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Sem Fúria

Os cliques nos teclados quebram o ritmo do silêncio. O tempo urge, mas esconde a pressa… Ouço e meço as palavras Como quem se desespera diante de um caos. Vejo os dias cansados, passados, jogados… As sombras de amores perdidas, pisadas, Como pétalas de flores esquecidas, amassadas, Como areia nas dunas, que correm,  Vão e vem, e um dia morrem Como todo encanto sempre vai. E nada falo, quieto e calmo… Só deixo a mente caminhar E deixo o tempo esquecer, Deixando a vida transformar.

É chegada a primavera!

As flores caem ao chão da pista seca De concreto batido e gasto. Os pássaros ressoam desde o meio da madrugada, Entoam cantigas no frio das três... Os olhos em frente ao espelho Notam uma cor diferente No olhar de quem corre Todos os dias contra o próprio tempo... Talvez uma solidão acostumada Em ser quem é sem medo... E que brilha na esperança de novas certezas, Caminhos e sonhos. As pessoas como sempre Passam ligeiro, correm e desviam Das descobertas de mais um dia azul, Distantes de tudo E próximas ao resto da multidão. No entanto, é primavera. Primado de luz e beleza, Silêncio, entrega, contemplação...

Gosto

Gosto quando acaricia os meus cabelos E sorri com um riso suave. E me fala o que não espero ou penso Com um jeito doce e sutil. Gosto quando conversamos e o tempo Amedronta a pressa e caminha Sorvendo instantes e desejos, Caminhando lentamente e construindo momentos. Gosto quando toco devagar no teu corpo, Fervendo de paixão e sem pressa, E vejo o teu rosto alegre e passivo, Doce e belo,  carnal e parceiro. Gosto de olhar nos teus olhos E neles me abster de flores sem espinhos. Toco os teus dedos e vejo o anel que te dei... Vejo me chamar de bobo, Olho para os lados e sorrio. Gosto de quando estamos juntos. Mas hoje - você está longe, E eu sozinho essa noite Fico à espera constante Desse dia - do teu regresso marcado.

O Ano

O ano foi cheio de flores... De dor, luta, amor e esperança. O ano foi suave - como um cacto pequeno. Ano de sonhos, fadiga, recato... O ano passou como um dia. Ainda ontem, tinha rosas nas mãos. Hoje, a consciência tranquila Depois de escolhas certas. A gente se esquece de olhar o outro: Seus sonhos, desejos, em casa, rua, trabalho ou lazer; Vemos a fome, a nudez, a pobreza: De carinho, respeito, do estar presente e ser irmão. De resto, tudo passa. E o que sobra no final das contas, Além de histórias inesquecíveis ou rotinas a serem esquecidas?

Flores no asfalto e céu rosado

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Flores brancas caem dos galhos    [Adentram o chão de concreto e asfalto, Afogam o impacto do tempo passado, Perseguem o ritmo natural. Quisera eu entender a sua lógica Por algum meio pouco técnico - E ver na vida um ponto aberto Às interrogações que crescem,  espantam, afligem. Hoje o que temos ao nascer do dia Além de flores caindo ao chão, É um céu rosado de poesia, Melancolia - e solidão.

A hora morna

As flores desabrocham em meio à hora morna. O barulho das ruas, o ruido das casas... Um novo dia em plena construção. As nuvens ligeiras recortam e trespassam No espaço azul do céu. O vento suave e torto Confronta o calor desse dia. O sol se levanta, os medos se escondem. E meus versos dispersos Curtos e indigestos, Despertam sentidos, deixando escondidos Vestígios de amor.

Catirina (Poema 2)

Solto as amarras de antigas promessas e sonhos. Sigo a linha do horizonte e busco Palavras que descrevam meu medo descontínuo. Do cacto nasceu a flor Que na primavera surpreendeu. Abriu um sorriso e revelou O que meu coração nunca percebeu. Com um vago receio me pergunto Se a flor de cacto corresponde Ao impulso que tenho a cada olhar, À força das palavras sinceras, À paixão que nasce devagar, Ao silêncio inequívoco e eficaz. Restam dúvidas enquanto o dia nasce, A solidão repele E meu sentimento, incerto e insensato, Enfrenta tempo e espaço, E sonha com o que ainda não aconteceu.

Catirina

A mesa e a comida. O cuidado e as palavras. O vento agreste, sutil e lento, Sussurra ao silêncio - inefáveis mistérios. A moça exausta - de nome Catirina De pele negra e vibrante Atende - solicita - à fome imaginada. Afaga em palavras, rompe o manto. Esqueço seu modo intrigante e obscuro. Eu vejo a rua deserta e fria, Na noite sombria de vento sutil. Contemplo o silêncio, enquanto - sereno Percebo teus olhos tão mansos e intensos... Que criam ondas brilhantes Em sonhos diversos No tempo confuso Das horas incertas Dessas noites sem lâmpadas, lanternas, querosene ou luar. Sutil Catirina, tão meiga menina Teus olhos - minha sina, Seus gestos - encantam Os meus que há muito Observam o silêncio Das ruas e sombras, Das flores e sons, Na noite larga e fria...

Horizonte no Tempo

A árvore seca, firme e sem folhas Aguarda o tempo das flores azuis. O vento pusilânime enfrenta As horas de silêncio e quebranto. Sussurro às hordas do tempo Saudades dos sonhos de outrora. Não deixo a serenidade escapar Mesmo que as dores flutuem no espaço... E deixo o sol encontrar-me no dia, Caminhando sob o dia anil.

Serenata do Tempo

O silêncio do campo limpo Enche de sons os espelhos d'água. Flores suspensas em longos galhos Ditam ao sol o ritmo do seu brilho. Rutilam vozes ao longe, suaves. As horas banham o campo de silêncio. O azul do céu mergulha no espaço As cores irmãs das águas na Terra. As flores solitárias rutilam o campo... As horas banham os espelhos d'água... O sol enche de sons os longos galhos. O azul do céu mergulha no sol... As cores e horas rutilam o silêncio, E ditam aos galhos as vozes nas águas.

Dois Sóis

Veja a lama do mangue Clamando por atenção... Siga os passos das flores, Pise as dores do chão. Ouça o toque do vento. Vê que ele é feliz... Como o tempo inconstante Do instante - matriz. Olho o céu sem estrelas... Tão limpo, azul... Guarda tantas mentiras Escondidas, dispersas de Norte a Sul. Deixo o vento passar. Com sua brisa ligeira, Como a tua lembrança, sutil passageira, Nesse dia confuso e calmo, Como chá de cidreira Num café da manhã singular...

Bucólico

Cheiro de folhas molhadas Guarda o agridoce dos dias de chuva. O sol - hoje, desconhecida estrela Caminha distante em meio ao firmamento. Há flores em diversos tons, E vida a ser refeita em cada pétala. Um vasto silêncio na paisagem Traz aos sentidos uma paz incontida. O extenso campo de pequenos arbustos Traz em si o mistério do infinito, Em meio à chuva que cai E as solitárias borboletas,  as quais lembram Perdidos andarilhos Sem ideia de destino, nem pressa pra chegar.

Dissemelhanças

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Enquanto o dia escurece, Enfrentando a chuva que está por vir, Distantes passos trôpegos Seguem intrépidos em meio à campina. Avisto um distante horizonte, À sombra de flores que enfrentam As nuvens dispostas no céu, Cheias de furia e ruídos. Basta a contemplação dessas flores Para o dia possuir um sentido, Em meio às divagações que diluem Frente às gotas de chuva que começam a cair...