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Mostrando postagens de março, 2018

Fim de Noite

A madrugada solta e serena Não machuca os pés cansados Nem as expectativas murchas. Corro em silêncio no escuro E vejo o céu transitivo Buscando o raio mais puro, Pro dia mais instintivo. Tento seguir sem o cansaço. Vou tropeçando no escuro... Reconhecendo o espaço, Descubro o que procuro. A noite segue sozinha rumo ao oriente distante, Enquanto mantenho o olhar fixo Na sóbria contemplação do distante azul no horizonte.

Olhos na Chuva

Um passo de cada vez Em meio à chuva intensa. Os olhos miram o chão Na noite espaçada e fria. Os olhos buscam o espelho Pros versos então oprimidos Lançarem à luz seus segredos, Deixando seu medo esquecido. O silêncio na noite chuvosa Traz ao clima o frio mais puro. Os minutos passam, As palavras se entrelaçam Num horizonte qualquer De incertezas internas.

Sigo

O dia seguiu veloz o seu rumo. Não quis perceber o tempo ao redor. Corri dos sonhos mais falsos E busquei a realidade diante dos meus olhos. Sigo devagar e sozinho, E pela primeira vez - isso faz bem. Deixo o tempo socorrer as mágoas restantes, Esquecendo a força dum instante, Intenso e profundo como  corda a romper. Sigo sozinho... Assim sempre foi. Estou tranquilo, o medo ficou pra trás. Ouço passos distantes de diversos caminhos... Ando sozinho, sem medo do futuro.

Tempo e Silêncio

O tempo passou ligeiro Enquanto o imponderável silêncio Foi deixado de lado, E sigo inseguro, ainda um tanto só... Queria que confiasse em mim. Mas sinto que o teu medo Vai além da minha boa vontade. Sigo devagar, sereno e sóbrio, Um tanto preocupado com o amanhã. O tempo correu impassível. E as horas incólumes Te roubam de mim, Deixando um vazio Onde haviam as esperanças, Alicerces dos sonhos que guardei.

O dia clemente

As horas caminham pacientes. O riso se tornou mais fácil... Os olhos correm seguindo as nuvens Que fazem uma curva rumo ao oeste. O dia parecia comum... Mas o tom das palavras usadas Deu a vida que tanto esperei. O silêncio hoje diz ao medo: Siga em frente,  e não volte atrás. Sigo o dia clemente De silêncios vivazes. Busco a forma dos sonhos Contemplando o céu, Encontrando nas nuvens as respostas incertas.

Ruas

As velhas ruas por onde passei Reclamam lembranças em cada recanto, Compondo o nada que um dia vivi, Seguindo sozinho no meio da noite inclemente. Sigo sozinho... permite o tempo Que o medo seja revolvido A um recanto de mágoas contidas... Deixo a bússola e permito aos sentidos buscarem o rumo de um novo caminho. Deixo o cansaço guardado na noite escura, E guardo o tempo à procura Dos meus sonhos há pouco guardados, Distante do medo que trava E impede nos sonhos a volta Do silêncio, constante mistério deixado pra trás.

Gotas

A chuva ditou meus passos. Seguem molhados em meio à campina. Deixo contida a velocidade dos sonhos. Meço os segundos,  à espera do descompasso no dia. Foge o mistério na sombra das nuvens. A noite cai em meio ao dia. Gotas de chuva agitam o silêncio Dos encharcados caminhos Percorridos no espaço... As nuvens guardam os segredos Pros dias em que o sol se impõe,  austero... Distante do mistério que foge,  sozinho, Criando o caminho contido que sigo.

Encanto

Passo horas a fio Namorando com o olhar a tua fronte, Distraída,  distante, Mais perto talvez dum outro horizonte... Sigo com o olhar teus contornos sutis. Rosas de amor nada dizem Quando vejo tuas formas bem feitas No mistério da carne que incita. Perco horas a fio Sem saber a razão de todo esse encanto. Procuro sinais nesse meu coração Que traduzam a certeza Dessa paixão contida Em palavras e gestos simples, Como rosas brancas em um dia anil.

