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À tua espera

Olho para o forro do teto. Distante olhar distrai meu desinteresse. Busco teu rosto nas lembranças Desse amor guardado no silêncio... Basta no entanto que saiba Em meio ao meu silêncio: Tua saudade marca Os dias e as horas Nessa espera constante do teu reencontro. São Luís,  28 de novembro de 2017.

Nada!

Reluto em acreditar nas palavras De qualquer um. Talvez nada seja mentira, Mas vale apenas o que penso. Vale a pena crer que um novo sol Virá quando a constelação enfim - Sofrer um marasmo dessa solidão E nesse egoísmo esquecer de si. Quisera sofrer bem menos, Com o nada que contemplo Nesta tarde bisonha. O nada - quimera Existe nos mais vagos sorrisos, Nas mais ternas lembranças De tudo o que não pode ser... Também - pudera... Esqueci o pudor do silêncio. Mergulhei no abismo das palavras, Vãos sinais desse nada que toco, Numa tarde vazia e sem brilho.

Disforia

Horizonte distante... Meço as horas Do teu descompasso. Vagas formas alvas, diluídas em preto... Percebo o som das folhas caindo. É fim de tarde, mas está cedo... Bem longe, ouço barulho de motosserras. Onde estou, o que sou... Nada sei. Apenas estou vivo, E talvez por agora Esta seja uma grande resposta. Não tenho amado com tanta esperança... Pois sei que acreditar demais assusta - e dói; Mas repito esse constante desejo De tê-la por perto Nos dias cinzas ou azuis...

Porta Retrato

Imagem
Fotos em escala de cinza Guardam lembranças sutis De formas e gestos Desconhecidos no presente dia. O filtro dos sonhos porta um retrato; Reportam palavras perdidas no tempo, Sorrisos,  sussurros,  distantes... Como numa tarde qualquer Ficamos reclusos à sombra das árvores. Distantes lembranças do ontem, Já não nos trazem palavras; Perdemos o sorriso cúmplice De amigos que um dia fomos.

Nó-vem-bro

Pessoas correm, passos diversos Compõem o espaço Do distante silêncio à sombra das árvores. Conto os dedos da mão E me questiono Como sou tão exato, Agindo sempre de forma incerta. Hoje o sol está pleno, Como um espectro de vida brilhando, Distante no escuro horizonte, Vivendo sozinho em meio ao todo. Não quero falar de amores Que nunca tive em verdade; Prefiro abonar o silêncio Das coisas que nunca fiz. Buscando em gestos hoje Deixo os meus olhos correrem Atrás de respostas que sempre Trarão novas dúvidas a cada novo amanhecer.

Basta

A lua não surgiu esta noite... Mas pouco importa - pois Ela sabe que a amo, E isso basta, Por mais que o silêncio Me entristeça E os meus olhos sintam  Vontade de dizer O que a boca não exprime. A noite passou veloz,  Mas pouco importa - pois O teu sorriso foi mais leve, Suas palavras singelas, Os gestos, naturais Como uma flor a cair Levemente dum arbusto. Mudaram as estações. Mas isso pouco importa Pois ela sabe que a amo, E a certeza mais incerta Que tenho é do amanhã. O agora basta neste momento, Sob o céu anil de uma noite incomum.

Calmo

Não quero seus olhos que fogem Dos meus em soturnos silêncios. Quero antes o amor verdadeiro Ainda sem certeza de existir, Distante do medo e da pressa, Caminhando num calmo jardim. Meço os passos sempre à procura De espaços no teu coração, Mas há sempre em mim Um freio A me ensinar uma nova lição... Triste espectro dum amor desencontrado, Percebido nos modos discretos E nas noites longas onde vejo apenas Nuvens e satélites na escuridão.

Efeitos

Foi uma noite sem luar... Mas pouco importa. Bastou o encontro que tive Após uma longa espera. Meus olhos reencontraram Os encantos da tua estranha beleza. Quem sabe  -  a noite tenha ajudado, Com o tempo correndo lentamente, Pois a vida - geralmente- sempre corre, Mas, contigo,  todo o universo some Como se nada existisse por si próprio. Palavras aleatórias se acercam de mim. Vagos receios trazem-me dúvidas; Fico distraído- e isso assusta, Nessa nova aurora de um dia comum...

Stop!

As mentiras contadas Nada mais representam. São palavras vazias, Proferidas ao vento. Não prometa - nem tente Criar novas estórias. O vento me trouxe a certeza buscada: Que nada represento... Ou sou apenas um grão De areia na imensidão da Praia Onde pisam os teus pés. Busquei em outra boca Uma resposta E encontrei milhares de possibilidades; Todas elas vazias, Assim como o meu sonho De estar junto a ti.

Tempos

Os carros passam velozes. A cidade segue um ritmo Distinto dos meus passos. A hora morna de silêncios Num sobrado à beira mar É rompida pelo som das buzinas Que incomodam... Esses olhos carregados de sono Voltados para o pano da mesa Guardam em mim a certeza Das nostalgias guardadas Nas ruas desse velho Centro, Depósito de solidões imensuráveis.