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O mar desafoga, manso e presente, Às dezoito horas, quando o dia se esconde da gente. O vento sopra sem medo ou inconstância. Deixo ele tocar o meu corpo, Transpiro sensações e medos Ao longo desse toque. As idéias se cruzam, as palavras também. As certezas se calam, e contemplam A passagem do tempo, Inflexível contendor de emoções E sentimentos. Onde está a musa que encanta com os olhos vivos, Que se afasta com palavras, Mas acompanha o cotidiano? Não o sei, mas evito infortúnios De fazê-la cansar Com subjetivas palavras E mais ainda - os gestos. Não há flor ou espinho Que me faça compreender Onde ela entrou no caminho Da minha história de curvas, Se numa noite em silêncio Ou no meio da multidão. Só importa o quanto ela assombra O tempo e modula a história Com sua força e coragem, Transformando o destino, E escrevendo no mundo Ainda só - e indi...

Mulher

Trabalha todos os dias, Sem demonstrar cansaço. Procura um espaço pra chamar de seu, Enfrenta o mormaço enquanto pega a condução. Cuida dos filhos, com carinho e amor. Logo se vê que ela é imbatível... Insuperavelmente real, corre contra o tempo E enfrenta o (quase) incorrigível machismo. Ergue os olhos, mas não percebe o dia, Oprimida pelo cotidiano. Persegue o tempo pra sobreviver, Busca crescer, viver, lutar. Tem compromisso quando se coloca... Sabe se impor quando não quer. O que, afinal, resta a nós, quando a vemos? Resta a certeza de que sem ela, Nada é certo, quando os incertos caminhos  Nos puxam, como garrafas jogadas ao mar, Sem rumo, distantes de qualquer horizonte...

À sombra

Quando o sol se esconde E dá lugar às nuvens no céu, O vento caminha tranquilo Sobre a copa de árvores imponentes. A chuva entrou numa trégua E as horas passaram ligeiro, Rompendo a monotonia do silêncio Com doces sorrisos sinceros. Esquecidos no tempo e espaço, Guardados na música calma e esquecida, Deixamos as horas correrem, Até que o cotidiano tolheu enfim O nosso encontro.