PRIMAVERA
Meu passado me condena.
Fui um homem de muitos amores
Fugazes e intensos
Como um vapor
E a brisa do mar que atravessa
A imensidão.
Minhas histórias sempre eram tristes
Porque sempre buscava um ideal
Mulheres que não existiam
E só coincidiam com a imagem
À minha frente...
Confundi amor com egoísmo
Dos filmes bobos
Que aprendi a gostar.
E sendo egoísta
Só ouvia a mim mesmo
E tudo o que me interessava.
E sempre repeti os mesmos erros
Mas nunca olhei para trás
Mesmo sabendo que o segredo
De meu fracasso era o não querer lidar sozinho
Com as intemperanças do meu ser.
Segui sozinho um longo tempo
Jurando ter aprendido algo novo
E de repente, você que sempre me ouviu
Estava lá e eu também.
E eu sorri
Para o sorriso que a vida me deu
Quando você quis me aceitar
E eis que eu mais uma vez
Não entendi
Neguei os seus problemas
Não quis admitir
O meu egoísmo travou nossa história
É mesmo assim
Segui sabendo que, dentro das minhas imperfeições,
Era apenas ao seu lado
Que me percebi em um lar
Além do espaço familiar
E aí percebi que ninguém precisava me socorrer
Mas nada soube falar
Com medo de palavras duras
Após aquelas de julho
Quando tudo enfim pareceu desmoronar.
Sei que sumi...
O silêncio é algo que grita
Mais que o som de um alto falante
E te magoei, e te machuquei.
Não mereço nada
De sua parte
Mas quero te dizer que
Mesmo não podendo te ver contente comigo
Tendo toda a razão
Eu ainda não sei não te querer
Ainda que você
Não queira mais falar, tentar, me ver...
E nesse caso real
Que nada tem de fada
Sei que não posso recuperar
O tempo perdido
Mas quero estar contigo
Em todas as estações
Pela vida adiante...
22/09/2025.
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