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Dois Pontos

  Lá vão as histórias de pescador Nos barcos que atracam Na velha barragem Próximos a velhos abrigos... Enfrentam pequenas tempestades Nesse profundo mar feroz e temido.   Do outro lado – um cais: O luxo do lixo burguês Gente que não vê Nada além do que deseja E, se vê, regozija Com a dificuldade de quem nada tem.   Dois extremos... Vida que segue. Eu porém Aposto no sorriso De quem - nunca pisou alguém De quem nunca – “venceu na vida”.

Fugiu Ao longo dos dias A certeza Que as noites afagam.   Se não há flores Só resta um violão desafinado Que não sabe ajustar Versos em canções Enquanto o tempo Caminha Quase por um fio Vaso de ilusões...   São preocupações acima Medos abaixo Pinturas de velhos recortes adormecidas Enquanto naufragam os velhos cansaços E se troca a pele por instinto Sereno Distinto Ao som das cigarras Nas madrugadas Que o tempo ainda não contou...    

Será Que

Será que um dia, baby Ele vai te entender Da forma que me propus Com os sonhos que fui deixando Ao ver o seu tanto faz.   Será que ele um dia vai Te olhar nos olhos E pensar Na sorte que tem por cada minuto?   Será que um dia ele irá entender Cada gesto Cada passo O teu ritmo em descompasso E que as flores valem muito Mesmo que o seu amor não dure Mais do que uma estação.   Será que ele dirá Que já não precisa buscar O mais terno riso? Será que o teu olhar Será para ele A ponte – o caminho A verdade inconteste Que afaga, conforta? Será que ele saberá Tudo que aprendi? Não sei Nem ficarei A esperar por uma dor a mais Após ter deixado você Cansada de mim - Esquecer Tudo o que ficou no inverno Dum tempo estranho e terno No qual me senti reviver...

Noite Adentro

Noite adentra Cheia de silêncios Já sem sutilezas Além do silencio Que beira a meia noite.   Há cães vadios latindo nas ruas. Seriam talvez as almas errantes Que se diz tanto Vagam No escuro – silencio Onde o absurdo Até faz bastante sentido.   A noite adentra Com os gatos pulando telhados Foguetes ao longe Comemorando em meio a todo o caos...   A noite adentra Com cães vadios E gatos em telhados No espaço tempo Onde o absurdo Até que faz qualquer sentido...

FRIO

  Insônia como serão... A chuva nesses dias Quebrou o fluxo Os ritmos Deixou turvos medos E incertos rumos.   Me abstenho De procurar novos contornos Que não façam qualquer sentido. Absorto Com o som das cigarras Vou deixando as horas contarem Os segredos do tempo que vai Frio e sem direção.   Afago a cama Lá fora é incerto Frio Quase melancólico Mas certo como dois e dois São quatro Se não tenho artifícios Se a espera é paciente Como o tempo a cada passo...    

Enxurrada

Chove Enquanto descanso Daqueles versos Meias palavras O tempo eterno Vai escorrendo Entre os dedos.   Vai refazendo Toda a história. Todas as lembranças São só lembranças E nesta hora Se vai limpando Com essa chuva Todas as mágoas, Tantas dúvidas...   Chove e lava o chão. Vem e não esconde O tempo que passou E molda o caminho Do que ainda não existiu.

O Correr da História

  Já não vale reformular verdades Sobre a mentira que todos veem: O amor de cinema ou streaming, O clichê que encanta e cansa, Os amores sem futuro com histórias de uma hora.   Hoje faz mais sentido Sentir – ver – notar Pessoas com fome Gente sem nome Esquecidas pela gente de bem Que se escandaliza por qualquer coisa Mas é incapaz de estender as mãos Com seus batidos discursos morais De quem é incapaz de encampar uma luta, Ou fazer uma boa ação.   No fim das contas É isso: Um individualismo soberbo Grita ‘‘foda-se” em todas as direções Enquanto os mandantes Que sequestram sonhos e futuros Sorriem Seguros de que a hora da virada profunda Não há de vir. (Será?) Então pra que todo esse aparato De casos isolados sem punição Aos gorilas que o Estado coloca ao seu dispor?   Seguimos sem respostas Mas desde que perguntas Comecem a circular Algo pode mudar: Desde que a demagogia de alguns Não divida os s...

Hoje

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  Hoje Pouco importam as flores que te dei Se ao sair Seguindo para onde o olhar não alcança E onde as saudades vão desistindo Tornando-se apenas lembranças...   Hoje Pouco importam as cartas que escrevi Se ao partir Evitou que se falasse o mínimo E pudéssemos enterrar dignamente Uma história singela   Hoje Pouco importa qualquer coisa: A gente se percebe E vai construindo dia após dia Novas notas, novos nortes, Reconstrói sonhos E, calejado Já nada espera: Nem mesmo um olhar certeiro Ou teu abraço apertado Ao correr a porta...

Disformes

  Passa o tempo E se perde tempo Buscando heróis Modelos de gente pré-moldada Pra vender Aquilo que se espera Com palavras dispersas em redes sociais.   Enquanto as telas ligadas Absorvem tempo e pessoas Com farsas e falsas figuras Tão reais Voa a noite Com o desemprego e a fome em cada rua.   Os verdadeiros bandidos soltos e tranquilos Enquanto demagógicas figuras Discutem, discutem e se fecham Nas bolhas e dizem Que o outro não tem espaço: Afinal a igualdade não é direito E assim vamos tortos construindo A dita civilização.

O Cavaleiro Errante

  Caem as espadas. Já não há uma sombra Já não há Um romance cortês a nascer Nas esquinas da cidade Ou no véu ilusório da internet.   Só há solidão E chuva... Já não mais medo Bem ou mal sentir. Só um reino de silêncios Preenchendo a estrada.   Já não há querer Que garanta qualquer coisa Em qualquer situação. Só há noites vazias sem luar Mas sem dor Bem ou mal querer.   Caem os escudos Caem os véus Caem ilusões Cala o tempo que não se foi Nessa estrada Reino de medo e silencio Das noites vazias e ternas Sem dor ou luar...