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Poetas

Navego sobre as palavras. Nem sempre elas ocorrem  Do melhor jeito, Na mais perfeita forma. Não sou eu quem efetivamente as domina... E sim elas que me possuem, E possuído em sua teia Vou bordando significados. Ser poeta... Não acontece com oficinas, Com técnicas. Há milhares de pessoas que versejam. Ser poeta é sentir a vida A finitude e as nuances da imperfeição Da existência... E mesmo assim sorrir Um riso manso e discreto. Ser poeta é caminhar no inefável, Receber a compreensão de alguém embriagado, Ser respeitado na invisibilidade do ser. É ver a vida sem tanta crueza, Ainda que imerso na realidade E ser inteiro na intensa vontade de ser fiel Àquilo que escreve, Aos mistérios de suas criações, O brilho intenso da vida Disperso em palavras...

A Plenitude na Paisagem

O domingo se vai... Daqui a pouco uma nova segunda Uma nova semana  Para correr no automático Como máquina - bicho - gente... Em horas  Novos episódios da labuta diária, Outros cansaços e detalhes. É tudo difícil, pesado e complexo. E mesmo assim  Na vista dos campos Em meio à natureza reluzente Imersos no caos Do calor intenso De ventos empoeirados e ardentes Em tudo que transita e surpreende  Há uma fagulha da presença divina, Um amor intenso, forte e presente. E esse amor puro, sincero, presente Que se manifesta em silêncio e detalhes No que vemos e também no que não conseguimos ver Transborda sobre a gente  E traz a coragem  Para enfrentar o medo impuro e inconsequente.

Silêncio, poesia!

Faz silêncio... Hoje ou em qualquer dia Poderia sair  Mas habito uma caverna Vivo num auto-exílio Fujo dos contatos Fujo da tristeza  De ser somente mais um. Faz silêncio  Onde habito Mesmo que ao meu redor O tempo e o caos se abracem. Eu me comporto e escondo Tranquilizo e me fecho. Nada lá fora faz sentido. Faz silêncio E nem a lua percebo... Às vezes a vejo no fim da madrugada rural Alta como sorrisos da juventude Que desconheço o rumo. Faz silêncio... Talvez eu seja amargo ou azedo E seja alguém meio velho e estranho Mesmo que ainda esteja novo e forte. Talvez seja um tolo, um sonso Ou um calado Que foge do barulho inconstante Do silêncio cômodo e distante De amigos que nunca foram meus.

PRIMAVERA

Meu passado me condena. Fui um homem de muitos amores  Fugazes e intensos Como um vapor  E a brisa do mar que atravessa A imensidão. Minhas histórias sempre eram tristes  Porque sempre buscava um ideal Mulheres que não existiam  E só coincidiam com a imagem À minha frente... Confundi amor com egoísmo Dos filmes bobos Que aprendi a gostar. E sendo egoísta  Só ouvia a mim mesmo  E tudo o que me interessava. E sempre repeti os mesmos erros Mas nunca olhei para trás Mesmo sabendo que o segredo De meu fracasso era o não querer lidar sozinho Com as intemperanças do meu ser. Segui sozinho um longo tempo  Jurando ter aprendido algo novo E de repente, você que sempre me ouviu  Estava lá e eu também. E eu sorri Para o sorriso que a vida me deu  Quando você quis me aceitar  E eis que eu mais uma vez Não entendi Neguei os seus problemas  Não quis admitir  O meu egoísmo travou nossa história  É mesmo assim  Segui sabendo que, dent...

POT - POURRI DO COTIDIANO

 Já não me ocorrem as mesmas ideias de sempre... Já não falo tanto de amores. O tempo corre insensível diante da gente E quase não percebemos As mudanças, os detalhes, Amigos distantes,  As surpresas do amor Que hoje me assustam Porque sempre parece que não foram feitas para mim. A gente cresce, Muda, os cabelos ficam brancos... Se percebe diferente, Em silencio, quase sempre ensimesmado, E no entanto, o tempo correndo Com as longas distancias E os frágeis laços humanos Me afligem, desconfortam, Deixam quieto e estranho. Vou vivendo o dia-a-dia Inquieto e em silencio, Pouco atento à paisagem Fechado, enquanto passo noites lendo Em calma e intempestiva solitude Sereno e cismando Diante de respostas Que apenas o incerto futuro Trará, Como o beijo da mulher amada Que ainda não sei aonde está.

