Postagens

Mostrando postagens com o rótulo silêncio

Ploc

Chove Enquanto a noite descortina O silencio Que geralmente não percebemos Ao morar na avenida Motos, gente Toda madrugada.   Chove Como choram Pessoas sem direitos Sem terra, sem casa Há muito sem vida real E mesmo assim – de pé...   Chove Enquanto fingimos Não ter medo Daquilo que ainda não sabemos.   Chove Enquanto sonsos sorrisos Medos absurdos Para gente grande e livre Vem à tona e assustam Passeiam pela mente   Chove E as horas caminham Como risos sarcásticos. Lá fora a noite plena De silencio Chuva e frio...  

De Hoje

A vida é dura. O sol inconstante. O vento que corre mente E me traz sempre as mesmas lembranças... O dia entra pela janela. É claro, mas nada parece no lugar. A vida, o quarto, vaga bagunça... Os olhos fitam a solidão, Ardente companhia sozinho ou a dois. Não flerto com a tristeza. Apenas venho seguindo Os instintos instáveis  Do meu confuso querer. Absorto fico em busca de respostas Quando o maior mistério É o do silêncio nas escolhas, Caminhos cruzados, curvas dispersas, infinitamente sós...

Sem Título

O mar fétido encanta milhares, Atrai corpos e olhares, Ofusca a paisagem e assusta Quem vê sempre as coisas finitas. A angústia do mar Parece com o desespero... Afaga e aflige com a imensidão A quem tem medo do desconhecido. Não importam velhos vultos... Tudo isso passou. Lá em frente, casais observam a lua. Comem, riem, discutem... Vivem. E aqui observo Recluso, em silêncio, Tudo que ainda não encontrei Em qualquer coisa rua ou esquina, Num olhar vago e desinteressado De algum improvável momento.

É chegada a primavera!

As flores caem ao chão da pista seca De concreto batido e gasto. Os pássaros ressoam desde o meio da madrugada, Entoam cantigas no frio das três... Os olhos em frente ao espelho Notam uma cor diferente No olhar de quem corre Todos os dias contra o próprio tempo... Talvez uma solidão acostumada Em ser quem é sem medo... E que brilha na esperança de novas certezas, Caminhos e sonhos. As pessoas como sempre Passam ligeiro, correm e desviam Das descobertas de mais um dia azul, Distantes de tudo E próximas ao resto da multidão. No entanto, é primavera. Primado de luz e beleza, Silêncio, entrega, contemplação...

Idílio

Lá fora há guerras e luzes à vista. Sons e sabores diversos. Pessoas apáticas e alegres; Balaio de situações e palavras. Lá fora há ricos escondidos de todos, E mendigos em calçadas sujas e molhadas. É tudo diluído - dor, amor, poesia, silêncio... Mas todo esse marasmo de incongruencias Aqui pouco importam. Pois sinto que basta sentir, tocar e redescobrir o teu corpo, Te olhar nos olhos, mexer os teus cachos Alvoroçados e rebeldes, Conversar lado a lado Sobre coisas que pouco ou nada entendemos, Navegar nos mistérios das palavras não ditas, Na entrega sincera, no sorriso compassivo e cúmplice... Gosto de perceber teus pés tão pequenos Usando meus grandes pares de chinela, Enquanto veste uma camisa que pouco uso, E passeia pela casa - natural como uma rainha, Segura como uma plebéia, Mas certa em saber que está comigo, Vivendo um idílio- do mundo ignorado...

O Hoje

Imagem
O dia se conecta à luz renascida. A noite se esconde com a lua em relance. O cansaço da insônia turva a visão E o dia adentra solitário e lento. As fugazes idéias de alguma chegada São apenas pensamentos que voam ao longe, Distantes e sonsos, como palavras ao vento Ou velhos sintomas de sonhos imaturos. Navega o tempo à procura dum caminho, Impõe ao silêncio a ação e o mistério, E esconde nas corridas do vento Recados que a boca não fala, Sorrisos e mágoas sufocados, Reféns das palavras não ditas E dos gestos nunca vistos...

Palavras distantes e dispersas

A noite trafega em silêncio e luz. O tempo contempla o espaço inconstante, E afeta a distância das palavras não ditas. Recito palavras distantes da fantasia Dos amores ideais que larguei Ao longo da estrada incerta e esquecida... As palavras na noite distante e opaca Recitam fantasias na estrada esquecida De um novo amor que pode surgir Em meio ao tempo e o silêncio não dito.

