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Ninguém solta o quê?

"Ninguém solta a mão de ninguém." Na prática, ninguém sequer encostou uma na outra.  Todos procuram se promover, Buscando respostas simples Frente à Hidra, que só cresce... Não é desmerecendo o  outro Que encontraremos o caminho. Nossos inimigos riem da gente. Comemoram as fraturas, Apoiam em silêncio a divisão. Os negros, mulheres e índios. Gays, lésbicas, bis e trans Também sofrem neste país. Pessoas pobres, com parcos salários, Convivendo com a miséria e o caos Morrem aos montes todos os dias. O que impede a unidade, afinal? A incapacidade de respeitar o outro Ou de baixar a guarda e ver Que ele é tão importante quanto eu? De sentir o que ele sente, dialogar, perceber... O sistema se alimenta da dispersão automática Que intelectuais e lideres iluminados Promovem em conluio com as mídias Jurando lutar por uma causa, Mas posando de heróis...

O Ano

O ano foi cheio de flores... De dor, luta, amor e esperança. O ano foi suave - como um cacto pequeno. Ano de sonhos, fadiga, recato... O ano passou como um dia. Ainda ontem, tinha rosas nas mãos. Hoje, a consciência tranquila Depois de escolhas certas. A gente se esquece de olhar o outro: Seus sonhos, desejos, em casa, rua, trabalho ou lazer; Vemos a fome, a nudez, a pobreza: De carinho, respeito, do estar presente e ser irmão. De resto, tudo passa. E o que sobra no final das contas, Além de histórias inesquecíveis ou rotinas a serem esquecidas?

O olhar

O tempo se comporta calmo e são. O dia nasce limpo, seco, mas suave. O vento afaga num terno abraço. A vida caminha com poucos receios. Quem sabe as palavras assomem Numa manhã, de repente... E o mundo acorde tranquilo ou indiferente ao caos. Ou seria o olhar de quem vive? Transbordando de encanto e palavras, Recheando de amor as ruas antigas Com o olhar humilde e constante, Buscando o horizonte dos versos que vem.

Catirina (Poema 2)

Solto as amarras de antigas promessas e sonhos. Sigo a linha do horizonte e busco Palavras que descrevam meu medo descontínuo. Do cacto nasceu a flor Que na primavera surpreendeu. Abriu um sorriso e revelou O que meu coração nunca percebeu. Com um vago receio me pergunto Se a flor de cacto corresponde Ao impulso que tenho a cada olhar, À força das palavras sinceras, À paixão que nasce devagar, Ao silêncio inequívoco e eficaz. Restam dúvidas enquanto o dia nasce, A solidão repele E meu sentimento, incerto e insensato, Enfrenta tempo e espaço, E sonha com o que ainda não aconteceu.

Anágua

Formas retangulares. O espaço fechado. O ar controlado. As horas lentas. E pernas cansadas. Sono em frente ao computador. Sempre em frente caminho, Sem medo do teu espectro. Meço os passos do desencanto, Deixo o dia passar lento e calmo. Olhos diversos em distintas direções. Os teus surgem como lua esquecida Nos meus sonhos inversos Ou nas taciturnas contemplações Da noite longa, limpa e fria. Teu olhar enigmático não surpreende O meu coração conhecedor desses caminhos. Vaga o tempo, mas não as lembranças, Enquanto sigo - sincero e tranquilo.

As Luzes e Sons

As luzes e vozes. Tons claros de festa Rutilam na terça feira. Os olhos cansados E as mãos desgastadas Arrefecem em torpor, Vendo as saias que rodam, Os sorrisos alegres, O ritmo certo e enxuto Que sai dos tambores azuis. E nas mesas muitas cervejas, E no meu olhar - certezas; E nos ruídos - correntes de uma noite senil. E nas canções tristeza, Enquanto sonhos diversos Socorrem os versos Desse tempo largado - de luzes e sons.

Fim de Noite

A madrugada solta e serena Não machuca os pés cansados Nem as expectativas murchas. Corro em silêncio no escuro E vejo o céu transitivo Buscando o raio mais puro, Pro dia mais instintivo. Tento seguir sem o cansaço. Vou tropeçando no escuro... Reconhecendo o espaço, Descubro o que procuro. A noite segue sozinha rumo ao oriente distante, Enquanto mantenho o olhar fixo Na sóbria contemplação do distante azul no horizonte.