Poema de uma noite divagante

  Tudo segue tão normal Como a rotina de todos os dias Como os meio sorrisos Que damos a quem não nos importamos, Como uma saudade que tenta ensurdecer. Os dias seguem longos, melancólicos, Intensos... Às vezes calmos, Às vezes propensos A pensar no que poderia ter sido, No que não é possível controlar Ou saber. E mesmo assim, Ainda espero pela sua mensagem Cada dia mais rara. Já não reclamo do silêncio Já não cobro mais nada, Pois não posso cobrar. Vou vivendo assim Observando o silêncio Sem cutucar a Esperança Vivendo simplesmente, Observando o tempo Reescrevendo o caminho Talvez à sua espera Formosa flor, gentil quimera Do meu amor belo e real A.bela dama, Deusa e Mulher Mesmo andando calmo e sozinho, Sigo pensando em ter você Novamente ao meu lado - Se me quiseres de volta - Enquanto faço o meu caminho...

Contemplativo

O dia azul anil Resplandece com o sol Cada vez mais íngreme Cada dia mais dourado Todos os dias queimando mais que o anterior. Nem parece que às vezes chove. Nem parece que o tempo corre E quando vemos já fazem anos Aquela conversa com os amigos  Fotos rasgadas, velhos suspiros. Chove, mas está quente. Quente, vem um vento frio Correndo como baratas, Zanzando todos os espaços  E sai, mistério ausente Como a luz solar nas frestas do telhado. E o tempo inclemente  Vai passando veloz Mesmo quando lentamente. Onde estão os amigos? Quem sou eu, afinal... Quem me ama de forma eloquente Quando eu me sinto só e triste, Quando busco por respostas  Que sei que não aparecerão  Dobrando a próxima esquina. O que sou, afinal? Um retalho de incertezas, O mistério das certezas perdidas Ou apenas experiências e traumas? Menos jovem que antes, já não sei E talvez não importe sabê-lo E importe apenas viver melhor Fazer o bem Amar melhor e ser amado Em todos os tempos, instantes, m...

Chuva Intensa (Temporal)

Chove muito... Chove forte. O céu coberto de nuvens Impede um feixe de luz do luar. O tempo em trevas está, E o teu sorriso parece mais ausente, Triste, indiferente, magoado a não mais poder. E nem percebi Em todos esses dias de chuva O turbilhão que se formava  Tão silencioso, cheio de si. A chuva cai, inclemente Como uma navalha tocando uma carne Como o cansaço de tanto esperar. A chuva cai, inocente Lavando os erros da gente, Desenhando os trilhos do futuro Que, belo e gentil, guarda surpresas  Incertas, imperfeitas Mas impetuosas, verdadeiras  Enquanto fico esperando o frio passar Para te ter em meus braços Me jogar aos teus pés  Pedir tuas mãos - e também  Todo o resto  E sorrir novamente  Diante do tempo ameno No qual teu sorriso Guiará o nosso caminho.

Chovem os Nossos Fracassos

Chove... E chove tanto, sem que a chuva fosse esperada. Ela vem, E lava as almas tão áridas, E dá o frescor às pessoas, E corta um pouco a dureza do sol, À dureza dos silêncios cotidianos, Enche as pessoas de verdade De vontade, de querer. Chove... E me sinto leve Com todas as gotas que caem sobre o telhado E que, ocasionalmente, numa goteira Caem sobre mim. Eu me sinto calmo, Muito tranquilo, Vou sendo eu mesmo. Um eu que se sente às vezes afastado De si mesmo, E que pensa em como tudo é falho E talvez seja essa a beleza. Chove... E me procuro Em meio aos pensamentos dispersos, Sutis e segmentados. Pareço circunspecto e cabisbaixo... Nossa geração deu errado  Pois quem veio antes de nós  Também não se importou Com tudo o que acontecia  E agora somos  -- Nós e os que vêm em seguida  Meros escravos da tecnologia  Que não sabem agir para mudar Mal sabem pensar  E se perdem em mundos individuais Que a nada levam Que nada mudam na ordem do dia. Chove... E ...

UM POEMA DE NATAL

Há mais de dois mil anos Lá no meio do Oriente Uma luz surgiu no horizonte Como estrela a brilhar para a gente Que à noite prestasse atenção E sentisse algo bem diferente: Quem tivesse um olhar mais sensível, Menos egocêntrico e indiferente... E essa luz que estrela parecia Trouxe magos, pagãos, Estrangeiros impuros Para uma sociedade excludente À procura dum rei menino Que estivesse recém nascido E que, no entanto, era muito humilde Para nascer num palácio Para ser coberto de pompas E devido à miséria de seus pais Pobres peregrinos nessa terra de ninguém Cheia de senhores a explorar toda gente Nasceu numa manjedoura Próximo aos animais Do curral de uma hospedaria E mesmo assim trouxe esperança ao mundo: Aos sonhadores da vida eterna perfeita E aos revolucionários Que viram em sua vida e princípios Um comunismo primitivo Que é caminho para a vida nova Surgida a partir do Deus Menino Para com o seu povo Que ainda hoje sofre em qualquer parte do globo Nessa terra de ninguém Cheia de senh...