Medos e medições

Imagem
O vento da primavera Seco, certeiro, direto Afasta - na tarde vazia Os passos dispersos da multidão. Flores caem como mágoas diversas ao chão; São deixadas ao léu - como amores largados, Brilham e ressecam sob a luz do sol, Murcham em meio ao dia azul. As horas vazias de silêncio Na contemplação da beira mar. Afastam o silêncio inoportuno, Reconstroem a solidão contemplativa Com o medo de sofrer no intenso, delicado e incerto tempo.

Indagações

Quando respondo às tuas mensagens, As palavras fluem e se desencontram. O celular antecipa: "te amo." Mas afasto rapidamente a expressão E mudo o assunto sem trocar de desejo. Não posso perder o controle, Esquecer quem eu sou E sofrer no vazio dos meus sonhos mais límpidos. Olho o céu tão azul - e me questiono Quando sei que é amor, E recupero o tempo que nunca foi de mais ninguém, A força dos anos de vaga solidão... A dúvida impera nos dias azuis. Quando sei se é amor, Ou nada além de medo, Se as minhas palavras São apenas escritas, Se o amor necessita de dois seres comuns? Não será então amor? Seria a mentira sutil preparada Ou será uma semente com medo de germinar Para em seguida ser extirpada do chão? Por isso, no silêncio do celular, Sem querer enfrentar o medo, Não falo nada além de palavras confusas, Que você talvez compreenda - ou não. ...

Catirina (Poema 2)

Solto as amarras de antigas promessas e sonhos. Sigo a linha do horizonte e busco Palavras que descrevam meu medo descontínuo. Do cacto nasceu a flor Que na primavera surpreendeu. Abriu um sorriso e revelou O que meu coração nunca percebeu. Com um vago receio me pergunto Se a flor de cacto corresponde Ao impulso que tenho a cada olhar, À força das palavras sinceras, À paixão que nasce devagar, Ao silêncio inequívoco e eficaz. Restam dúvidas enquanto o dia nasce, A solidão repele E meu sentimento, incerto e insensato, Enfrenta tempo e espaço, E sonha com o que ainda não aconteceu.

Som e Silêncio

O sol se escondeu suave, ligeiro. O vento frio, forte Atravessa as pessoas indiferentes, E afronta a minha solidão, Construída em silêncio e contemplação. Adentra a noite fria, leve e suave. Deixo o vento passar, Transportando idéias, montando retalhos, Olhando sereno o horizonte infinito. Hoje o mar se impõe E caminho a sós com a melancolia. Sons de violões, serenos, sinceros, Transpõem o silêncio, assustam, agridem Um coração apaixonado nessa noite solitária e fria.

Catirina

A mesa e a comida. O cuidado e as palavras. O vento agreste, sutil e lento, Sussurra ao silêncio - inefáveis mistérios. A moça exausta - de nome Catirina De pele negra e vibrante Atende - solicita - à fome imaginada. Afaga em palavras, rompe o manto. Esqueço seu modo intrigante e obscuro. Eu vejo a rua deserta e fria, Na noite sombria de vento sutil. Contemplo o silêncio, enquanto - sereno Percebo teus olhos tão mansos e intensos... Que criam ondas brilhantes Em sonhos diversos No tempo confuso Das horas incertas Dessas noites sem lâmpadas, lanternas, querosene ou luar. Sutil Catirina, tão meiga menina Teus olhos - minha sina, Seus gestos - encantam Os meus que há muito Observam o silêncio Das ruas e sombras, Das flores e sons, Na noite larga e fria...

Ao Léu

Ao léu joguei os vestígios de amor, Procurando o espelho dos sonhos Que destoam dos velhos tempos, Quando um sorriso bastava para o ano inteiro. Se o sol brilha tanto, E eu - agora - me escondo, Caberia ao tempo refazer os caminhos? Sigo as horas vazias, e a noite voraz; Ouço vozes das ruas, Vento correndo, mundo sem fim. Meu amor se perdeu Nas palavras sinceras, Foi o fim das quimeras Dessas noites mal dormidas Que ainda me afligem Enquanto sussurro ao silêncio O receio de um novo horizonte.

