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Contexto

Ao longe, os navios... Os vapores do ar, os sonhos de infância. O sol que se esconde Atrás das praias desertas. À frente, as horas Balançando como barcos. Suaves, em compassos Ao som dos batuques. Acima, as nuvens Cobrindo o horizonte Anunciam a chuva Que lava a noite. Ao meu lado, teu cheiro, Teu corpo e teu jeito, Modelo de amor Solto, leve e sem medo...

Idílio

Lá fora há guerras e luzes à vista. Sons e sabores diversos. Pessoas apáticas e alegres; Balaio de situações e palavras. Lá fora há ricos escondidos de todos, E mendigos em calçadas sujas e molhadas. É tudo diluído - dor, amor, poesia, silêncio... Mas todo esse marasmo de incongruencias Aqui pouco importam. Pois sinto que basta sentir, tocar e redescobrir o teu corpo, Te olhar nos olhos, mexer os teus cachos Alvoroçados e rebeldes, Conversar lado a lado Sobre coisas que pouco ou nada entendemos, Navegar nos mistérios das palavras não ditas, Na entrega sincera, no sorriso compassivo e cúmplice... Gosto de perceber teus pés tão pequenos Usando meus grandes pares de chinela, Enquanto veste uma camisa que pouco uso, E passeia pela casa - natural como uma rainha, Segura como uma plebéia, Mas certa em saber que está comigo, Vivendo um idílio- do mundo ignorado...

O Ano

O ano foi cheio de flores... De dor, luta, amor e esperança. O ano foi suave - como um cacto pequeno. Ano de sonhos, fadiga, recato... O ano passou como um dia. Ainda ontem, tinha rosas nas mãos. Hoje, a consciência tranquila Depois de escolhas certas. A gente se esquece de olhar o outro: Seus sonhos, desejos, em casa, rua, trabalho ou lazer; Vemos a fome, a nudez, a pobreza: De carinho, respeito, do estar presente e ser irmão. De resto, tudo passa. E o que sobra no final das contas, Além de histórias inesquecíveis ou rotinas a serem esquecidas?

Palavras distantes e dispersas

A noite trafega em silêncio e luz. O tempo contempla o espaço inconstante, E afeta a distância das palavras não ditas. Recito palavras distantes da fantasia Dos amores ideais que larguei Ao longo da estrada incerta e esquecida... As palavras na noite distante e opaca Recitam fantasias na estrada esquecida De um novo amor que pode surgir Em meio ao tempo e o silêncio não dito.

A hora morna

As flores desabrocham em meio à hora morna. O barulho das ruas, o ruido das casas... Um novo dia em plena construção. As nuvens ligeiras recortam e trespassam No espaço azul do céu. O vento suave e torto Confronta o calor desse dia. O sol se levanta, os medos se escondem. E meus versos dispersos Curtos e indigestos, Despertam sentidos, deixando escondidos Vestígios de amor.

Indagações

Quando respondo às tuas mensagens, As palavras fluem e se desencontram. O celular antecipa: "te amo." Mas afasto rapidamente a expressão E mudo o assunto sem trocar de desejo. Não posso perder o controle, Esquecer quem eu sou E sofrer no vazio dos meus sonhos mais límpidos. Olho o céu tão azul - e me questiono Quando sei que é amor, E recupero o tempo que nunca foi de mais ninguém, A força dos anos de vaga solidão... A dúvida impera nos dias azuis. Quando sei se é amor, Ou nada além de medo, Se as minhas palavras São apenas escritas, Se o amor necessita de dois seres comuns? Não será então amor? Seria a mentira sutil preparada Ou será uma semente com medo de germinar Para em seguida ser extirpada do chão? Por isso, no silêncio do celular, Sem querer enfrentar o medo, Não falo nada além de palavras confusas, Que você talvez compreenda - ou não. ...

O despertar

Ontem o sol veio ao encontro De um povo firme e decidido, Desperto e há muito esquecido Mas firme como o azul do céu. Vi uma multidão infinita. Linda passeata de amor... Palavras e gestos sinceros. Detive o tempo no olhar abstrato E encontrei a luz que guiará o país. O tempo e os gestos constroem Um mundo novo e fraterno, O novo momento que espero Para afastar o passado. Momento de amor e comunhão, Em que uníssona, a multidão Deixou o seu recado : Ele não.

Trivialidades

Os livros na estante. A parede concreta e fria. A luz sob o telhado. O tempo contra o embalo. A mesa velha e cansada. O piso antigo e desbotado. Muriçocas seguem inquietas Seus caminhos de solidão. Balanço a rede estridente, Suada de sutis embalos, Enquanto a alma - inocente, Reclama o amor que acalma Pela vida serena e ardente Os dias de ventos suaves E noites de intensos mistérios.

