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Um Sábado Qualquer

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Amplo céu azul... Céu de junho, Já perto o inverno. É plena a luz do sol, Que sorri Sem pálidas sombras Sem nuvens Sem o largo frio... E ainda assim Se nota o orvalho Nas árvores já grandes, Nos pés de capim... Amplo céu de junho... Sem pálidos planos Vou andando a contento A favor do tempo Com novos sons, outros momentos, Histórias que o vento trouxe pra mim.

Sensações

Todo tempo que se tem Sempre vale alguma coisa... Segue insólito o receio Da inevitabilidade Do tempo atroz e companheiro.   Chuva plena no fim de março. Já não há mais ponte com o passado. Há dores que já não doem E ferros que já não queimam...   Escuro O quarto O instante sombrio A noite inefável O vento inerte...   Já não há praças que ofertem A velha paz momentânea Silencio abençoa a cidade Da qual me escondo O quanto posso...

Noturna a Mais

  Tudo basta Ou basta o incenso Para que me purifique De velhos fantasmas De sonhos vãos?   É noite adentro Da própria noite... Silencio Gatos na rua. E só – sem sono Noto o tempo Comprido e vazio.   Estranho estado. Susto – rigidez simbolista? Pessimismo de Belazarte Ou mente de Pierrot.   É desastroso esse medo. Trôpego, refazendo passos. Avanço sem tempos marcados Caminhos que não percebi.   Noite adentro Cético, frenético Distante das Flores do mal , Sintético – quem sabe, patético Caminho inseguro No tempo que vem.

OBLÍQUO

Quem estará mais só? O homem que corre À noite - sozinho... Os cães que ladram Quase desconsolados. Lá fora tudo corre Nada é paz...   As ondas talvez Contassem os segredos   [ Que a lua pudesse ter ouvido De bocas amantes Amarguradas – sóbrias ou limpas Distantes de tudo Até de sonhos, Distantes, distantes De tudo então...   Vontades se prendem Fingimos que morrem Na noite escura No instante que corre Dispersas Discorrem De tristes venturas...

Versos sem nexo às 23

 Noite escura. Vento frio. Morcegos voam sobre as ruas... Ou seria sobre os quintais? Aquelas nuvens de chuva Estão lá A postos À espera do momento certo Que desconhecemos -  E é importante Guardar o mistério Mistério de não saber... Sem as flores na porta Restou apenas o concreto Com o qual não me visto Nas noites e dias Inclementes e gentis...

Dois Pontos

  Lá vão as histórias de pescador Nos barcos que atracam Na velha barragem Próximos a velhos abrigos... Enfrentam pequenas tempestades Nesse profundo mar feroz e temido.   Do outro lado – um cais: O luxo do lixo burguês Gente que não vê Nada além do que deseja E, se vê, regozija Com a dificuldade de quem nada tem.   Dois extremos... Vida que segue. Eu porém Aposto no sorriso De quem - nunca pisou alguém De quem nunca – “venceu na vida”.

Fugiu Ao longo dos dias A certeza Que as noites afagam.   Se não há flores Só resta um violão desafinado Que não sabe ajustar Versos em canções Enquanto o tempo Caminha Quase por um fio Vaso de ilusões...   São preocupações acima Medos abaixo Pinturas de velhos recortes adormecidas Enquanto naufragam os velhos cansaços E se troca a pele por instinto Sereno Distinto Ao som das cigarras Nas madrugadas Que o tempo ainda não contou...    

Será Que

Será que um dia, baby Ele vai te entender Da forma que me propus Com os sonhos que fui deixando Ao ver o seu tanto faz.   Será que ele um dia vai Te olhar nos olhos E pensar Na sorte que tem por cada minuto?   Será que um dia ele irá entender Cada gesto Cada passo O teu ritmo em descompasso E que as flores valem muito Mesmo que o seu amor não dure Mais do que uma estação.   Será que ele dirá Que já não precisa buscar O mais terno riso? Será que o teu olhar Será para ele A ponte – o caminho A verdade inconteste Que afaga, conforta? Será que ele saberá Tudo que aprendi? Não sei Nem ficarei A esperar por uma dor a mais Após ter deixado você Cansada de mim - Esquecer Tudo o que ficou no inverno Dum tempo estranho e terno No qual me senti reviver...

Noite Adentro

Noite adentra Cheia de silêncios Já sem sutilezas Além do silencio Que beira a meia noite.   Há cães vadios latindo nas ruas. Seriam talvez as almas errantes Que se diz tanto Vagam No escuro – silencio Onde o absurdo Até faz bastante sentido.   A noite adentra Com os gatos pulando telhados Foguetes ao longe Comemorando em meio a todo o caos...   A noite adentra Com cães vadios E gatos em telhados No espaço tempo Onde o absurdo Até que faz qualquer sentido...

FRIO

  Insônia como serão... A chuva nesses dias Quebrou o fluxo Os ritmos Deixou turvos medos E incertos rumos.   Me abstenho De procurar novos contornos Que não façam qualquer sentido. Absorto Com o som das cigarras Vou deixando as horas contarem Os segredos do tempo que vai Frio e sem direção.   Afago a cama Lá fora é incerto Frio Quase melancólico Mas certo como dois e dois São quatro Se não tenho artifícios Se a espera é paciente Como o tempo a cada passo...