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Poema para um distante passado

Ah! Como transborda a saudade Das tardes idílicas De quando era só um jovem, De quando o amor era só um som, O toque de uma brisa. O tempo que perdia em olhares Sob a sombra das mangueiras E via a luz do sol aos poucos se escondendo Sorrindo como ria a vida outrora... Não era tão perdido quanto via. Era a glória de um menino Que ainda não conhecia Os limites que se impõem pelo caminho. Meus passos eram amplos e alegres Sob a lama que vivia docilmente Na campina que crescia indiferente Aos pés que ali pisavam... Oh, eram tão simples As noites de luar e poesia.  Eu era alguém perdido e descontente Sem perceber que aquele tempo Agreste e inconstante Cercado de sol, vento e chuva Era tudo o que ali Fazia sentido, Era o tempo e o lugar certo Para o amor e a felicidade Vividos nos desafios de todos os dias.

Os dias e a lama

Os dias repletos de lama E da chuva que cai, quase sem cessar, Me assustam com o receio do que não vi, Me prendem à incerteza do que virá. Os olhos procuram na fluidez dos dias Respostas pequenas para perguntas vagas... Os sonhos se prendem ao ritmo do chão, Os vários pensamentos compõem uma tortuosa estrada. Eu gosto de sorrir Mas não rio tanto. Observo quieto o que me ronda... Meandros em palavras Já não são mais a minha linguagem, Logo agora, que quase não converso nada com ninguém. ,

Digressões

 Alguma coisa Me faz pensar Nos passos dados Nas palavras e chances perdidas Nos erros contados E nos gestos incontidos. O tempo guardado Me encontrou perdido Vagando em marasmos De sentimentos distraídos E que já não falam mais, Seguem em silêncio Enquanto tento compreender O meio e o homem, Arrefecidos no mundo Que esmaga sonhos Insulta os planos E segue frio em meio ao calor crescente, Mostrando que a gente é inclemente Perante as dores alheias, Diante das almas que vagam no estio.

Poema Simples

O tempo povoado de frio, Do frio ao qual abandono Revigora as forças Para os dias de estio Enquanto os dias De cinzas se fazem azuis Infinitamente Enquanto o azul ilimitado De nossa limitada visão Encobre os medos dos sonhos Da vida em seu turbilhão.