Poetono

As águas do outono trouxeram o trovões E os ventos tempestuosos Como as ondas em alto mar. A poesia sentida em cada palavra que ouvi Trouxe aos meus modos um encanto De tudo que ainda não senti. O escuro da tarde trouxe ao momento A brusca serenidade do agora, Recanto onde mantenho meus segredos mais imponderáveis. A poesia do silêncio vivido Trouxe ao dia a paz prometida, Além de gratas surpresas, Aliadas a chuva no começo do outono.

A Saia

A longa saia balança com o vento. Tão cheia de graça, Mostra as suas pernas morenas e grossas, Símbolos da perfeição e do encanto Em que vivo... Voa a saia que gira com a força do vento Fazendo o vento rodar nas tuas pernas. Guardo no olhar o encanto Da percepção contida De tua forma querida Nos sonhos mais improváveis. Voa a saia que roda Da moça cheia de encantos, A dona do meu olhar incontido. A forma mais querida Dos meus improváveis sonhos.

Balaio de Sensações

O mistério no silêncio do dia Guardei nos meus gestos extremos. Basta a calmaria fazer frente Às sinceras mágoas que vivo; O caminho por si se refaz, E desfaz meu temor mais profundo. Deixo as horas do meu desencontro E mantenho meu passo seguro. Vigiando atento os lados, E buscando um modo obscuro, Corro atrás de suaves lembranças, Um recanto de doces histórias, Guardo o fio do amor perdido Na nulidade do espaço, Inconstante laço do que nunca me pertenceu.

Quadro do Centro

O medo assusta as pessoas. A beleza do lugar atrai o silêncio. As horas correm, vorazes. O Centro segue a vida,  nos seus diversos ritmos. O homem catando lixo. A criança pedindo moedas. A mulher sentada frente ao banco. Os transeuntes caminham indiferentes. Passos que seguem, vidas no chão. Venceu o amor o desprezo sem par. Fica distante a conquista do pão. Qual novo mundo se quer construir, Quando os olhos fogem do que temos aqui? Os passos seguem, céleres e tranquilos. Levam bem guardados o dízimo das igrejas, Que distantes estão do povo sofrido, Pobre, oprimido, sem apoio nem chão. 

O gado

Pessoas nas ruas caminham inertes. O gado humano segue teleguiado Rumo ao abate triste e profundo. Sem dignidade,  consciência ou futuro, O amanhã nasce mais amargo. Vejo inerte o povo em silêncio. Segue o abate das mentes pensantes. Deixam vivos os seres inertes, Sem consciência,  dignidade ou futuro...

Isabela

Explosão de vida - é assim que a vejo. Caminha com pressa,  mas sempre sorrindo. Corre contra o tempo, sem esbravejar. Teu sorriso sereno e simples,  verdadeiro Tem um jeito certeiro de encantar. O que esconde,  como decifro o enigma Desse olhar tão doce e intransponível? Não posso descobrir - já o sei, Mas sigo guardando tua meiga imagem, Sutil miragem nesses dias turbulentos.

Adriana

A musa impassível Se mantém sempre distante. Distraída,  um pouco impaciente, Corre contra o tempo inclemente, Pouco percebe o horizonte. A moça da vida real. Sincera, amiga, confia no olhar. Segue tranquila o ritmo dos dias... Caminhando sozinha,  distante de utopias, Se mantém serena, com o olhar distante, Absorto em lembranças - quem sabe do mar. Adriana - é como se chama. Segue impassível, distante, distraída. Caminha sozinha contra o tempo inclemente Com seu olhar distante,  carente de utopias.

Leina

A pele negra, sorriso puro. Caminha devagar sob a luz do sol, Enfrentando serena os dias inclementes. Percebo seus olhos fulgidos Escaparem, ágeis e sorrateiros Em meio à multidão, Abrigo dos teus anseios, Segredo que se retrai. Pouco a vejo... Pois sempre foge, Como a lua escapa do sol, Seguindo outro caminho, Mantendo sempre com o arrebol O grande (e triste) astro - sozinho...

Sereno Caos

O caos na cidade esquecida Empurra os meus passos em direção ao retiro. Sigo com os pés cansados e sós, Fazendo silêncio em meio ao tumulto. As horas voaram, corrompidas pelo vento, Amigo constante do tempo incapaz. Não compreendo nos meus gestos calmos O antídoto do medo nessa noite vazia. Sem lua, pressa,  chuva ou caminho, Sentado no banco duma velha praça, Perco a certeza do instante E me permito mergulhar numa calma intransigente. São Luís,  16 de março de 2018.

