquanto pega a condução. Cuida dos filhos, com carinho e amor. Logo se vê que ela é imbatível... Insuperavelmente real, corre contra o tempo E enfrenta o (quase) incorrigível machismo. Ergue os olhos, mas não percebe o dia, Oprimida pelo cotidiano. Persegue o tempo pra sobreviver, Busca crescer, viver, lutar. Tem compromisso quando se coloca... Sabe se impor quando não quer. O que, afinal, resta a nós, quando a vemos? Resta a certeza de que sem ela, Nada é certo, quando os incertos caminhos  Nos puxam, como garrafas jogadas ao mar, Sem rumo, distantes de qualquer horizonte...

Revisita

Olhos voltados pro chão... Tateando no escuro, Escavo as lembranças, E refugo dores sofridas. Exorto palavras cortantes Usadas contra os meus sonhos, Em momentos de total desprezo Aos teus gestos,  e a mim mesmo. Não busco saber se algum dia Posso nada ser Ou me distanciar do que me faz ser,  Enquanto minha mente inconstante Traz a mim saudades do que nunca vivi.

Rayanna

Olhos profusos me atraem. Os teus me levam a lugares Distantes e enigmáticos, Em questão de segundos. Moça bonita  -  que parece uma índia, Você sempre esconde os melhores sorrisos, Deixando em gavetas de solidão A sua mais pura verdade. Moça bonita da pele morena, Tuas palavras encantam Num doce canto de silêncio Que só os teus olhos sabem expressar. Não sei o que há em você ... Apenas deixo meus olhos se encontrarem com os teus, Abandono a solidão dos meus passos, Sedentos dum espaço comum, Anseiam que,  com eles,  estejam os teus.