Postagens

Marasmo

 Meu olhar é um farol sem direção Quando te vejo por mim passar... Voam as horas de um silêncio indiferente E calculado, que navega no cansaço da desesperança Diante da ausência de um olhar sincero. Me calei, e não me assusta Que nossa amizade esfrie. Não me dói tanto Não ter em meus braços O teu abraço, Mas flui dolorosamente A ausência de uma conexão, Teu olhar incômodo e incomodado, As saídas rápidas e precisas, As palavras curtas e escassas. E se já não dói tanto esse marasmo, (Esse velho anfitrião desconhecido!) Ainda que eu sinta, Não me importa O quanto os dias possam ser neutros Pelo apagamento de sua conversa amiga.

Noite Tranquila

Refugiado em silêncio Dos perigos que rondam a rua deserta Fujo do barulho na noite indiscreta E me encontro em longas divagações. A noite fria Talvez seja mais quente Que minha solidão E faça mais sentido que o meu silêncio Que corre, grita e mesmo assim, segue sereno Como o arco-íris após a chuva. O tempo escorre como poesia... As horas me encontram quieto, Tentando compreender emoções e as palavras Que escondo por não ter a quem dizer. É assim, a noite segue tranquila.

Pai

Hoje é o dia de um dos dois heróis Que habitam desde sempre a minha vida. Cada um, a seu modo, Moldou em mim, o jeito, os medos, As vontades e os defeitos, E mesmo diferentes, Sempre fizeram sentido lado a lado. Meu pai, hoje mais velho Que naquele período, É meu herói desde pequeno - Sem capa, sem roupa estranha, Apenas um homem com sua bicicleta Sério, sacrificando o lazer, Fazendo contas para nada faltar, Correndo sempre, trabalhando muito. Sempre pensativo, às vezes distante. E mesmo assim, meu herói... A gente cresce, muda, e a maturidade Que percebemos nos pais na nossa infância Já não é tão estática ou certeira. E se isso assusta, ao mesmo tempo encanta. Meu pai, quase incansável  Hoje mais velho - já não se importa Em esconder sentimentos, em mostrar as fragilidades, E até por isso, mais que nunca, Ele e a minha mãe são os maiores heróis, De carne e osso, erros e acertos, Todos com propósito, Nenhum por desleixo Por capricho ou desamor, E por isso, qualquer homenagem nunca ...

Pai

Hoje é o dia de um dos dois heróis Que habitam desde sempre a minha vida. Cada um, a seu modo, Moldou em mim, o jeito, os medos, As vontades e os defeitos, E mesmo diferentes, Sempre fizeram sentido lado a lado. Meu pai, hoje mais velho, É meu herói desde pequeno - Sem capa, sem roupa estranha, Apenas um homem com sua bicicleta Sério, sacrificando o lazer, Fazendo contas para nada faltar, Correndo sempre, trabalhando muito. Sempre pensativo, às vezes distante. E mesmo assim, meu herói... A gente cresce, muda, e a maturidade Que percebemos nos pais na nossa infância Já não é tão estática ou certeira. E se isso assusta, ao mesmo tempo encanta. Meu pai, quase incansável  Hoje mais velho - já não se importa Em esconder sentimentos, em mostrar as fragilidades, E até por isso, mais que nunca, Ele e a minha mãe são os maiores heróis, De carne e osso, erros e acertos, Todos com propósito, Nenhum por desleixo Por capricho ou desamor, E por isso, qualquer homenagem nunca é suficiente Diante ...

Os Gatos

Imagem
Eles são inquietos e preguiçosos. Eles são intrépidos e macios. Desde a infância, sempre convivi com eles. E, de todos os animais, não há outros Com os quais mais me identifique. Mais que de gente, Me encantam os modos deles. Independentes, amigos, próximos, Verbalizam a presença amiga E tornam os dias mais alegres e intensos. Caminham suavemente, Como pequenos imperadores, Que vagamente lembram seus parentes maiores. São belos e chamativos E são os melhores amigos Para alguém bem solitário.

