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Horizonte no Tempo

A árvore seca, firme e sem folhas Aguarda o tempo das flores azuis. O vento pusilânime enfrenta As horas de silêncio e quebranto. Sussurro às hordas do tempo Saudades dos sonhos de outrora. Não deixo a serenidade escapar Mesmo que as dores flutuem no espaço... E deixo o sol encontrar-me no dia, Caminhando sob o dia anil.

Anágua

Formas retangulares. O espaço fechado. O ar controlado. As horas lentas. E pernas cansadas. Sono em frente ao computador. Sempre em frente caminho, Sem medo do teu espectro. Meço os passos do desencanto, Deixo o dia passar lento e calmo. Olhos diversos em distintas direções. Os teus surgem como lua esquecida Nos meus sonhos inversos Ou nas taciturnas contemplações Da noite longa, limpa e fria. Teu olhar enigmático não surpreende O meu coração conhecedor desses caminhos. Vaga o tempo, mas não as lembranças, Enquanto sigo - sincero e tranquilo.

O Grito

Navego em palavras distopicas Em meio à chuva imperosa Que confronta as pedras de cantaria Enquanto sigo o tempo No dia cheio e impalpável. Não busco a noite impura, Enquanto sonhos marcados Desfazem velhas fissuras De olhares tortos e embriagados. Socorrem as horas de desalento A poesia em brisa refeita Enquanto murcham as dores do não ser, E enfrento a metafísica do tempo/espaço, Falando das dores que tive - e recriei. Chora o distante sussurro do dia. Gritam as horas de sonho e liberdade, Vejo o rebelde clamor de alegria, Compondo o panorama da noite na cidade. Encaro as ruas - velhas amigas... Desço a ladeira, ergo a cabeça, Encaro o futuro que desconheço, Rompendo com o medo - sem saber voar.

Passos, tempo e espaço

Imagem
O descompasso do relógio Deu ao dia um ritmo abstrato. Cronometrados passos no tempo e espaço. Escassa atenção aos rastros passados. Não tive medo do tempo veloz. Ouço o som do vento sussurrante. Noto no escuro o embaraço da noite, Sincera amiga do calmo silêncio. Noto o relógio,  descompassado No seu ritmo certo e simples. Vejo a luz do poste distante De todas as certezas que o tempo apresenta. Nada corre... Nem as pernas cansadas Do contato com as pedras de cantaria Nos dias de chuva e calor, Acostumadas ao ritmo dos dias.

A Marília dos meus versos

Embaixo das árvores Com a cabeça recostada num espaço de concreto Repousou a Marília dos meus dias mais calmos. Fitei em silêncio seu rosto sereno, Como quem descobre a paz verdadeira Nos mais simples traços do porte pequeno, No encanto que emana do seu cabelo. Incontido silêncio rondou nosso momento Quando tudo ao redor parecia prosaico E a campina ao redor sugeria aos olhos O frescor do seu leito aos corpos cansados. A Marília do meu real idílio Com sua pele morena e seu olhar instigante, Deu ao dia o momento mais belo e tranquilo, Fuga e retiro ao cansaço, horizonte de luz num pequeno instante.

À sombra

Quando o sol se esconde E dá lugar às nuvens no céu, O vento caminha tranquilo Sobre a copa de árvores imponentes. A chuva entrou numa trégua E as horas passaram ligeiro, Rompendo a monotonia do silêncio Com doces sorrisos sinceros. Esquecidos no tempo e espaço, Guardados na música calma e esquecida, Deixamos as horas correrem, Até que o cotidiano tolheu enfim O nosso encontro.

Recomeço

Passam segundos, passa o passado. Ouço passos; passou o ruído. Descompasso do tempo, Repasso o espaço do teu abraço,  Inconstante laço de um desamparo. Passam horas,  passam abraços.  Passam histórias,  voa o passado.  Refaço o começo,  Recomeço os passos... Refaço o tempo do esquecido espaço.  Guardo os passos que ainda não trilhei,  Enquanto os caminhos criam compassos,  Ritmos que guiam o descompasso meu. 

Espera

Meço os segundos À espera da tua resposta. Se olho os meus pés, Percebo o descompasso Destes meus rastros solitários, Sedentos neste espaço Da companhia dos passos teus. É alva como a flor mais pura, Se há pureza em uma flor. Distante como a lua errante, Intensa e reluzente; Uma luz no horizonte Das incertezas  que vivo. Igual aos teus cabelos, Talvez não hajam iguais. Tão pretos como o carvão, E brilhantes quanto o verniz... Eis que te peço um favor, Pedido do coração: Afasta essa tristeza Deste pobre aprendiz. Ajude a respirar  ares novos Quem já se sente cansado Por viver na solidão. São Luís,  16 de Setembro de 2017.