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Sobre Portos e Mísseis

São palavras ao vento que dizem Quando falam que defendem o povo. Pura retórica quando dizem: Estamos preocupados com o futuro do país. Cães traiçoeiros, quem lhes ensinou a covardia? O jeito sutil e manso, o olhar terno e comovido... Sempre dizem que são diferentes, Mas entregam o destino do seu povo Nas mãos dos impérios mundiais. Pra China se dá o Cajueiro... Olha que lindo... Em alguns anos mais um porto, Um novo símbolo da nossa dependência. Soja, soja, minério, e o povo minguando nas ruas da cidade, Como os migrantes ignorados e esquecidos. Alcântara fica com os ianques... A princesa dos olhos das potências mundiais Vira um apêndice da guerra e da violação Dos direitos de qualquer país... E mais uma vez, lavam as mãos. E demagogos dizem: nós apoiamos o desenvolvimento. A mesma conversa que nunca mudou de fato a vida da gente. E dizem : somos comunistas. Mas s...

Mais um poema da noite

Palavras assomam e fogem... A noite limpa e serena Caminha sutil no silêncio Das horas atônitas e sombrias. O sono assoma e foge... No meio da madrugada O silêncio que quase fala. Os olhos sem sono e exaustos. O tempo caminha tranquilo. As horas em simples compassos De tempos sempre limitados A cada segundo passado.

Claro

O silêncio na madrugada... A noite sutil não me assusta. Os olhos e ouvidos atentos Insones, pensativos e sós. O futuro sempre é incerto; Mas o medo é certeiro e sagaz, Como um dia de chuva em março, Como o sol pleno e forte em setembro... Navego sobre os sonhos e quase bloqueio O planejado trajeto construído por um ideal Pouco lembrado ao longo do tempo Por tantas noites quebradas ao meio. Olho o teto... Ouço o vento. O galo lá fora quase aponta um novo dia. Daqui a pouco os operários caminham. Os comerciários também. A labuta alienada não para. Isso aflige e sufoca. Fico à espera do novo dia, De suas histórias e possibilidades. Com sua exploração cotidiana Da vida e dos sonhos possíveis, Com o medo impróprio e antecipado Do futuro que não s e anuncia.

Híbrido

Tão claro quanto o dia O sonho se contrai Difuso como o arco iris Que surge ao longe E some em suas multicores. As horas transbordam em pesos De medos e compromissos, Incertezas e rupturas Num fluxo contínuo e certeiro Dos sonhos e inseguranças. Olho para o céu tão vazio. Ando tranquilo, deixo o ar invadir Os medos inconstantes Que acompanham o meu existir. Olho as árvores raras... Ao longe, cabelos talvez... Será uma miragem, Ou o medo do amor que pode Ter forma real e não um jeito Ou trejeito que mostre quem é? Não importa ao tempo que passa As formas... Pouco importam os sonhos jogados No mundo - lá fora. Fecho os olhos e sinto a força Das certezas que um dia guardei tentando ser feliz...

Bucólico

As folhas não caem das plantas... O dia levanta leve e calmo... As horas caminham sem pressa. O dia talvez seja azul. Relembro as tardes e manhãs À sombra de jambeiros esquecidos À margem de estradas estreitas e limpas Compostas de pedras e areia. Quem sabe a felicidade sempre estivesse ali... Mesmo com todas as dores do mundo, O dia talvez seja anil... A noite, estrelada e amiga. Os sonhos, menos intensos, Mais firmes e fiéis...

Tempo Presente

Lá fora o mar avança... Vem forte, com ondas que assustam... Adentra o tempo e corre... Os olhos das pessoas estão tristes... A vida cada vez mais escassa, A empatia enlatada em fotos Dispersas em redes estranhas. Os tanques de guerra a postos À espera de um tosco pretexto Que esconda os reais motivos Para os saques que a ganância impõe. Enquanto isso, o povo anda cansado Tão fraco como sempre sonhou O patrão que nunca sofreu A dor de não saber a pobreza E o cansaço na luta diária Por um pedaço de pão...

Os Barcos

O barco navega distante e lento... As ondas suaves e o tempo estático. A luz do dia surgiu há pouco, E com ela os sonhos que vem do mar. As ondas oscilam no dia de sol... O barco suave, o tempo dinâmico. A luz do dia sumiu há muito, E sob o luar e as estrelas os sonhos  se reinventam. Os ventos suaves percorrem a costa. Pescadores seguem em busca  do pão, Em barcos distantes e dinâmicos... As horas caminham em passos lentos, Sobre as ondas estáticas Os barcos cheios de sonhos e vida.

Desabafo

Pessoas morrendo de fome... Ônibus lotados, o inferno em movimento. Disparos e violência de graça. O ódio aos sonhos e à esperança. Pessoas morrendo de frio... Mas o que importa é a bolsa que sobe. O salário de alguns que aumenta Enquanto outros nem tem mais trabalho. É justo, meritocrático, dizem. Que justiça é essa que alimenta A miséria de milhões e a ganância De alguns?... Eis a dúvida. A chuva cai... Ploc... Ploc... Ploc... Pessoas morrem de fome, frio e sede. Mas o importante é que estamos seguros e com ovo no prato, E o patrão a cada dia mais rico. Afinal, que mundo é esse, Tomado pelo absurdo, Alienado de tudo, fragmentado no caos? Quem somos nós, afinal? Estamos calados, omissos... O que fazemos pra mudar? Pra onde vamos enquanto Matamos tudo o que temos? Qual futuro queremos Ou - esquecemos - de sonhar?

Os donos do mundo

Os donos do mundo Não tem medo dos seus insanos desejos De suas imponderáveis manias... Os donos do mundo Buscam a guerra Contra tudo o que é certo Pois lhes basta o lucro E a satisfação na morte De pobres inocentes em batalha... Os donos do mundo Tem carteiras de investimentos Espalhadas pelo mundo Vivendo da especulação Matando pessoas de fome, frio, abandono, Se acabando aos poucos Cada vez mais perto do silêncio que grita. Os donos do mundo Juram que são bons. Geram alguns empregos Mas só porque precisam De alguém que - explorado - consiga Aumentar suas riquezas... Os donos do mundo Não se importam se destroem os ecossistemas. Basta que as verdinhas virtuais Se multipliquem continuamente Para que esbocem um sorriso mesquinho De donos do mundo que são.

Sigo

Sigo sozinho Meu longo caminho Confrontando o vento Pisando espinhos... No final das contas Sempre andei sozinho Calmo, melancólico Leve e em silêncio. No final das contas Sempre andei sozinho... Não me serve um recomeço Quando tudo se anulou Sem mistérios, apenas com a tua descrença. Sigo o meu caminho Confrontando o vento Pisando em espinhos Melancólico, em silêncio Leve e calmo. Era doce, mas se foi. Como tudo que é doce Uma hora alguém para No momento em que enjoa... No final das contas Sempre estive sozinho Sem ajuda de fato Largado, esquecido Nos momentos mais tensos Sem gestos de carinho, Só cobranças aos montes... Sigo o meu caminho.