Ode para alguém

Não sei como me protejo Enquanto procuro um olhar teu. Meus olhos, cheios de desejo, Só ficam quietos quando num ponto Qualquer te encontram, e mesmo em silêncio Contemplam a beleza do teu jeito. Há tempos você disse não, E eu disse que te achava fofa, E que, nem poderia me iludir Ante a realidade imperativa. E sigo respeitando esses limites. Você não gosta de mim assim, e respeito esse fato. Mas às vezes, furtivamente, te percebo olhando inquieta Por tantas direções, e me calo. Não me firo com o seu jeito, Nem com seu modo atencioso e ao mesmo tempo  Distante de perguntar como estou e sumir  Em meio às mensagens do dia-a-dia. Mas sinto às vezes que poderíamos ser Mais que bons amigos que sorriem e em certos momentos se procuram, Como companheiros que costuram Uma história nova de lutas, sonhos e poesia.

Outro Olhar

Olhos em direção ao telhado. Nem tudo é simples, Mas um dia tudo fica claro. Por trás de paredes e silêncios, Habitam os medos que se envergonham de si mesmos E segue a noite envolta em mistérios, Serena e caótica na paz das horas ermas... É simples e sério  O olhar de espera O tempo que escorre E que a gente nem repara. É tolo o medo de sempre ter medo De buscar segredos demais. Às vezes, não há. A lua habita lá fora Num tempo de tantas histórias Enquanto aqui embalo a rede Porque não me importa tanto O barulho da cidade pulsando Enquanto o tempo noturno só pede calma E a tranquilidade indiferente do lar.

Dos dias Nebulosos

Imagem
Às vezes, os dias nos enganam. A calmaria do tempo inesperadamente frágil se abala. Mensagens estranhas, palavras cortadas, Desajustam e assustam a passagem do tempo, Transformam instantes em eternidades. E enfrentar tudo isso Na imensidão do invisível Ausente de todos, sem um bom amigo. Sem meias palavras ou frases inteiras, Os dias se passam sob fortes incertezas. Ninguém percebe o silêncio, A calma contida que grita, Ninguém se importa, ninguém habita No mundo do outro. Mas acha estranho a raiva contida, As decepções de pessoas esquecidas Por quem se diz amigo, confidente, conhecido, Mas que perdeu o melhor de sua humanidade, Porque não se importa com mais nada Além de uma efêmera imagem e - quem sabe - Um nome temporariamente reconhecido.

Metamorfose

É curioso como o dia corre, Como o tempo foge E como a noite se esvai Diante das horas calmas. Já fugi tanto de mim Que, hoje, quem me vê Não entende Os passos de minha metamorfose... Há muito, a intensidade dos passos, A vontade potente de amar, O desejo de ser notado Me fazia reverberar Uma identidade exposta De alguém sempre a buscar... Por amor, amizades, respostas, Por sorrisos e beijos à luz do luar... Mas o tempo e as nuances da vida, As situações pelas quais passei Me fizeram encontrar outros rumos, Abriram portas por onde andei... E me vi percebendo lacunas E por medo de mais fracassos no amor, desamei. E não quero mais saber de instantes Soltos e sem propósito, Que me roubem o tempo Em nome dum prazer que não edifica nada E não faz mais que querer.

O Não

Não me dói tanto o não. Eu sempre o espero, Ainda que vez ou outra O sim me ronde. Também não creio que o seu olhar Mudou em algum momento. Fui eu quem me apaixonei Pelo seu sorriso, seu jeito fofo e sério... Nenhum sinal mostrou o contrário. E mesmo assim, se escrevesse tudo o que penso  Num diário, As palavras acerca de você seriam longas. É certo que te idealizei em alguma medida, Mas se há algum sentido na vida, É não ter medo de sentir, Se perceber encantado por algo ou alguém, E mesmo que não saia do sonho, Perceber discretamente Que o sol brilha intensamente Como um sorriso leve e autêntico Em dias aleatórios  No inverno e no verão.