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Noturna a Mais

  Tudo basta Ou basta o incenso Para que me purifique De velhos fantasmas De sonhos vãos?   É noite adentro Da própria noite... Silencio Gatos na rua. E só – sem sono Noto o tempo Comprido e vazio.   Estranho estado. Susto – rigidez simbolista? Pessimismo de Belazarte Ou mente de Pierrot.   É desastroso esse medo. Trôpego, refazendo passos. Avanço sem tempos marcados Caminhos que não percebi.   Noite adentro Cético, frenético Distante das Flores do mal , Sintético – quem sabe, patético Caminho inseguro No tempo que vem.

Ploc

Chove Enquanto a noite descortina O silencio Que geralmente não percebemos Ao morar na avenida Motos, gente Toda madrugada.   Chove Como choram Pessoas sem direitos Sem terra, sem casa Há muito sem vida real E mesmo assim – de pé...   Chove Enquanto fingimos Não ter medo Daquilo que ainda não sabemos.   Chove Enquanto sonsos sorrisos Medos absurdos Para gente grande e livre Vem à tona e assustam Passeiam pela mente   Chove E as horas caminham Como risos sarcásticos. Lá fora a noite plena De silencio Chuva e frio...  

Um Quadro

As ruas quase desertas. Pessoas correndo: fogem? É escuro, e a chuva ameaça Quem caminha longe de casa. É noite. Fico à espreita Do medo que desabrocha, Enquanto encontro os pingos de chuva Que não assustam meu jeito incerto e anestesiado.

O Hoje

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O dia se conecta à luz renascida. A noite se esconde com a lua em relance. O cansaço da insônia turva a visão E o dia adentra solitário e lento. As fugazes idéias de alguma chegada São apenas pensamentos que voam ao longe, Distantes e sonsos, como palavras ao vento Ou velhos sintomas de sonhos imaturos. Navega o tempo à procura dum caminho, Impõe ao silêncio a ação e o mistério, E esconde nas corridas do vento Recados que a boca não fala, Sorrisos e mágoas sufocados, Reféns das palavras não ditas E dos gestos nunca vistos...

Palavras distantes e dispersas

A noite trafega em silêncio e luz. O tempo contempla o espaço inconstante, E afeta a distância das palavras não ditas. Recito palavras distantes da fantasia Dos amores ideais que larguei Ao longo da estrada incerta e esquecida... As palavras na noite distante e opaca Recitam fantasias na estrada esquecida De um novo amor que pode surgir Em meio ao tempo e o silêncio não dito.

Som e Silêncio

O sol se escondeu suave, ligeiro. O vento frio, forte Atravessa as pessoas indiferentes, E afronta a minha solidão, Construída em silêncio e contemplação. Adentra a noite fria, leve e suave. Deixo o vento passar, Transportando idéias, montando retalhos, Olhando sereno o horizonte infinito. Hoje o mar se impõe E caminho a sós com a melancolia. Sons de violões, serenos, sinceros, Transpõem o silêncio, assustam, agridem Um coração apaixonado nessa noite solitária e fria.

Catirina

A mesa e a comida. O cuidado e as palavras. O vento agreste, sutil e lento, Sussurra ao silêncio - inefáveis mistérios. A moça exausta - de nome Catirina De pele negra e vibrante Atende - solicita - à fome imaginada. Afaga em palavras, rompe o manto. Esqueço seu modo intrigante e obscuro. Eu vejo a rua deserta e fria, Na noite sombria de vento sutil. Contemplo o silêncio, enquanto - sereno Percebo teus olhos tão mansos e intensos... Que criam ondas brilhantes Em sonhos diversos No tempo confuso Das horas incertas Dessas noites sem lâmpadas, lanternas, querosene ou luar. Sutil Catirina, tão meiga menina Teus olhos - minha sina, Seus gestos - encantam Os meus que há muito Observam o silêncio Das ruas e sombras, Das flores e sons, Na noite larga e fria...

Ao Léu

Ao léu joguei os vestígios de amor, Procurando o espelho dos sonhos Que destoam dos velhos tempos, Quando um sorriso bastava para o ano inteiro. Se o sol brilha tanto, E eu - agora - me escondo, Caberia ao tempo refazer os caminhos? Sigo as horas vazias, e a noite voraz; Ouço vozes das ruas, Vento correndo, mundo sem fim. Meu amor se perdeu Nas palavras sinceras, Foi o fim das quimeras Dessas noites mal dormidas Que ainda me afligem Enquanto sussurro ao silêncio O receio de um novo horizonte.

Trivialidades

Os livros na estante. A parede concreta e fria. A luz sob o telhado. O tempo contra o embalo. A mesa velha e cansada. O piso antigo e desbotado. Muriçocas seguem inquietas Seus caminhos de solidão. Balanço a rede estridente, Suada de sutis embalos, Enquanto a alma - inocente, Reclama o amor que acalma Pela vida serena e ardente Os dias de ventos suaves E noites de intensos mistérios.

Uma carta de Amor

O dia partiu mais tranquilo Quando as nuvens tocaram o mar. E o céu no horizonte azul Se fez rosa como o amor ideal. As ondas divagam em meio à maresia. A noite sutil caminha serena. Os passos diversos da multidão Impedem o silêncio no qual me deixo estar. Caminham suavemente formas alvas Que de relance - vem de encontro ao meu silêncio, E sai confusa,  na sua diafana dúvida Sobre esse amor recortado e doido que guardei. Não espero que um dia Você chegue e diga- que o recomeço Se faz abandonando o passado, Esse véu impuro de torpes mágoas, Ou que devo seguir ao teu lado, Erguer um futuro ao presente obscuro E ao passado de dor... Andei nas calçadas, olhei os casais nas praças desertas, Senti mil perfumes, vaguei pelas ruas. Mas nada seduz mais que o abraço Sincero,  marcado,  sentido, sonhado Em cartas de amor. São Luís, 24 de julho de 2018.

