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Tempos de Concretude

  Tempos Que correm Se espraiam Se desentranham da pele E se desfazem Voam como a eternidade Do não saber Frente a dúvida O que fazer Como caminhar.   Brigam na rua. Pra que E por quem Não se sabe. Talvez não importe.   O silencio na casa Precaução nos caminhos São os dias que correm Eu olhando sozinho Aquele velho céu Sabendo que nada ali É tão místico Quanto sonhar...

As Ruas e as Gentes

As ruas cheias de gente com fome... Gente correndo, gente sem tempo, Gente sem olhar pra gente, Gente cansada e descontente. As ruas cheias de sonhos. Mulheres humilhadas e sofridas, Homens negros vendendo bugigangas; O assédio, racismo, a humilhação. As ruas cheias de carros... Carros com gente Com tão pouco dinheiro, E mais gente Com tanto capital Que se faz ausente do contato com os outros, Competente ladrão de sonhos e desejos, Alimenta os mais vis sentimentos Nas ruas, Em casa, donos do mundo que são Ou pretendem Com todo o seu poder Que encaminha o futuro em direção ao nada, Abismo de não ser o que um dia existiu.

Mais um Dia

Os galos ansiosos Aceleram a chegada do dia, Enquanto - no quarto Murmuro palavras ao meu passado. O tempo,  afinal, corre fugaz. As horas de sonho se esvaem. Os olhos calmos e silenciosos Sussurram ao vento diversos lamentos, Enquanto a brisa fria das ruas Invade um recinto de poeta.

Panorama Geral

As ruas do Centro Vazias e belas Na sutil manhã De sonhos e lutas Expõem ao tempo as misérias abertas. Nas ruas em que andam Pessoas sorrindo, floridas de encanto Tenho o desengano - ao ver A tristeza no chão estampada. Um homem como fome, Sem sonhos ou amigos, Rasgando sacolas - e o tempo da espera, Comia lixo - um final de quimera. Comia aflito,  sem presente ou futuro, Distante e fraco,  encardido e esquecido... Alheio ao desprezo,  tem fome e tristeza, Rastejando no frio das pedras de cantaria, Que encantam quem não vê Com os olhos bem abertos A miséria que somos Enquanto ficamos distantes De todos os que sofrem calados.

Andarilhos

Passos serenos na rua deserta. Caminhamos lado a lado na noite escura. A lua oculta não quis dar o tom Das horas ocultas e vivas Que adentram a madrugada. Vagas surpresas no improvável caminho Trouxeram o medo que estava escondido E trouxeram o mistério do infortúnio De não saber quando o sonho é real. Mas essa noite escura E sem luar teve emoções Pequenas e graves, Quando crianças correram na pista Enfrentando juntas as incertezas do amanhã. São Luís,  5 de março de 2018.