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Pragmático

Não quero ser igual Ao mocinho Que a gente encontra Nos livros e filmes açucarados Tão intenso e irreal Insuportável até... Cheio de juras, belas palavras...   Também não quero ser o homem mau A enganar o teu coração Te massacrar, vendo definhar Pouco a pouco O teu belo sorriso A tua paz de espírito O seu jeito tão bonito Que bem sei admirar...   Também não creio Mais no amor tão irreal E momentâneo... Esse sou eu Já não me engano Com tantas juras de amor... Já não me apresso, Quero um tempo de afeto sincero, Cheio de paz, versos, silêncios... Nem tudo é necessário dizer.   Me dê a mão integralmente Mesmo que o tempo corra tanto E os momentos sejam escassos Mesmo que a poesia seja Onde te encontro mais agora.

DO HOMEM DE AGORA AO HOMEM NOVO

  Quando o peso das palavras Do homem velho For menor Que a liberdade de escolha Da felicidade plena Os dias nascerão com o céu tão azul Que todos passarão a ver A paz se desenhar pouco a pouco E urgentemente Os laços comunais vão renascer... Sem essas utopias reacionárias Que fazem esperar o tempo infinito Sem ter certeza do que lá vêm.   Quando o medo da igualdade e fraternidade Ultrapassarem e saírem do horizonte burguês Os homens marcharão lentamente lado a lado Felizes e abraçados, sóbrios e contentes geralmente... Sem subterfúgio, sem se prenderem a utopias...   Porém, o que há agora É o paradoxo das palavras do homem velho Que não sabem ainda ser coerentes Com os ditos padrões morais Que ela mesma defende Por preconceito ou incompreensão. Mas, quem sabe hoje, a vida seja mais bela Do que as palavras e gestos do homem Nos permitem perceber...

Lama

I   Palavras frias Ou cabeça quente? Por trás do teclado De um telefone Qual a verdade Que nos consome? II   Quais são os medos Precipitados? Quais são os erros Atordoados? Quais são os sonhos Mais bagunçados?   II Quem hoje sou Tentando te amar? Cheio de falhas Tantos receios Talvez mais erros E mesmo assim Sigo Em busca da verdade dos nós.

Poema da Tarde Quente

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O sol pleno Brilha mais uma vez Aqui dentro ( e também lá fora) É primavera... Sorrisos vão e vem E já nem sei Onde habitava o amor Que um dia amei.   Os dias parecem ácidos, ásperos, Constrangidos com a minha recata postura, Calculando o tempo que demora Para encontrar algumas velhas respostas Sem solução... Um sorriso, uma boa conversa, Nova poesia de amor a habitar em mim.    

Contra os Pós Modernos

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O inverno passou... E eu continuo desamando Admirando ao longe Corpos, risos, E nada disso me faz perceber Que reencontrei aquele encanto Já perdido. O encanto que me faz prender a um sorriso Que me tornava forte e vulnerável... Hoje, sei que, mesmo forte, Me percebo fraco, E aceitando aos poucos o morno tempero Da falta de paixão dos pós modernos. Se há de fato alguém que me faça encontrar Um novo sorriso em que possa sonhar Não sei, ainda não a vi, Ou talvez, por ela já passei E tão sem sentir Passei incólume sem descobrir A liberdade num novo bem querer.

Vontade

 Não, ainda não amo ninguém... Porém, percebo em cada gesto, Todos os dias Que a falta de um contato Constante A ausência duma história de amor Vai moldando o jeito O sorriso... E já não me queixo disso Se bem que a lacuna De um sorriso e um olhar companheiros Tenham me deixado pensativo... No entanto, Como bom homem moderno, Afasto com um piparote Todo o aparato romântico E me fio no trabalho, No dia-a-dia, Nas lidas cotidianas.

Poema(s)

I Eu olho a noite sem brilho Tão bela e sorridente Ao som das cigarras e sapos Que, clássicos, cantam contentes As suas canções cotidianas. II Eu sinto a falta de beijos. Beijos e carícias de amor. Sinto falta do desejo, Essa intensa descoberta Do amor que se desenha Em tanta gente, lugares E que hoje desconheço, Enquanto sigo cabisbaixo Esperando encontrar A musa do meu universo imperfeito.

À Bela Morena

Ah, se a moça morena Me desse uma chance, Me desse espaço Me deixasse ser De fato importante Para a sua vida... Eu já não teria tantas dúvidas. Algumas respostas eu não buscaria... Eu olho o amor Transbordando em todos os cantos E eu próprio o respiro, Mesmo caminhando um tanto solitário. Se é negativa ou não A resposta Já deixo a porta aberta E já não me aflige Tanto a dúvida. Só deixo o tempo Lentamente transcorrer.

A Verdade

Não, a verdade não vence... É apenas uma brega escolha De bonitas palavras Escolhidas de modo conveniente Por quem de fato não se importa Com o destino de tanta gente... A vida cobra... Será mesmo? Ou seriam apenas esperanças Cômodas e indiferentes Frente à inação de quem Não consegue reagir às rasteiras recorrentes? A verdade, meus queridos, Nada vence... Sempre é contorcida, reeditada, encoberta, E vestida assim com o cinismo, Vagueia trôpega pela longa estrada...

Indiferente

Eu não sei onde está Em que esquina ficou Aquele amor tão sincero Que já não tenho certeza Se já conheci... Ásperos são os meus sentimentos Sobre muitas coisas externas a mim... Isso me assusta, fico inculcado, Talvez incerto, talvez covarde... O fato é que ando sozinho... Não me alongo em conversas com amigos. Alguém de fato os tem?... Contemplo as nuvens do dia claro, Admiro em silêncio o luar intenso E assim taciturno, evito gente, Evito desgastes.