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Noturna a Mais

  Tudo basta Ou basta o incenso Para que me purifique De velhos fantasmas De sonhos vãos?   É noite adentro Da própria noite... Silencio Gatos na rua. E só – sem sono Noto o tempo Comprido e vazio.   Estranho estado. Susto – rigidez simbolista? Pessimismo de Belazarte Ou mente de Pierrot.   É desastroso esse medo. Trôpego, refazendo passos. Avanço sem tempos marcados Caminhos que não percebi.   Noite adentro Cético, frenético Distante das Flores do mal , Sintético – quem sabe, patético Caminho inseguro No tempo que vem.

Tempos de Concretude

  Tempos Que correm Se espraiam Se desentranham da pele E se desfazem Voam como a eternidade Do não saber Frente a dúvida O que fazer Como caminhar.   Brigam na rua. Pra que E por quem Não se sabe. Talvez não importe.   O silencio na casa Precaução nos caminhos São os dias que correm Eu olhando sozinho Aquele velho céu Sabendo que nada ali É tão místico Quanto sonhar...

O Hoje

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O dia se conecta à luz renascida. A noite se esconde com a lua em relance. O cansaço da insônia turva a visão E o dia adentra solitário e lento. As fugazes idéias de alguma chegada São apenas pensamentos que voam ao longe, Distantes e sonsos, como palavras ao vento Ou velhos sintomas de sonhos imaturos. Navega o tempo à procura dum caminho, Impõe ao silêncio a ação e o mistério, E esconde nas corridas do vento Recados que a boca não fala, Sorrisos e mágoas sufocados, Reféns das palavras não ditas E dos gestos nunca vistos...

Os fios do medo

O tempo trepidante Obscurece os caminhos. Esquece as horas tortas, Perfuma o absinto. Sigo sozinho há longo tempo, Sem luz ou trevas, mas só E tranquilo - deixando os sonhos Da torre seca, voando alto Sem asas ou balão. Hoje topei com o medo assombrado, A lua sem luar, canção sem ritmo, Sufoco seguido de sorrisos marcados, A velha ilusão desgastada e sutil. Socorro sozinho os passos vazios, Buscando no seguido caminhar A resposta dos sonhos E dos meus impropérios.

Balaio de Sensações

O mistério no silêncio do dia Guardei nos meus gestos extremos. Basta a calmaria fazer frente Às sinceras mágoas que vivo; O caminho por si se refaz, E desfaz meu temor mais profundo. Deixo as horas do meu desencontro E mantenho meu passo seguro. Vigiando atento os lados, E buscando um modo obscuro, Corro atrás de suaves lembranças, Um recanto de doces histórias, Guardo o fio do amor perdido Na nulidade do espaço, Inconstante laço do que nunca me pertenceu.

Sereno Caos

O caos na cidade esquecida Empurra os meus passos em direção ao retiro. Sigo com os pés cansados e sós, Fazendo silêncio em meio ao tumulto. As horas voaram, corrompidas pelo vento, Amigo constante do tempo incapaz. Não compreendo nos meus gestos calmos O antídoto do medo nessa noite vazia. Sem lua, pressa,  chuva ou caminho, Sentado no banco duma velha praça, Perco a certeza do instante E me permito mergulhar numa calma intransigente. São Luís,  16 de março de 2018.

Mulher

Trabalha todos os dias, Sem demonstrar cansaço. Procura um espaço pra chamar de seu, Enfrenta o mormaço enquanto pega a condução. Cuida dos filhos, com carinho e amor. Logo se vê que ela é imbatível... Insuperavelmente real, corre contra o tempo E enfrenta o (quase) incorrigível machismo. Ergue os olhos, mas não percebe o dia, Oprimida pelo cotidiano. Persegue o tempo pra sobreviver, Busca crescer, viver, lutar. Tem compromisso quando se coloca... Sabe se impor quando não quer. O que, afinal, resta a nós, quando a vemos? Resta a certeza de que sem ela, Nada é certo, quando os incertos caminhos  Nos puxam, como garrafas jogadas ao mar, Sem rumo, distantes de qualquer horizonte...

Questões

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Quanto vale o instante Quando o dia se abstém dele? Questiono, mas não sei O indecifrável caminho Do mais simples toque. O dia passa tranquilo Como criança a engatinhar. Tudo parece distante Quando o sonho está ausente. Mas nada sei, pois o dia Mantém o silêncio cativo. Quanto vale a certeza Daquilo que insisto ocultar Quando os olhos desmentem sozinhos Meu cinismo nada latente? Busco o calmo instante do dia Em que o sol se repõe no horizonte, E caminha rumo ao distante e inefável Mistério do ser.

Labirinto

O dia nasceu inclemente, Como o olhar perscrutador Da moça pura com sono. Mantenho distância do teu olhar, Quando teu medo atravessa a minha retina, E percebo que não devo correr Quando o silêncio fala mais que as (in)certezas proferidas. Busco encontrar a raiz De todo esse labirinto, Prova da minha afeição Pura, real e sincera, Lapidada numa pedra qualquer Em um caminho singelo e nebuloso.

Segunda de Chuva

Chove sobre a cidade, Que está nua sob a fonte Distante da pálida calma cotidiana. O azul do céu ficou violeta, Quando ao invés da lua A água em tudo ficou visível. Percebo meus passos encharcados Neste caminho,  já conhecido Que guarda segredos amedrontados Num banco de praça adormecido. Meço as distâncias que ainda não percorri, E percebo que tudo está por escrever, Enquanto o mistério segue o caminho lado a lado comigo, Com o imutável propósito de ter um abrigo Nessa incessante busca de um recomeço.