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Idílio

Lá fora há guerras e luzes à vista. Sons e sabores diversos. Pessoas apáticas e alegres; Balaio de situações e palavras. Lá fora há ricos escondidos de todos, E mendigos em calçadas sujas e molhadas. É tudo diluído - dor, amor, poesia, silêncio... Mas todo esse marasmo de incongruencias Aqui pouco importam. Pois sinto que basta sentir, tocar e redescobrir o teu corpo, Te olhar nos olhos, mexer os teus cachos Alvoroçados e rebeldes, Conversar lado a lado Sobre coisas que pouco ou nada entendemos, Navegar nos mistérios das palavras não ditas, Na entrega sincera, no sorriso compassivo e cúmplice... Gosto de perceber teus pés tão pequenos Usando meus grandes pares de chinela, Enquanto veste uma camisa que pouco uso, E passeia pela casa - natural como uma rainha, Segura como uma plebéia, Mas certa em saber que está comigo, Vivendo um idílio- do mundo ignorado...

O olhar

O tempo se comporta calmo e são. O dia nasce limpo, seco, mas suave. O vento afaga num terno abraço. A vida caminha com poucos receios. Quem sabe as palavras assomem Numa manhã, de repente... E o mundo acorde tranquilo ou indiferente ao caos. Ou seria o olhar de quem vive? Transbordando de encanto e palavras, Recheando de amor as ruas antigas Com o olhar humilde e constante, Buscando o horizonte dos versos que vem.

O Hoje

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O dia se conecta à luz renascida. A noite se esconde com a lua em relance. O cansaço da insônia turva a visão E o dia adentra solitário e lento. As fugazes idéias de alguma chegada São apenas pensamentos que voam ao longe, Distantes e sonsos, como palavras ao vento Ou velhos sintomas de sonhos imaturos. Navega o tempo à procura dum caminho, Impõe ao silêncio a ação e o mistério, E esconde nas corridas do vento Recados que a boca não fala, Sorrisos e mágoas sufocados, Reféns das palavras não ditas E dos gestos nunca vistos...

Pensei em te escrever uma carta.

Pensei em te escrever uma carta, mas as dúvidas, medos e incertezas me impediram de fazer tal ato. O tempo até alivia as mágoas, mas também assombra os sentimentos. Antes que fale qualquer coisa, peço que leia e perceba as palavras (dessas mal fadadas linhas) com todo o cuidado, se elas merecerem de você um segundo que seja de atenção. Não sei ao certo desde quando te conheço, mas percebo que não faz muito tempo que te percebo de verdade. A percepção é refém de experiências, impressões,  gestos e palavras. Quando por uma circunstância externa, me aproximei de você, não sabia ao certo o que me esperava, apenas deixei o tempo dar indicativos - e fui vivendo cada dia, tentando entender o que talvez não devesse, e me sentindo bem com o tempo vivenciado. Escrevi palavras doces, depois de tempos acres e duros. Recortei as dores do passado, guardei numa gaveta, lembrei de pesso...

Palavras distantes e dispersas

A noite trafega em silêncio e luz. O tempo contempla o espaço inconstante, E afeta a distância das palavras não ditas. Recito palavras distantes da fantasia Dos amores ideais que larguei Ao longo da estrada incerta e esquecida... As palavras na noite distante e opaca Recitam fantasias na estrada esquecida De um novo amor que pode surgir Em meio ao tempo e o silêncio não dito.

Indagações

Quando respondo às tuas mensagens, As palavras fluem e se desencontram. O celular antecipa: "te amo." Mas afasto rapidamente a expressão E mudo o assunto sem trocar de desejo. Não posso perder o controle, Esquecer quem eu sou E sofrer no vazio dos meus sonhos mais límpidos. Olho o céu tão azul - e me questiono Quando sei que é amor, E recupero o tempo que nunca foi de mais ninguém, A força dos anos de vaga solidão... A dúvida impera nos dias azuis. Quando sei se é amor, Ou nada além de medo, Se as minhas palavras São apenas escritas, Se o amor necessita de dois seres comuns? Não será então amor? Seria a mentira sutil preparada Ou será uma semente com medo de germinar Para em seguida ser extirpada do chão? Por isso, no silêncio do celular, Sem querer enfrentar o medo, Não falo nada além de palavras confusas, Que você talvez compreenda - ou não. ...

