Contemplativo

O dia azul anil
Resplandece com o sol
Cada vez mais íngreme
Cada dia mais dourado
Todos os dias queimando mais que o anterior.

Nem parece que às vezes chove.
Nem parece que o tempo corre
E quando vemos já fazem anos
Aquela conversa com os amigos 
Fotos rasgadas, velhos suspiros.

Chove, mas está quente.
Quente, vem um vento frio
Correndo como baratas,
Zanzando todos os espaços 
E sai, mistério ausente
Como a luz solar nas frestas do telhado.

E o tempo inclemente 
Vai passando veloz
Mesmo quando lentamente.
Onde estão os amigos?
Quem sou eu, afinal...
Quem me ama de forma eloquente
Quando eu me sinto só e triste,
Quando busco por respostas 
Que sei que não aparecerão 
Dobrando a próxima esquina.

O que sou, afinal?
Um retalho de incertezas,
O mistério das certezas perdidas
Ou apenas experiências e traumas?
Menos jovem que antes, já não sei
E talvez não importe sabê-lo
E importe apenas viver melhor
Fazer o bem
Amar melhor e ser amado
Em todos os tempos, instantes, momentos
Ser fiel a mim mesmo...
E mudar agora e sempre
Sendo diferente e coerente
Diante das certezas e dúvidas 
 Que a vida nos apresente.

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