Uma carta de Amor

O dia partiu mais tranquilo Quando as nuvens tocaram o mar. E o céu no horizonte azul Se fez rosa como o amor ideal. As ondas divagam em meio à maresia. A noite sutil caminha serena. Os passos diversos da multidão Impedem o silêncio no qual me deixo estar. Caminham suavemente formas alvas Que de relance - vem de encontro ao meu silêncio, E sai confusa,  na sua diafana dúvida Sobre esse amor recortado e doido que guardei. Não espero que um dia Você chegue e diga- que o recomeço Se faz abandonando o passado, Esse véu impuro de torpes mágoas, Ou que devo seguir ao teu lado, Erguer um futuro ao presente obscuro E ao passado de dor... Andei nas calçadas, olhei os casais nas praças desertas, Senti mil perfumes, vaguei pelas ruas. Mas nada seduz mais que o abraço Sincero,  marcado,  sentido, sonhado Em cartas de amor. São Luís, 24 de julho de 2018.

(Re)construção

Caminho nas horas de vagas palavras, Mantendo em silêncio os passos tranquilos. Sem encarar a lua no céu imponente e suave. Levanto as horas sutis No descompasso da minha quimera. Ouço tranquilo o som que badala Com o teu silencioso afastamento de mármore. Tudo polido...  Palavras e gestos, Sigo tranquilo,  sem amor em anexo, Mantendo os passos suaves nas ruas E palavras- retalhos multi versos...

Mãe

Cansaço a define. O tempo atravessa sobre o dia ligeiro. Tem a mente ocupada Com as dores dos filhos. Olhos profundos de fadiga, Repleta de amor no seu dia a dia. Ouve as dores de todos que cria. Chora em silêncio quando a vida tropeça. Ama os filhos - sem medo de nada Além do imprevisível futuro. Ouve as mágoas dos filhos errantes. Guarda as palavras que lhe são dirigidas Nos insanos momentos de ira dos filhos.

Incisão

Viajam no tempo as formas fluídas Do mês de abril que corre cansado. Vagueia o silêncio de imponderáveis lembranças Quando tudo o que busco é a calma constante. Arcas jogadas ladeiras abaixo Quase não deixam memórias gravadas. Ecoam o fim do que nunca existiu, Clamam sozinhas por um recomeço. Migra o desespero frente ao passado De incríveis palavras - já desgastadas. E quando as horas triunfam serenas, Escrevo um poema - que fale - de amor.

Encanto

Passo horas a fio Namorando com o olhar a tua fronte, Distraída,  distante, Mais perto talvez dum outro horizonte... Sigo com o olhar teus contornos sutis. Rosas de amor nada dizem Quando vejo tuas formas bem feitas No mistério da carne que incita. Perco horas a fio Sem saber a razão de todo esse encanto. Procuro sinais nesse meu coração Que traduzam a certeza Dessa paixão contida Em palavras e gestos simples, Como rosas brancas em um dia anil.

Balaio de Sensações

O mistério no silêncio do dia Guardei nos meus gestos extremos. Basta a calmaria fazer frente Às sinceras mágoas que vivo; O caminho por si se refaz, E desfaz meu temor mais profundo. Deixo as horas do meu desencontro E mantenho meu passo seguro. Vigiando atento os lados, E buscando um modo obscuro, Corro atrás de suaves lembranças, Um recanto de doces histórias, Guardo o fio do amor perdido Na nulidade do espaço, Inconstante laço do que nunca me pertenceu.

Quadro do Centro

O medo assusta as pessoas. A beleza do lugar atrai o silêncio. As horas correm, vorazes. O Centro segue a vida,  nos seus diversos ritmos. O homem catando lixo. A criança pedindo moedas. A mulher sentada frente ao banco. Os transeuntes caminham indiferentes. Passos que seguem, vidas no chão. Venceu o amor o desprezo sem par. Fica distante a conquista do pão. Qual novo mundo se quer construir, Quando os olhos fogem do que temos aqui? Os passos seguem, céleres e tranquilos. Levam bem guardados o dízimo das igrejas, Que distantes estão do povo sofrido, Pobre, oprimido, sem apoio nem chão. 

Domingo

Me disseram um dia Que o amor era decisão. Essa frase guardei, Mas confesso- deixei Numa velha cômoda Como quem deseja esquecer Um velho porta retrato. A saudade arquivada e contida Veio à tona em tons vermelhos, Dominou o caminho que trilhei E me trouxe de volta ao teu amor, O qual era refém do medo De romper com velhas histórias Que nunca me deram paz.