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Panorama

O dia corre calmo... Como os meus pés que doem. As folhas das árvores - caem e distantes E seguem o rumo que lhes impõe o vento. O sol de dezembro se impõe Ao dia soturno e tranquilo... A vastidão do campo, A sombra da copa das árvores, Tudo me atrai e remonta ao mais claro silêncio. O ano seguiu seu curso como criança indo à escola. Tão certo e espaçado duma forma quase inverossímil. Distante de antigas escolhas, Errando apenas aonde era preciso. Não posso saber os próximos passos. Nem meço o cansaço e o desespero Que deixei guardados em algum canto escuro Um porto seguro onde me esqueço.

Um Dia Comum

Suave, o vento soprou em meu rosto. Não trouxe acres lembranças, e isso Me torna grato. Caminho sobre a grama que reverdece, Sob o calor desse sol de verão. Tudo renasce, como as incertezas Que caminham rumo ao ano que virá. Nada pesa além do silêncio, Mas - basta a certeza da liberdade Esperada há tempos distantes, E tudo passa a ter um brilho diverso Do recomeço tão esperado, Abrupta mudança de rumo. Caminho sobre o medo, inclemente. E sigo em silêncio, devagar... Meço os passos, busco o oriente Quando vejo o azul do céu e o cinza no mar... Passos espaçados, doce recato Frente ao futuro - que tudo esqueceu.

Acédia

Sobrevivem palavras vagas Nessa tarde quente e solitária... Ventos correm em direções diversas E desencontram meu medo mais profundo Nestes versos feitos de algodão. O sol distante queima os pés descalços De quem pisa no asfalto desprevenido... Meus olhos correm em torno do espaço, Melancolicamente, buscam o teu abrigo. Vejo que longe está... Quando perto desejo. Percebo nos gestos que não vejo A fragilidade do sentir em suas soltas palavras... Vejo no horizonte estrelado o teu doce sorriso, Distante de mim, e próximo Dos meus sonhos mais profundos. Talvez não baste amar... Se a distância impera, O silêncio amarga E a tristeza dessa tua distância Que cresce como bancos de areia, À beira da praia, em frente ao mar cinza.

À tua espera

Olho para o forro do teto. Distante olhar distrai meu desinteresse. Busco teu rosto nas lembranças Desse amor guardado no silêncio... Basta no entanto que saiba Em meio ao meu silêncio: Tua saudade marca Os dias e as horas Nessa espera constante do teu reencontro. São Luís,  28 de novembro de 2017.

Nada!

Reluto em acreditar nas palavras De qualquer um. Talvez nada seja mentira, Mas vale apenas o que penso. Vale a pena crer que um novo sol Virá quando a constelação enfim - Sofrer um marasmo dessa solidão E nesse egoísmo esquecer de si. Quisera sofrer bem menos, Com o nada que contemplo Nesta tarde bisonha. O nada - quimera Existe nos mais vagos sorrisos, Nas mais ternas lembranças De tudo o que não pode ser... Também - pudera... Esqueci o pudor do silêncio. Mergulhei no abismo das palavras, Vãos sinais desse nada que toco, Numa tarde vazia e sem brilho.

Disforia

Horizonte distante... Meço as horas Do teu descompasso. Vagas formas alvas, diluídas em preto... Percebo o som das folhas caindo. É fim de tarde, mas está cedo... Bem longe, ouço barulho de motosserras. Onde estou, o que sou... Nada sei. Apenas estou vivo, E talvez por agora Esta seja uma grande resposta. Não tenho amado com tanta esperança... Pois sei que acreditar demais assusta - e dói; Mas repito esse constante desejo De tê-la por perto Nos dias cinzas ou azuis...

Porta Retrato

Imagem
Fotos em escala de cinza Guardam lembranças sutis De formas e gestos Desconhecidos no presente dia. O filtro dos sonhos porta um retrato; Reportam palavras perdidas no tempo, Sorrisos,  sussurros,  distantes... Como numa tarde qualquer Ficamos reclusos à sombra das árvores. Distantes lembranças do ontem, Já não nos trazem palavras; Perdemos o sorriso cúmplice De amigos que um dia fomos.

Nó-vem-bro

Pessoas correm, passos diversos Compõem o espaço Do distante silêncio à sombra das árvores. Conto os dedos da mão E me questiono Como sou tão exato, Agindo sempre de forma incerta. Hoje o sol está pleno, Como um espectro de vida brilhando, Distante no escuro horizonte, Vivendo sozinho em meio ao todo. Não quero falar de amores Que nunca tive em verdade; Prefiro abonar o silêncio Das coisas que nunca fiz. Buscando em gestos hoje Deixo os meus olhos correrem Atrás de respostas que sempre Trarão novas dúvidas a cada novo amanhecer.

Basta

A lua não surgiu esta noite... Mas pouco importa - pois Ela sabe que a amo, E isso basta, Por mais que o silêncio Me entristeça E os meus olhos sintam  Vontade de dizer O que a boca não exprime. A noite passou veloz,  Mas pouco importa - pois O teu sorriso foi mais leve, Suas palavras singelas, Os gestos, naturais Como uma flor a cair Levemente dum arbusto. Mudaram as estações. Mas isso pouco importa Pois ela sabe que a amo, E a certeza mais incerta Que tenho é do amanhã. O agora basta neste momento, Sob o céu anil de uma noite incomum.

Calmo

Não quero seus olhos que fogem Dos meus em soturnos silêncios. Quero antes o amor verdadeiro Ainda sem certeza de existir, Distante do medo e da pressa, Caminhando num calmo jardim. Meço os passos sempre à procura De espaços no teu coração, Mas há sempre em mim Um freio A me ensinar uma nova lição... Triste espectro dum amor desencontrado, Percebido nos modos discretos E nas noites longas onde vejo apenas Nuvens e satélites na escuridão.