Catirina (Poema 2)

Solto as amarras de antigas promessas e sonhos. Sigo a linha do horizonte e busco Palavras que descrevam meu medo descontínuo. Do cacto nasceu a flor Que na primavera surpreendeu. Abriu um sorriso e revelou O que meu coração nunca percebeu. Com um vago receio me pergunto Se a flor de cacto corresponde Ao impulso que tenho a cada olhar, À força das palavras sinceras, À paixão que nasce devagar, Ao silêncio inequívoco e eficaz. Restam dúvidas enquanto o dia nasce, A solidão repele E meu sentimento, incerto e insensato, Enfrenta tempo e espaço, E sonha com o que ainda não aconteceu.

Mais um Dia

Os galos ansiosos Aceleram a chegada do dia, Enquanto - no quarto Murmuro palavras ao meu passado. O tempo,  afinal, corre fugaz. As horas de sonho se esvaem. Os olhos calmos e silenciosos Sussurram ao vento diversos lamentos, Enquanto a brisa fria das ruas Invade um recinto de poeta.

O mistério de Cronos

O tempo embala as memórias. O nada se impõe ao silêncio. Os dias seriam mais belos Sem mágoas no horizonte. Procuro o socorro da luz No concreto labirinto... Tateio palavras - discursos vazios. Procuro teu cheiro,  com os olhos abertos, Sonhando despertos nas horas de estio. Florescem os vestígios de um recomeço... Descubro o vazio no qual reconheço Teu gosto sincero pela distância, Deixando as horas correrem, Relevando o nada que fomos. Talvez só restem gotas Que façam sentir o meu rude descompasso Do abraço que não me deu Quando,  enfim - te deixei partir.

O Poeta e o Cotidiano

Assomam palavras de todos os cantos. Brilham com os olhos, enfrentam o tempo, Deixam de lado o perigo, Emocionam sem tocar... Nas ruas o poeta segue, intransigente, Os sonhos dum cotidiano intragável, E foge da musa indiferente Construindo um caminho à margem do passado. O poeta vive em meio à fragatas de utopia. Não deseja reencontros com os males de outrora, Tramando no olhar novos desafios, Sonhando acordado com diversos horizontes...

O Grito

Navego em palavras distopicas Em meio à chuva imperosa Que confronta as pedras de cantaria Enquanto sigo o tempo No dia cheio e impalpável. Não busco a noite impura, Enquanto sonhos marcados Desfazem velhas fissuras De olhares tortos e embriagados. Socorrem as horas de desalento A poesia em brisa refeita Enquanto murcham as dores do não ser, E enfrento a metafísica do tempo/espaço, Falando das dores que tive - e recriei. Chora o distante sussurro do dia. Gritam as horas de sonho e liberdade, Vejo o rebelde clamor de alegria, Compondo o panorama da noite na cidade. Encaro as ruas - velhas amigas... Desço a ladeira, ergo a cabeça, Encaro o futuro que desconheço, Rompendo com o medo - sem saber voar.

(Re)construção

Caminho nas horas de vagas palavras, Mantendo em silêncio os passos tranquilos. Sem encarar a lua no céu imponente e suave. Levanto as horas sutis No descompasso da minha quimera. Ouço tranquilo o som que badala Com o teu silencioso afastamento de mármore. Tudo polido...  Palavras e gestos, Sigo tranquilo,  sem amor em anexo, Mantendo os passos suaves nas ruas E palavras- retalhos multi versos...

Suavidade

O barco balança sobre a turva espuma Das ondas profundas no alto mar... As horas flanam seguras Enquanto o sol enfeita o dia Brilhante como um girassol de fogo. O tempo aliena o medo Na travessia suave do mar. As horas caminham em silêncio, Flanando sobre as ondas do mar. Os olhos contemplam o horizonte Enquanto o silêncio inconstante Se desfaz na tarde serena. Enquanto o caminho é refeito, Espero com o tempo as palavras Do calmo reencontro da Ilha encantada.

Respostas(?)

A noite guardou a incerteza No recanto mais calmo da alma. As horas da noite oscilam o seu ritmo Enquanto o tempo caminha impassível. Os arranjos que fiz ao olhar para trás, Todos foram em algum dia um momento feliz... Meu silêncio caminha onde os sonhos não foram, E permeia meus gestos discretos e exatos. Se as palavras não trazem a certeza devida, Deixo a lei do silêncio imperar no percalço Da tua pele macia e morena que vibra Como a noite mais bela com os seus densos cachos.