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Chovendo...

A chuva lenta... O calor do tempo abaixando aos poucos.. Os sapos e rãs emitindo seus sons... Há tanta beleza na noite Sem luar, Na sonoridade Que reforça os aspectos naturais. Há tanta beleza em cada som, Mesmo o das motos correndo no asfalto molhado, Cortando o quase silêncio do momento, Na noite cinza e úmida. Gente caminhando com pressa... E hoje, sem a lua à vista, O frio da noite Me faz desejar o abraço Da minha morena, Que, mesmo longe, Habita os meus sonhos E afaga os desejos do meu coração.

Lua Brilhante

Há na noite um mistério de beleza... Ao som dos grilos e cigarras, O tempo encanta, sereno, E lá fora - brilha a lua Como o sorriso de minha amada, Que é tão bela, gentil, formosa, Que nada pode se comparar, Nem um girassol ou uma rosa, Nem o mais profundo olhar... Vendo essa lua tão plena e bela Penso na bela a quem dedico Minhas palavras E a quem explico Que, passo a passo, Quero ser quem está ao teu lado Quero rir junto a esse sorriso.

Trôpego e Ligeiro

O dia correu, trôpego e ligeiro… As horas transcorrendo. As nuvens em tons rosados Atraindo a atenção dos homens, Na vastidão do campo, Que vai renascendo com as chuvas. Os homens observam o céu Em tons rosados  Como se outros fossem Como se a iniquidade Já não os habitasse. Renasce a esperança, Os suspiros, sonhos, Festas, lutas e lágrimas. Recomeça a busca pelo incerto O sorriso que ri sem tanto receio O descarte de velhas frustrações...

Os Ciclos

A noite surge sóbria. A poesia habita a solidão, Palco da lua cheia que brilha plena E não se assusta perante os meus receios. É hora de começar sem medo… Beijar a tua fronte suave. Contemplar as palavras E sussurrar ao futuro Todas as boas possibilidades. Eu não me importo E tudo o que me fez mal. Já não quero os mesmos cheiros Não me importam meias palavras bonitas. Eu as sinto - e odeio banalizações. Os ciclos já não me assustam. Sempre estão aí E devemos, mesmo nas noites sem luar, Sorrir para os necessários recomeços…

Feliz Natal

O Natal chegou... Em pleno solstício. Hoje as pessoas Parecem tão diferentes. Lembram que nasceu o menino Que trouxe a mensagem de amor. E esquecem silenciosos dos meninos Que, assassinados nas guerras, Não tiveram a chance de trazer qualquer mensagem, Nem puderam conhecer o amor Que outros tantos Se propõem verbalmente propagar... O Natal chegou... E aqui, do outro lado do mar, Contemplo a lua e penso em Camila, Que, com o seu sorriso em minha mente, Me faz rir sem perceber. O Natal chegou... E, enquanto a noite da vigília acontecer, Vou pensar nos sonhos e planos Do outro ano, No qual os olhos de Camila Devem estar presentes Mesmo escassamente Em meu dia-a-dia.

Poema do Recato

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A beleza acaba... é imperativo que a beleza acabe... no entanto, tanta gente Tenta negar esse fato E finge não perceber que o tempo passa  E a farra - a festa – se esvai as horas passam e tudo muda  e você ali apenas curtindo (ou sendo curtido pelas circunstâncias) meio perdido com o impacto das luzes...   Mas, quando só houver a labuta É você sozinho enfrentando a guerra Do dia-a-dia Aprendendo com a sua solidão O valor do silêncio e o recato. Enquanto isso, lá fora, borbulham as luzes Dos foguetes Bêbados alegres na noite... Com seus sonhos e lutas momentaneamente anestesiados.

Os (não!) apanágios urbanos

A cidade e suas luzes Me afligem. O ruído dos ônibus lotados E tão cheios de solidões Que se assustam Com tantos contatos forçados. A cidade que me assusta Com sua gente Cheia de pressa, inquieta, Correndo - vivendo No ritmo insano De quem não percebe mais A brisa do mar De quem não se atenta às estrelas Tão difíceis de ver Devido à poluição. A cidade distrai  A forma como me sinto. E, no calor das luzes, Na velocidade das pessoas, Vou sondando sorrisos Caminhando passo a passo.

Scarlet

No outro lado do mar A promessa, o compromisso... O nosso amor que está pra nascer Suave, gradualmente, tranquilo Como as folhas que bordam o chão Cobrindo e protegendo a superfície. Fico imaginando o nosso reencontro Já bem distante Daquele dezembro Há sete primaveras Em que a beleza da chuva Fez a noite tão distinta e úmida nos sorrir... Talvez essa escolha Pela tua mão na minha Olhares cúmplices Caminhando numa calçada do Centro Ou num bairro qualquer Seja - em tempos A mais suave escolha Que já me permiti fazer.

Suco de Capitalismo

O dia vem nascendo Devagarinho A madrugada já se afasta Sem frio, sem orvalho... O tempo seco todo dia. A natureza cobrando o preço De nossa intrépida ignorância. No que somos superiores às demais espécies? Bebemos o suco do capitalismo E, mesmo os mais otimistas, Acreditam em uma mudança em três ou quatro gerações. Será que há tempo pra tanta gente nascer Antes do homem sumir Desse planeta tal qual um dia surgiu? Ridículos, hipócritas... O que somos afinal? As palavras não nos comovem A ponto de mudarmos. Vamos empurrando essas mentiras Até quando? Do que fugimos, Se a nossa covardia perante os donos do mundo Levará todos (ou pelo menos a maioria) À mais completa destruição? E nesse emaranhado de hipocrisias, A conciliação abre as portas pro neofascismo Crescente, mutante E ficamos calados Vendo mártires e ainda hoje Escrevendo notas Esperando de velhos senhores A paz em meio aos genocídios programados. Não me venham falar de amor, senhores. Não neguem na minha frentea luta de classes...

Reflexões na Noite Soturna e Quente

A noite silente... Sem ventos ou folhas caindo ao chão... Cães ladram ao longe, Afugentando soturnas sombras Sem boas intenções... Há três anos que me pergunto Se ainda sei amar Se me permito sofrer Ou se ainda fico preso à contemplação distante Silenciosa e ausente... É bem certo Que o meu universo cresceu Povoado em mim mesmo E talvez eu já não saiba ao certo Como ficar junto a alguém Outra vez. Talvez por isso Vez por outra Tomo um suco de uva - Aquele da garrafa de vidro, E sorrio imaginando uma história qualquer Com a mulher que contemplo Silenciosamente Em minha imaginação...