Horizonte no Tempo

A árvore seca, firme e sem folhas Aguarda o tempo das flores azuis. O vento pusilânime enfrenta As horas de silêncio e quebranto. Sussurro às hordas do tempo Saudades dos sonhos de outrora. Não deixo a serenidade escapar Mesmo que as dores flutuem no espaço... E deixo o sol encontrar-me no dia, Caminhando sob o dia anil.

Serenata do Tempo

O silêncio do campo limpo Enche de sons os espelhos d'água. Flores suspensas em longos galhos Ditam ao sol o ritmo do seu brilho. Rutilam vozes ao longe, suaves. As horas banham o campo de silêncio. O azul do céu mergulha no espaço As cores irmãs das águas na Terra. As flores solitárias rutilam o campo... As horas banham os espelhos d'água... O sol enche de sons os longos galhos. O azul do céu mergulha no sol... As cores e horas rutilam o silêncio, E ditam aos galhos as vozes nas águas.

Uma carta de Amor

O dia partiu mais tranquilo Quando as nuvens tocaram o mar. E o céu no horizonte azul Se fez rosa como o amor ideal. As ondas divagam em meio à maresia. A noite sutil caminha serena. Os passos diversos da multidão Impedem o silêncio no qual me deixo estar. Caminham suavemente formas alvas Que de relance - vem de encontro ao meu silêncio, E sai confusa,  na sua diafana dúvida Sobre esse amor recortado e doido que guardei. Não espero que um dia Você chegue e diga- que o recomeço Se faz abandonando o passado, Esse véu impuro de torpes mágoas, Ou que devo seguir ao teu lado, Erguer um futuro ao presente obscuro E ao passado de dor... Andei nas calçadas, olhei os casais nas praças desertas, Senti mil perfumes, vaguei pelas ruas. Mas nada seduz mais que o abraço Sincero,  marcado,  sentido, sonhado Em cartas de amor. São Luís, 24 de julho de 2018.

Essa Noite

A rua serena Na velha rotina Dos passos que vão e vem, Engata palavras,  avoluma sussurros, Assusta desatentos ouvidos Na noite singela e monótona De um linear e silencioso bairro. Espero a chuva cair... Mas sei que o tempo engana, E a noite sem estrelas ou luar Nada fala, atenta ao seu ofício, Num infinito ciclo de constantes recomeços. Embalado na rede Permito-me deixar o vento da noite Adentrar com o seu frio ligeiro, Enquanto transformo pensamentos Em palavras bruscas e tortas. Não bastam flores ou cartas, Se o silêncio é a regra, Quando as palavras são farsas E o coração - de pedra.

(Re)construção

Caminho nas horas de vagas palavras, Mantendo em silêncio os passos tranquilos. Sem encarar a lua no céu imponente e suave. Levanto as horas sutis No descompasso da minha quimera. Ouço tranquilo o som que badala Com o teu silencioso afastamento de mármore. Tudo polido...  Palavras e gestos, Sigo tranquilo,  sem amor em anexo, Mantendo os passos suaves nas ruas E palavras- retalhos multi versos...

Mais

As lembranças não correm Com o passo ligeiro Enquanto a cidade constrói em silêncio Suas verdades de asfalto e concreto, Logo que um dia de sol se anuncia. Guardo os segredos dos meus velhos laços, Hoje tão fartos de serem passado... Talvez o dia azul fosse tudo O que preciso para manter o meu mundo. O silêncio dos dias vem calmo e sereno. Senta ao meu lado, Repleto de cansaço e dúvidas, Sentado num lugar qualquer, Sem saber no que pensar. Apenas respiro e confronto o tempo. Dores já tive,  mas agora Tenho um escudo Silencioso e inconstante: A serenidade impera enquanto Faço dos momentos mosaico E das lembranças retalhos Pra onde não quero voltar.

Mãe

Cansaço a define. O tempo atravessa sobre o dia ligeiro. Tem a mente ocupada Com as dores dos filhos. Olhos profundos de fadiga, Repleta de amor no seu dia a dia. Ouve as dores de todos que cria. Chora em silêncio quando a vida tropeça. Ama os filhos - sem medo de nada Além do imprevisível futuro. Ouve as mágoas dos filhos errantes. Guarda as palavras que lhe são dirigidas Nos insanos momentos de ira dos filhos.