Silêncio, poesia!
Faz silêncio...
Hoje ou em qualquer dia
Poderia sair
Mas habito uma caverna
Vivo num auto-exílio
Fujo dos contatos
Fujo da tristeza
De ser somente mais um.
Faz silêncio
Onde habito
Mesmo que ao meu redor
O tempo e o caos se abracem.
Eu me comporto e escondo
Tranquilizo e me fecho.
Nada lá fora faz sentido.
Faz silêncio
E nem a lua percebo...
Às vezes a vejo no fim da madrugada rural
Alta como sorrisos da juventude
Que desconheço o rumo.
Faz silêncio...
Talvez eu seja amargo ou azedo
E seja alguém meio velho e estranho
Mesmo que ainda esteja novo e forte.
Talvez seja um tolo, um sonso
Ou um calado
Que foge do barulho inconstante
Do silêncio cômodo e distante
De amigos que nunca foram meus.
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