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Pés na Areia

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Hoje pisei na areia molhada Banhada de mar Que vai e vem Sereno E traz a fugitiva brisa Que segue Sempre em frente... Passos, lembranças... Sussurros do vento. Ruído do mar. Paz A calma do tempo. Dia se pondo, E eu caminhando... Ao longe a floresta. O céu pouco azul. É a noite que chega Com a lua crescente Forte, resplandecente. É o tempo que corre. É a vida presente...

Sem Título

O mar fétido encanta milhares, Atrai corpos e olhares, Ofusca a paisagem e assusta Quem vê sempre as coisas finitas. A angústia do mar Parece com o desespero... Afaga e aflige com a imensidão A quem tem medo do desconhecido. Não importam velhos vultos... Tudo isso passou. Lá em frente, casais observam a lua. Comem, riem, discutem... Vivem. E aqui observo Recluso, em silêncio, Tudo que ainda não encontrei Em qualquer coisa rua ou esquina, Num olhar vago e desinteressado De algum improvável momento.

Recortes

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O mar desafoga, manso e presente, Às dezoito horas, quando o dia se esconde da gente. O vento sopra sem medo ou inconstância. Deixo ele tocar o meu corpo, Transpiro sensações e medos Ao longo desse toque. As idéias se cruzam, as palavras também. As certezas se calam, e contemplam A passagem do tempo, Inflexível contendor de emoções E sentimentos. Onde está a musa que encanta com os olhos vivos, Que se afasta com palavras, Mas acompanha o cotidiano? Não o sei, mas evito infortúnios De fazê-la cansar Com subjetivas palavras E mais ainda - os gestos. Não há flor ou espinho Que me faça compreender Onde ela entrou no caminho Da minha história de curvas, Se numa noite em silêncio Ou no meio da multidão. Só importa o quanto ela assombra O tempo e modula a história Com sua força e coragem, Transformando o destino, E escrevendo no mundo Ainda só - e indi...

Suavidade

O barco balança sobre a turva espuma Das ondas profundas no alto mar... As horas flanam seguras Enquanto o sol enfeita o dia Brilhante como um girassol de fogo. O tempo aliena o medo Na travessia suave do mar. As horas caminham em silêncio, Flanando sobre as ondas do mar. Os olhos contemplam o horizonte Enquanto o silêncio inconstante Se desfaz na tarde serena. Enquanto o caminho é refeito, Espero com o tempo as palavras Do calmo reencontro da Ilha encantada.

Mulher

Trabalha todos os dias, Sem demonstrar cansaço. Procura um espaço pra chamar de seu, Enfrenta o mormaço enquanto pega a condução. Cuida dos filhos, com carinho e amor. Logo se vê que ela é imbatível... Insuperavelmente real, corre contra o tempo E enfrenta o (quase) incorrigível machismo. Ergue os olhos, mas não percebe o dia, Oprimida pelo cotidiano. Persegue o tempo pra sobreviver, Busca crescer, viver, lutar. Tem compromisso quando se coloca... Sabe se impor quando não quer. O que, afinal, resta a nós, quando a vemos? Resta a certeza de que sem ela, Nada é certo, quando os incertos caminhos  Nos puxam, como garrafas jogadas ao mar, Sem rumo, distantes de qualquer horizonte...

Hoje mirei o mar

Hoje mirei o mar Com suas ondas arquejantes Tão belas quanto um sorriso moreno Que escapou de lábios sutis. Hoje mirei o mar... E a chuva compôs nesse encontro Uma rapsódia de sensações No contato com o chão molhado Nesta solidão do cais. Hoje mirei o mar... E percebi que o caminho torto Não aflige os meus pés cansados De círculos já conhecidos E certezas desgastadas. Hoje mirei o mar... Que importa o sol do inverno Quando a chuva é quem traz a vida Esquecida num ponto qualquer.