Postagens

Vinte e Três

Hoje a palavra que o tempo traz No descompasso dos gestos meus É a gratidão dos errôneos passos, Guia dos sonhos no largo espaço, No doce abraço que se perdeu. Sigo tranquilo - sonhando distante, No horizonte que se esqueceu. Amo as horas do tempo volante Que guiam as certezas que a vida nos deu. Busco nos beijos furtivos e ardentes Do abraço quente e sincero, O doce esmero de quem aprende Diariamente - a incrível fórmula do que é viver.

Visita

A tecla do teu desespero Destrói a beleza do nada. Vagueia o medo da noite À sombra dos sonhos mais limpidos. Deixaram as pedras do rio Um enlace de exíguas barreiras E desvanece um dia sereno De tolo silêncio guardado. Não sei se é amor que passeia E sorri traiçoeiro aos meus olhos espertos. Apenas espero no destempero do tempo Deixar bem aberta a porta da casa. Se vens,  amor, que o faça contente. Desfaça nas horas o fio da saudade, A felicidade da promessa que temos.

A Tua Presença

Miro o nulo silêncio da sala escura. Ouço passos tacirurnos Confrontando a rigidez do espaço. Guardo nos gestos discretos Os claros segredos de água, Que se esvaem sem definir O que trazem no tempo presente. Olho além das palavras E contemplo o teu fino semblante. Penso nessa boca e nas maçãs do teu rosto, Da irritação que provoca e seduz. Olhos de claras incógnitas Parecem pedras esquecidas No fundo de um baú recôndito. Não sei o que há em mim: Apenas gosto do teu enlace seguro E do mistério de compartilhar o tempo Sem saber o que será no meu confuso amanhã.

Selvagem

A noite entrou suave. As ondas intensas e distantes Trouxeram a brisa do Norte, Enquanto tua boca consorte Deu sentido ao meu anseio presente. Teus olhos inseguros de cetim São jóias que acompanham o meu sorriso bobo, Enquanto a areia confronte Dá aos corpos suados uma nova textura. Perco a noção de espaço e tempo No doce encontro com a tua boca sagaz, No ferino abraço de seu corpo esguio, Que me envolve em mechas de intenso prazer.

Transe

Gosto da solidão reprisada Nos momentos que me permito leves divagações. O tempo urge no silêncio da estrada. Bem longe, a noite tenebrosa se inclina... Pássaros levantam vôos rasos e simples Enquanto as palavras sibilam ligeiro Os impropérios do indecifrável destino, Amigo intenso - incerto,  insone e traiçoeiro. A flor do sertão brilha no gesto indiferente, Nos sonhos instáveis e omissos, No instante dos meus disparates, Ao fim de um dia qualquer.

Evolução

O tempo fagueiro encosta Nas horas do brilho fechado. O mundo segue o seu caos. Os homens atônitos mentem. As horas dos sonhos jogados No concreto do cotidiano Dão aos homens o doce do nada, Enquanto vivem a ilusão do ter. Contempla a noite nosso mundo estranho, De tenebrosas ambições ativas, Enquanto multidões à deriva Seguem rumo ao abate - descarte, Dos sonhos mais simples e claros.

O Dia

O dia correu fluido e suave. As horas ligeiras dos passos dispersos Rechearam o tempo de lembranças sutis, Junção de momentos num tempo vazio e sem embaraços. Corre o tempo sereno e alegre do dia. Vem a hora do encontro de amigos sinceros. O momento se faz como ponte no muro, Atravessa o silêncio e os medos da vida. Despe o medo e a mente de amigos sinceros. O silêncio recheia as respostas incertas De palavras trocadas na noite serena. Vejo o tempo mais puro clamando de novo Por caminhos nos quais os sonhos mais distantes Nos façam criar no silêncio do dia Novas histórias que o passado não poderá sentir.

Florada

Socorre o tempo incerto Teu cheiro no dia intrépido. As horas das flores que um dia lhe dei Completam o tempo do teu desamor. Ouço as vozes do vento oscilante Buscando horizontes na noite vazia. Vejo os espinhos dos cactos esquecidos E caminho com passos insólitos e firmes Rumo ao futuro que se inclina Novo e distante da certeza. Se há ventura, também o jugo Traz à vida o seu peso sincero. Prossigo sem espinhos ou rosas, Apenas certo de que as flores não amam as minhas mãos...

(Re)construção

Caminho nas horas de vagas palavras, Mantendo em silêncio os passos tranquilos. Sem encarar a lua no céu imponente e suave. Levanto as horas sutis No descompasso da minha quimera. Ouço tranquilo o som que badala Com o teu silencioso afastamento de mármore. Tudo polido...  Palavras e gestos, Sigo tranquilo,  sem amor em anexo, Mantendo os passos suaves nas ruas E palavras- retalhos multi versos...

Divagações da noite anil

O encontro da lua com as nuvens escuras Enche a noite de nuances incertos. Dobra o céu diante do silêncio da praça. Segue o fluxo do tempo continuo e disperso. Deixei pra trás as horas de sonhos guarnecidos E quis buscar um sorriso tranquilo Do amor que perdi numa esquina qualquer... Beijei uma boca como o precipício Em meio a um dia tranquilo e linear. Perdi o tempo do teu sacrifício. Não vi o amor da tua quimera. Guardei sozinho o tempo vivido Sem saber se o beijo banal Foi o meu desperdício. Fico no escuro lembrando... O filme dos anos e das cicatrizes, Das horas de angústia e esperança, Da humanidade perdida em meio ao tolo querer.