Encanto

Passo horas a fio Namorando com o olhar a tua fronte, Distraída,  distante, Mais perto talvez dum outro horizonte... Sigo com o olhar teus contornos sutis. Rosas de amor nada dizem Quando vejo tuas formas bem feitas No mistério da carne que incita. Perco horas a fio Sem saber a razão de todo esse encanto. Procuro sinais nesse meu coração Que traduzam a certeza Dessa paixão contida Em palavras e gestos simples, Como rosas brancas em um dia anil.

A Saia

A longa saia balança com o vento. Tão cheia de graça, Mostra as suas pernas morenas e grossas, Símbolos da perfeição e do encanto Em que vivo... Voa a saia que gira com a força do vento Fazendo o vento rodar nas tuas pernas. Guardo no olhar o encanto Da percepção contida De tua forma querida Nos sonhos mais improváveis. Voa a saia que roda Da moça cheia de encantos, A dona do meu olhar incontido. A forma mais querida Dos meus improváveis sonhos.

Isabela

Explosão de vida - é assim que a vejo. Caminha com pressa,  mas sempre sorrindo. Corre contra o tempo, sem esbravejar. Teu sorriso sereno e simples,  verdadeiro Tem um jeito certeiro de encantar. O que esconde,  como decifro o enigma Desse olhar tão doce e intransponível? Não posso descobrir - já o sei, Mas sigo guardando tua meiga imagem, Sutil miragem nesses dias turbulentos.

Adriana

A musa impassível Se mantém sempre distante. Distraída,  um pouco impaciente, Corre contra o tempo inclemente, Pouco percebe o horizonte. A moça da vida real. Sincera, amiga, confia no olhar. Segue tranquila o ritmo dos dias... Caminhando sozinha,  distante de utopias, Se mantém serena, com o olhar distante, Absorto em lembranças - quem sabe do mar. Adriana - é como se chama. Segue impassível, distante, distraída. Caminha sozinha contra o tempo inclemente Com seu olhar distante,  carente de utopias.

Ritmo Distante

O silêncio do dia Guardou controversos motivos. As palavras não bastam Quando os gestos acusam incerteza. Leigos caminhos buscam o mistério De tudo o que guardamos Em nossa reclusão... O tempo passa incólume Sobre as palavras ocultas No meu olhar retraído. Esta noite a lua reclusa Veio à tona com a certeza Da espera paciente dessa oculta Inconstância do olhar que provoca E segue distante dos passos e abraços meus.

Nerudismo

Hoje a distância impera Enquanto as horas passam E a saudade do teu cabelo cacheado Dita o ritmo do dia inclemente. Sinto falta do sorriso sincero Que entrega e esconde segredos Enquanto admiro, estático, A sutileza dos teus traços. Os teus lábios sugerem Caminhos que ainda não percorri, E me fazem refletir Sobre o mistério das tuas palavras. Distante temor ronda o meu caminho, Enquanto sigo um rumo incerto Nesse labirinto inconstante, Espelho confuso e distante Ao qual chamo vulgarmente - olhar.

Labirinto

O dia nasceu inclemente, Como o olhar perscrutador Da moça pura com sono. Mantenho distância do teu olhar, Quando teu medo atravessa a minha retina, E percebo que não devo correr Quando o silêncio fala mais que as (in)certezas proferidas. Busco encontrar a raiz De todo esse labirinto, Prova da minha afeição Pura, real e sincera, Lapidada numa pedra qualquer Em um caminho singelo e nebuloso.

Fascínio

A bem da verdade, Percorro distâncias com o olhar Em busca de ideias que abriguem O desejo de percorrer este caminho Com as nossas mãos entrelaçadas. Não tenho medo do teu olhar que provoca Como se fosse capaz de fazer algum mal, Mas simplesmente emana o medo da certeza Quando fixo os meus olhos em tua doce fronte. Misto de vergonha, confiança e bom humor, Teu sorriso preenche os espaços do dia E torna serenos meus anseios cansados. Confio em suas palavras... Mas tenho cautela,  Pois a vida é inconstante Como os longos devaneios meus.