Respostas(?)

A noite guardou a incerteza No recanto mais calmo da alma. As horas da noite oscilam o seu ritmo Enquanto o tempo caminha impassível. Os arranjos que fiz ao olhar para trás, Todos foram em algum dia um momento feliz... Meu silêncio caminha onde os sonhos não foram, E permeia meus gestos discretos e exatos. Se as palavras não trazem a certeza devida, Deixo a lei do silêncio imperar no percalço Da tua pele macia e morena que vibra Como a noite mais bela com os seus densos cachos.

O Erro

Caberá ao medo do passado A certeza do mais sincero sorriso... Corri tanto, e já não sei Se tudo isso valeu a pena. Não que devesse ficar. Jamais poderia fazê-lo. Mas pergunto, afinal, Se não fui infiel a mim. As horas correm Cheias de lembranças simples e contraditórias. O silêncio que faço Evoca o impossível perdido. Foi real algum dia? Ou quem sabe, ainda não deixou de ser? Todos os versos nada dizem Quando a contradição impera. Estou te deixando viver em mim, E isso assusta Pois em meio aos acertos Meu grande erro foi não me permitir esquecer.

A Tempestade

A tempestade da manhã Molhou os pés cansados. Desiludidos passos nas ruas estreitas Buscaram os modos mais sintéticos e puros. Segui cantando na calçada imunda, Em que a lama se confunde ao concreto nu, E a água empurrou todas as mágoas Para um velho poço de solidão. Não pude correr em meio à chuva. Apenas senti nos meus passos temerosos Uma vaga incerteza do que vem amanhã, Quando hoje  me assusta o caos em silêncio, Sereno tormento para o meu querer.

Anseio no tempo

Tempo absoluto, relativo, Espacial ou Físico... Palavras se recriam Na nossa conversa. Mostro todos os dias Que apesar dos erros, Só quero estar contigo Quando o mundo corre distante. Percebo a constante resistência Ao meu jeito sincero e companheiro. Deixo o tempo socorrer Minhas palavras de amor, Único espaço real Do meu completo exagero. Meço os versos escritos, Guardo os sonhos pra frente, Como quem deixa um tesouro À luz de um candeeiro.

O silêncio e o nada

Sigo o silêncio do tempo noturno. Rompe o obscuro e macabro assombro O telefone com vozes distantes. Vejo que o nada assoma aos ouvidos. Vem sutilmente,  galgando espaços. Contando os passos,  medindo segundos, Vindo tranquilo em meio ao cansaço. Quando percebo, fico sozinho, E só percebo em meu caminho O silêncio sorrateiro Do nada que assoma diante de mim. Calmo silêncio da noite cansada, Longe da amada e guarnecida ilusão.

O gato

O gato pula na noite escura. A casa fechada, sala vazia. O silêncio transborda em meio à corrida. O gato corre na sala vazia. Porta fechada, noite escura. O silêncio pula na noite corrida. O gato escuro transborda a noite. A sala fechada, o silêncio vazio. A casa estática em meio à corrida.

O mistério

O mistério do silêncio Trouxe ao dia a paz merecida. Os olhos buscaram o distante E inexprimível gosto da solidão. O mistério das coisas Reside oculto no tempo. O calmo receio fortalece Os dias cansados E as constantes reflexões. Se o que sou é real - não sei. Apenas com tempo e silêncio, O olhar reside no concreto da paisagem Do incansável e repetitivo caminho A um recanto de paz.

As Flores do Dia

As pétalas caem ao chão... O dia caminha lento um instante. O silêncio domina a circunstância incomum. Caminho por vales com suaves declives. Corro ou socorro os passos compassados? Pétalas caem sobre o chão. Voam distantes rumo às incertezas. Conto os passos como quem segue estrelas. Vejo o horizonte,  mas o faço contando espaços, Esperando respostas do que ainda não vi...

Não me leve a mal

Não me leve a mal; Só me leve a sério. Fujo do mistério E busco teu contato. Não me leve a mal Quando o tempo corre E o relógio impede Todo o contexto de um doce idilio. Não me leve a mal Quando sei que erro, E brusco, atropelo O mais leve anseio. Não me leve a mal Se busco teu toque; Basta que se importe E demonstre o afeto. Não me leve a mal... Mas me leve a um lugar seguro, Um doce retiro Feito pra nós dois.