Essa Noite

A rua serena Na velha rotina Dos passos que vão e vem, Engata palavras,  avoluma sussurros, Assusta desatentos ouvidos Na noite singela e monótona De um linear e silencioso bairro. Espero a chuva cair... Mas sei que o tempo engana, E a noite sem estrelas ou luar Nada fala, atenta ao seu ofício, Num infinito ciclo de constantes recomeços. Embalado na rede Permito-me deixar o vento da noite Adentrar com o seu frio ligeiro, Enquanto transformo pensamentos Em palavras bruscas e tortas. Não bastam flores ou cartas, Se o silêncio é a regra, Quando as palavras são farsas E o coração - de pedra.

O Grito

Navego em palavras distopicas Em meio à chuva imperosa Que confronta as pedras de cantaria Enquanto sigo o tempo No dia cheio e impalpável. Não busco a noite impura, Enquanto sonhos marcados Desfazem velhas fissuras De olhares tortos e embriagados. Socorrem as horas de desalento A poesia em brisa refeita Enquanto murcham as dores do não ser, E enfrento a metafísica do tempo/espaço, Falando das dores que tive - e recriei. Chora o distante sussurro do dia. Gritam as horas de sonho e liberdade, Vejo o rebelde clamor de alegria, Compondo o panorama da noite na cidade. Encaro as ruas - velhas amigas... Desço a ladeira, ergo a cabeça, Encaro o futuro que desconheço, Rompendo com o medo - sem saber voar.

Passos, tempo e espaço

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O descompasso do relógio Deu ao dia um ritmo abstrato. Cronometrados passos no tempo e espaço. Escassa atenção aos rastros passados. Não tive medo do tempo veloz. Ouço o som do vento sussurrante. Noto no escuro o embaraço da noite, Sincera amiga do calmo silêncio. Noto o relógio,  descompassado No seu ritmo certo e simples. Vejo a luz do poste distante De todas as certezas que o tempo apresenta. Nada corre... Nem as pernas cansadas Do contato com as pedras de cantaria Nos dias de chuva e calor, Acostumadas ao ritmo dos dias.

Fim de Noite

A madrugada solta e serena Não machuca os pés cansados Nem as expectativas murchas. Corro em silêncio no escuro E vejo o céu transitivo Buscando o raio mais puro, Pro dia mais instintivo. Tento seguir sem o cansaço. Vou tropeçando no escuro... Reconhecendo o espaço, Descubro o que procuro. A noite segue sozinha rumo ao oriente distante, Enquanto mantenho o olhar fixo Na sóbria contemplação do distante azul no horizonte.

Olhos na Chuva

Um passo de cada vez Em meio à chuva intensa. Os olhos miram o chão Na noite espaçada e fria. Os olhos buscam o espelho Pros versos então oprimidos Lançarem à luz seus segredos, Deixando seu medo esquecido. O silêncio na noite chuvosa Traz ao clima o frio mais puro. Os minutos passam, As palavras se entrelaçam Num horizonte qualquer De incertezas internas.

Sereno Caos

O caos na cidade esquecida Empurra os meus passos em direção ao retiro. Sigo com os pés cansados e sós, Fazendo silêncio em meio ao tumulto. As horas voaram, corrompidas pelo vento, Amigo constante do tempo incapaz. Não compreendo nos meus gestos calmos O antídoto do medo nessa noite vazia. Sem lua, pressa,  chuva ou caminho, Sentado no banco duma velha praça, Perco a certeza do instante E me permito mergulhar numa calma intransigente. São Luís,  16 de março de 2018.

Respostas(?)

A noite guardou a incerteza No recanto mais calmo da alma. As horas da noite oscilam o seu ritmo Enquanto o tempo caminha impassível. Os arranjos que fiz ao olhar para trás, Todos foram em algum dia um momento feliz... Meu silêncio caminha onde os sonhos não foram, E permeia meus gestos discretos e exatos. Se as palavras não trazem a certeza devida, Deixo a lei do silêncio imperar no percalço Da tua pele macia e morena que vibra Como a noite mais bela com os seus densos cachos.

O gato

O gato pula na noite escura. A casa fechada, sala vazia. O silêncio transborda em meio à corrida. O gato corre na sala vazia. Porta fechada, noite escura. O silêncio pula na noite corrida. O gato escuro transborda a noite. A sala fechada, o silêncio vazio. A casa estática em meio à corrida.

Ritmo Distante

O silêncio do dia Guardou controversos motivos. As palavras não bastam Quando os gestos acusam incerteza. Leigos caminhos buscam o mistério De tudo o que guardamos Em nossa reclusão... O tempo passa incólume Sobre as palavras ocultas No meu olhar retraído. Esta noite a lua reclusa Veio à tona com a certeza Da espera paciente dessa oculta Inconstância do olhar que provoca E segue distante dos passos e abraços meus.

Andarilhos

Passos serenos na rua deserta. Caminhamos lado a lado na noite escura. A lua oculta não quis dar o tom Das horas ocultas e vivas Que adentram a madrugada. Vagas surpresas no improvável caminho Trouxeram o medo que estava escondido E trouxeram o mistério do infortúnio De não saber quando o sonho é real. Mas essa noite escura E sem luar teve emoções Pequenas e graves, Quando crianças correram na pista Enfrentando juntas as incertezas do amanhã. São Luís,  5 de março de 2018.