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Medos e medições

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O vento da primavera Seco, certeiro, direto Afasta - na tarde vazia Os passos dispersos da multidão. Flores caem como mágoas diversas ao chão; São deixadas ao léu - como amores largados, Brilham e ressecam sob a luz do sol, Murcham em meio ao dia azul. As horas vazias de silêncio Na contemplação da beira mar. Afastam o silêncio inoportuno, Reconstroem a solidão contemplativa Com o medo de sofrer no intenso, delicado e incerto tempo.

Anágua

Formas retangulares. O espaço fechado. O ar controlado. As horas lentas. E pernas cansadas. Sono em frente ao computador. Sempre em frente caminho, Sem medo do teu espectro. Meço os passos do desencanto, Deixo o dia passar lento e calmo. Olhos diversos em distintas direções. Os teus surgem como lua esquecida Nos meus sonhos inversos Ou nas taciturnas contemplações Da noite longa, limpa e fria. Teu olhar enigmático não surpreende O meu coração conhecedor desses caminhos. Vaga o tempo, mas não as lembranças, Enquanto sigo - sincero e tranquilo.

O Grito

Navego em palavras distopicas Em meio à chuva imperosa Que confronta as pedras de cantaria Enquanto sigo o tempo No dia cheio e impalpável. Não busco a noite impura, Enquanto sonhos marcados Desfazem velhas fissuras De olhares tortos e embriagados. Socorrem as horas de desalento A poesia em brisa refeita Enquanto murcham as dores do não ser, E enfrento a metafísica do tempo/espaço, Falando das dores que tive - e recriei. Chora o distante sussurro do dia. Gritam as horas de sonho e liberdade, Vejo o rebelde clamor de alegria, Compondo o panorama da noite na cidade. Encaro as ruas - velhas amigas... Desço a ladeira, ergo a cabeça, Encaro o futuro que desconheço, Rompendo com o medo - sem saber voar.

Mãe

Cansaço a define. O tempo atravessa sobre o dia ligeiro. Tem a mente ocupada Com as dores dos filhos. Olhos profundos de fadiga, Repleta de amor no seu dia a dia. Ouve as dores de todos que cria. Chora em silêncio quando a vida tropeça. Ama os filhos - sem medo de nada Além do imprevisível futuro. Ouve as mágoas dos filhos errantes. Guarda as palavras que lhe são dirigidas Nos insanos momentos de ira dos filhos.

Olhos na Chuva

Um passo de cada vez Em meio à chuva intensa. Os olhos miram o chão Na noite espaçada e fria. Os olhos buscam o espelho Pros versos então oprimidos Lançarem à luz seus segredos, Deixando seu medo esquecido. O silêncio na noite chuvosa Traz ao clima o frio mais puro. Os minutos passam, As palavras se entrelaçam Num horizonte qualquer De incertezas internas.

Quadro do Centro

O medo assusta as pessoas. A beleza do lugar atrai o silêncio. As horas correm, vorazes. O Centro segue a vida,  nos seus diversos ritmos. O homem catando lixo. A criança pedindo moedas. A mulher sentada frente ao banco. Os transeuntes caminham indiferentes. Passos que seguem, vidas no chão. Venceu o amor o desprezo sem par. Fica distante a conquista do pão. Qual novo mundo se quer construir, Quando os olhos fogem do que temos aqui? Os passos seguem, céleres e tranquilos. Levam bem guardados o dízimo das igrejas, Que distantes estão do povo sofrido, Pobre, oprimido, sem apoio nem chão. 

Sereno Caos

O caos na cidade esquecida Empurra os meus passos em direção ao retiro. Sigo com os pés cansados e sós, Fazendo silêncio em meio ao tumulto. As horas voaram, corrompidas pelo vento, Amigo constante do tempo incapaz. Não compreendo nos meus gestos calmos O antídoto do medo nessa noite vazia. Sem lua, pressa,  chuva ou caminho, Sentado no banco duma velha praça, Perco a certeza do instante E me permito mergulhar numa calma intransigente. São Luís,  16 de março de 2018.

O Erro

Caberá ao medo do passado A certeza do mais sincero sorriso... Corri tanto, e já não sei Se tudo isso valeu a pena. Não que devesse ficar. Jamais poderia fazê-lo. Mas pergunto, afinal, Se não fui infiel a mim. As horas correm Cheias de lembranças simples e contraditórias. O silêncio que faço Evoca o impossível perdido. Foi real algum dia? Ou quem sabe, ainda não deixou de ser? Todos os versos nada dizem Quando a contradição impera. Estou te deixando viver em mim, E isso assusta Pois em meio aos acertos Meu grande erro foi não me permitir esquecer.

Andarilhos

Passos serenos na rua deserta. Caminhamos lado a lado na noite escura. A lua oculta não quis dar o tom Das horas ocultas e vivas Que adentram a madrugada. Vagas surpresas no improvável caminho Trouxeram o medo que estava escondido E trouxeram o mistério do infortúnio De não saber quando o sonho é real. Mas essa noite escura E sem luar teve emoções Pequenas e graves, Quando crianças correram na pista Enfrentando juntas as incertezas do amanhã. São Luís,  5 de março de 2018.

A Torrente

A chuva lava as mágoas Que um dia deixei na janela, Quando não havia alternativa E o sol passeava ligeiro. As horas do fim da manhã Em que a chuva se faz mais forte, Entorpecem os medos de outrora, Consolidam caminhos nas nuvens. Distraem do acaso e das palavras Que fogem como mãos passageiras. É o mês que começa cinzento Como o lodo no mangue, E traz no simples horizonte O concreto momento com abstratos sentidos.

Labirinto

O dia nasceu inclemente, Como o olhar perscrutador Da moça pura com sono. Mantenho distância do teu olhar, Quando teu medo atravessa a minha retina, E percebo que não devo correr Quando o silêncio fala mais que as (in)certezas proferidas. Busco encontrar a raiz De todo esse labirinto, Prova da minha afeição Pura, real e sincera, Lapidada numa pedra qualquer Em um caminho singelo e nebuloso.

Domingo

Me disseram um dia Que o amor era decisão. Essa frase guardei, Mas confesso- deixei Numa velha cômoda Como quem deseja esquecer Um velho porta retrato. A saudade arquivada e contida Veio à tona em tons vermelhos, Dominou o caminho que trilhei E me trouxe de volta ao teu amor, O qual era refém do medo De romper com velhas histórias Que nunca me deram paz.