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Uma carta de Amor

O dia partiu mais tranquilo Quando as nuvens tocaram o mar. E o céu no horizonte azul Se fez rosa como o amor ideal. As ondas divagam em meio à maresia. A noite sutil caminha serena. Os passos diversos da multidão Impedem o silêncio no qual me deixo estar. Caminham suavemente formas alvas Que de relance - vem de encontro ao meu silêncio, E sai confusa,  na sua diafana dúvida Sobre esse amor recortado e doido que guardei. Não espero que um dia Você chegue e diga- que o recomeço Se faz abandonando o passado, Esse véu impuro de torpes mágoas, Ou que devo seguir ao teu lado, Erguer um futuro ao presente obscuro E ao passado de dor... Andei nas calçadas, olhei os casais nas praças desertas, Senti mil perfumes, vaguei pelas ruas. Mas nada seduz mais que o abraço Sincero,  marcado,  sentido, sonhado Em cartas de amor. São Luís, 24 de julho de 2018.

Essa Noite

A rua serena Na velha rotina Dos passos que vão e vem, Engata palavras,  avoluma sussurros, Assusta desatentos ouvidos Na noite singela e monótona De um linear e silencioso bairro. Espero a chuva cair... Mas sei que o tempo engana, E a noite sem estrelas ou luar Nada fala, atenta ao seu ofício, Num infinito ciclo de constantes recomeços. Embalado na rede Permito-me deixar o vento da noite Adentrar com o seu frio ligeiro, Enquanto transformo pensamentos Em palavras bruscas e tortas. Não bastam flores ou cartas, Se o silêncio é a regra, Quando as palavras são farsas E o coração - de pedra.