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Te vejo

A chuva cai... Eu sinto frio. Vejo o teu corpo ao lado do meu, Tua boca selvagem e tão minha Transbordando uma paixão - que é tão tua, Esquecidos do tempo que corre E de tudo que passa ao redor. Vejo os teus cachos tão soltos e livres Que encontram a minha mão por acaso. Teu sorriso discreto e ousado, Teu olhar de malicia e amor. Vejo a gente assistindo a um filme Desses velhos clichês que se fazem Todo o tempo,  em vários lugares, Compenetrados, aglutinados, tão sós. Mas essa noite só chove e falta O teu sorriso,  as tuas palavras O aconchego do teu abraço E o encanto do beijo que enlaça... Só fica o frio da chuva que passa Enquanto espero a noite cair.

Gosto

Gosto quando acaricia os meus cabelos E sorri com um riso suave. E me fala o que não espero ou penso Com um jeito doce e sutil. Gosto quando conversamos e o tempo Amedronta a pressa e caminha Sorvendo instantes e desejos, Caminhando lentamente e construindo momentos. Gosto quando toco devagar no teu corpo, Fervendo de paixão e sem pressa, E vejo o teu rosto alegre e passivo, Doce e belo,  carnal e parceiro. Gosto de olhar nos teus olhos E neles me abster de flores sem espinhos. Toco os teus dedos e vejo o anel que te dei... Vejo me chamar de bobo, Olho para os lados e sorrio. Gosto de quando estamos juntos. Mas hoje - você está longe, E eu sozinho essa noite Fico à espera constante Desse dia - do teu regresso marcado.

Idílio

Lá fora há guerras e luzes à vista. Sons e sabores diversos. Pessoas apáticas e alegres; Balaio de situações e palavras. Lá fora há ricos escondidos de todos, E mendigos em calçadas sujas e molhadas. É tudo diluído - dor, amor, poesia, silêncio... Mas todo esse marasmo de incongruencias Aqui pouco importam. Pois sinto que basta sentir, tocar e redescobrir o teu corpo, Te olhar nos olhos, mexer os teus cachos Alvoroçados e rebeldes, Conversar lado a lado Sobre coisas que pouco ou nada entendemos, Navegar nos mistérios das palavras não ditas, Na entrega sincera, no sorriso compassivo e cúmplice... Gosto de perceber teus pés tão pequenos Usando meus grandes pares de chinela, Enquanto veste uma camisa que pouco uso, E passeia pela casa - natural como uma rainha, Segura como uma plebéia, Mas certa em saber que está comigo, Vivendo um idílio- do mundo ignorado...

Retalhos

O frio invade a casa. Portas e janelas fechadas. Poucas e esparsas goteiras. A noite e o dia parecem iguais... Sussurro teu nome no escuro Ciente que - longe daqui- Nunca sentirá o desespero da minha voz. E vou observando as casas, a rua, as multidões. Tudo tão seco e igual. Talvez estivesse adormecido sem perceber Ou vi qualidades esquecidas nas pessoas Enquanto caminhava vagamente despreocupado, Talvez à margem da tua presença Ou no silêncio quase voraz dessa casa. Nada disso importa- pois basta a noite chegar Olho o teu número de telefone, Ocorre a ideia de te ligar. Logo me dissuado... Tudo o que pareceu sobrar, Na tua voz e talvez também no olhar Foi o ódio. E eu não quero alimentar isso. Queria recomeçar mais forte... Mas vejo meus sentimentos fluídos Sólidos com a tua distância, Querendo transbordar líquidos de dor Mas recuam, pois eu e eles Sabemos bem Que você quer se esq...

Volátil

A noite adentra mansa e sem pressa Sobre os telhados das casas. Por cima das cores e luzes. Sobreposta a toda e qualquer solidão. Vejo que o sentido de algum cuidado Pouco vale quando o tempo voraz e efêmero Atinge o clímax de atenção... Vejo que os momentos das longas conversas Não tem o valor de qualquer beijo roubado Em alguma esquina vazia da cidade. Estou em silêncio,  e todos estão sós. Tudo ao redor é calmo. Como a angústia,  o medo - a incerteza.

Contestável

Amor não é moeda de troca. É entrega lenta, insegura e fatal Marejada de buscas inoportunas No inócuo tempo das horas passadas Além de possíveis e alteráveis rompantes De medos e incertezas seguras, Vontades e segredos pairando pelo ar. As pessoas seguem seus rumos, Indiferentes a quase tudo. Se afastam - mas expõem o oculto, O amor a ser cultivado Vai sendo logo fotografado Sem raiz ou fervor... Enquanto outros mostram Aquilo que lhes faz bem, Eu oculto o quanto posso A gata manhosa e sutil Que encanta com seus gestos e palavras, Dando ao céu milhares de cores, E infinitos sabores aos sonhos E à imaginação.

Absorto

Os olhos voltados pro chão. As teclas batidas num ritmo frivolo e estridente. Não sei se penso - fico absorto a olhar pro chão. As dores que não sinto nalma Ao mesmo tempo silêncios de reflexões. Cortes.  Mistérios,  sorrisos,  tristezas. Dores que não se refletem No tempo da primavera. O silêncio das quimeras Absorve as horas calmas. E me junto à multidão Que só passa e não se vê Absorta nas horas frivolas, Sem sentimentos certos e definidos, Apenas indiferentes às dores d'alma que sentem...

Tempo Temporal

O temporal - quase dilúvio - faz tremer o chão. A luz da sala desliga Enquanto milhares de descargas elétricas Despontam no chão. As horas caminham sinceras. Como a chuva que está caindo Ou o sono volúvel à noite. O tempo sempre à frente Aponta caminhos e novos ajustes ou pensamentos A quem faz o seu rumo - calado e só.

Circunstâncias

Mantenho os pés firmes no chão. Olhos fitos no horizonte.  Calmo. O dia se afunila e a noite entra, Ligeira e risonha como criança. As horas calmas assustam. Caladas demais,  aborrecem. Caminham  lentas como velhos cansados. O horizonte molda a noite E afasta a lua das estrelas Deixando a escuridão romper O longo clarão do espaço na Terra. É tempo de coragem e calma. Amor e cuidado consigo. Tempo de cautela e descobertas. Tempo de caminhar sem medo do futuro, Rompendo o casulo de solidão.

O Só

Os passos do só nas praças e parques Sugerem o medo, acompanham o olhar circunsp ecto , Anulam o passo cadenciado e simples, Apressam a fadiga do cotidiano acumulada. Caminha o só... Indiferente ou taciturno. Calado ou pensativo. Triste ou reservado. Nas praças e parques Segue o ritmo de um só.