Mulher

Trabalha todos os dias, Sem demonstrar cansaço. Procura um espaço pra chamar de seu, Enfrenta o mormaço enquanto pega a condução. Cuida dos filhos, com carinho e amor. Logo se vê que ela é imbatível... Insuperavelmente real, corre contra o tempo E enfrenta o (quase) incorrigível machismo. Ergue os olhos, mas não percebe o dia, Oprimida pelo cotidiano. Persegue o tempo pra sobreviver, Busca crescer, viver, lutar. Tem compromisso quando se coloca... Sabe se impor quando não quer. O que, afinal, resta a nós, quando a vemos? Resta a certeza de que sem ela, Nada é certo, quando os incertos caminhos  Nos puxam, como garrafas jogadas ao mar, Sem rumo, distantes de qualquer horizonte...

Ritmo Distante

O silêncio do dia Guardou controversos motivos. As palavras não bastam Quando os gestos acusam incerteza. Leigos caminhos buscam o mistério De tudo o que guardamos Em nossa reclusão... O tempo passa incólume Sobre as palavras ocultas No meu olhar retraído. Esta noite a lua reclusa Veio à tona com a certeza Da espera paciente dessa oculta Inconstância do olhar que provoca E segue distante dos passos e abraços meus.

Andarilhos

Passos serenos na rua deserta. Caminhamos lado a lado na noite escura. A lua oculta não quis dar o tom Das horas ocultas e vivas Que adentram a madrugada. Vagas surpresas no improvável caminho Trouxeram o medo que estava escondido E trouxeram o mistério do infortúnio De não saber quando o sonho é real. Mas essa noite escura E sem luar teve emoções Pequenas e graves, Quando crianças correram na pista Enfrentando juntas as incertezas do amanhã. São Luís,  5 de março de 2018.

Nerudismo

Hoje a distância impera Enquanto as horas passam E a saudade do teu cabelo cacheado Dita o ritmo do dia inclemente. Sinto falta do sorriso sincero Que entrega e esconde segredos Enquanto admiro, estático, A sutileza dos teus traços. Os teus lábios sugerem Caminhos que ainda não percorri, E me fazem refletir Sobre o mistério das tuas palavras. Distante temor ronda o meu caminho, Enquanto sigo um rumo incerto Nesse labirinto inconstante, Espelho confuso e distante Ao qual chamo vulgarmente - olhar.

Questões

Imagem
Quanto vale o instante Quando o dia se abstém dele? Questiono, mas não sei O indecifrável caminho Do mais simples toque. O dia passa tranquilo Como criança a engatinhar. Tudo parece distante Quando o sonho está ausente. Mas nada sei, pois o dia Mantém o silêncio cativo. Quanto vale a certeza Daquilo que insisto ocultar Quando os olhos desmentem sozinhos Meu cinismo nada latente? Busco o calmo instante do dia Em que o sol se repõe no horizonte, E caminha rumo ao distante e inefável Mistério do ser.

A Marília dos meus versos

Embaixo das árvores Com a cabeça recostada num espaço de concreto Repousou a Marília dos meus dias mais calmos. Fitei em silêncio seu rosto sereno, Como quem descobre a paz verdadeira Nos mais simples traços do porte pequeno, No encanto que emana do seu cabelo. Incontido silêncio rondou nosso momento Quando tudo ao redor parecia prosaico E a campina ao redor sugeria aos olhos O frescor do seu leito aos corpos cansados. A Marília do meu real idílio Com sua pele morena e seu olhar instigante, Deu ao dia o momento mais belo e tranquilo, Fuga e retiro ao cansaço, horizonte de luz num pequeno instante.

A Torrente

A chuva lava as mágoas Que um dia deixei na janela, Quando não havia alternativa E o sol passeava ligeiro. As horas do fim da manhã Em que a chuva se faz mais forte, Entorpecem os medos de outrora, Consolidam caminhos nas nuvens. Distraem do acaso e das palavras Que fogem como mãos passageiras. É o mês que começa cinzento Como o lodo no mangue, E traz no simples horizonte O concreto momento com abstratos sentidos.