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Mostrando postagens de agosto, 2026

Marasmo

 Meu olhar é um farol sem direção Quando te vejo por mim passar... Voam as horas de um silêncio indiferente E calculado, que navega no cansaço da desesperança Diante da ausência de um olhar sincero. Me calei, e não me assusta Que nossa amizade esfrie. Não me dói tanto Não ter em meus braços O teu abraço, Mas flui dolorosamente A ausência de uma conexão, Teu olhar incômodo e incomodado, As saídas rápidas e precisas, As palavras curtas e escassas. E se já não dói tanto esse marasmo, (Esse velho anfitrião desconhecido!) Ainda que eu sinta, Não me importa O quanto os dias possam ser neutros Pelo apagamento de sua conversa amiga.

Noite Tranquila

Refugiado em silêncio Dos perigos que rondam a rua deserta Fujo do barulho na noite indiscreta E me encontro em longas divagações. A noite fria Talvez seja mais quente Que minha solidão E faça mais sentido que o meu silêncio Que corre, grita e mesmo assim, segue sereno Como o arco-íris após a chuva. O tempo escorre como poesia... As horas me encontram quieto, Tentando compreender emoções e as palavras Que escondo por não ter a quem dizer. É assim, a noite segue tranquila.

Pai

Hoje é o dia de um dos dois heróis Que habitam desde sempre a minha vida. Cada um, a seu modo, Moldou em mim, o jeito, os medos, As vontades e os defeitos, E mesmo diferentes, Sempre fizeram sentido lado a lado. Meu pai, hoje mais velho Que naquele período, É meu herói desde pequeno - Sem capa, sem roupa estranha, Apenas um homem com sua bicicleta Sério, sacrificando o lazer, Fazendo contas para nada faltar, Correndo sempre, trabalhando muito. Sempre pensativo, às vezes distante. E mesmo assim, meu herói... A gente cresce, muda, e a maturidade Que percebemos nos pais na nossa infância Já não é tão estática ou certeira. E se isso assusta, ao mesmo tempo encanta. Meu pai, quase incansável  Hoje mais velho - já não se importa Em esconder sentimentos, em mostrar as fragilidades, E até por isso, mais que nunca, Ele e a minha mãe são os maiores heróis, De carne e osso, erros e acertos, Todos com propósito, Nenhum por desleixo Por capricho ou desamor, E por isso, qualquer homenagem nunca ...

Pai

Hoje é o dia de um dos dois heróis Que habitam desde sempre a minha vida. Cada um, a seu modo, Moldou em mim, o jeito, os medos, As vontades e os defeitos, E mesmo diferentes, Sempre fizeram sentido lado a lado. Meu pai, hoje mais velho, É meu herói desde pequeno - Sem capa, sem roupa estranha, Apenas um homem com sua bicicleta Sério, sacrificando o lazer, Fazendo contas para nada faltar, Correndo sempre, trabalhando muito. Sempre pensativo, às vezes distante. E mesmo assim, meu herói... A gente cresce, muda, e a maturidade Que percebemos nos pais na nossa infância Já não é tão estática ou certeira. E se isso assusta, ao mesmo tempo encanta. Meu pai, quase incansável  Hoje mais velho - já não se importa Em esconder sentimentos, em mostrar as fragilidades, E até por isso, mais que nunca, Ele e a minha mãe são os maiores heróis, De carne e osso, erros e acertos, Todos com propósito, Nenhum por desleixo Por capricho ou desamor, E por isso, qualquer homenagem nunca é suficiente Diante ...

Os Gatos

Imagem
Eles são inquietos e preguiçosos. Eles são intrépidos e macios. Desde a infância, sempre convivi com eles. E, de todos os animais, não há outros Com os quais mais me identifique. Mais que de gente, Me encantam os modos deles. Independentes, amigos, próximos, Verbalizam a presença amiga E tornam os dias mais alegres e intensos. Caminham suavemente, Como pequenos imperadores, Que vagamente lembram seus parentes maiores. São belos e chamativos E são os melhores amigos Para alguém bem solitário.

Ode para alguém

Não sei como me protejo Enquanto procuro um olhar teu. Meus olhos, cheios de desejo, Só ficam quietos quando num ponto Qualquer te encontram, e mesmo em silêncio Contemplam a beleza do teu jeito. Há tempos você disse não, E eu disse que te achava fofa, E que, nem poderia me iludir Ante a realidade imperativa. E sigo respeitando esses limites. Você não gosta de mim assim, e respeito esse fato. Mas às vezes, furtivamente, te percebo olhando inquieta Por tantas direções, e me calo. Não me firo com o seu jeito, Nem com seu modo atencioso e ao mesmo tempo  Distante de perguntar como estou e sumir  Em meio às mensagens do dia-a-dia. Mas sinto às vezes que poderíamos ser Mais que bons amigos que sorriem e em certos momentos se procuram, Como companheiros que costuram Uma história nova de lutas, sonhos e poesia.

Outro Olhar

Olhos em direção ao telhado. Nem tudo é simples, Mas um dia tudo fica claro. Por trás de paredes e silêncios, Habitam os medos que se envergonham de si mesmos E segue a noite envolta em mistérios, Serena e caótica na paz das horas ermas... É simples e sério  O olhar de espera O tempo que escorre E que a gente nem repara. É tolo o medo de sempre ter medo De buscar segredos demais. Às vezes, não há. A lua habita lá fora Num tempo de tantas histórias Enquanto aqui embalo a rede Porque não me importa tanto O barulho da cidade pulsando Enquanto o tempo noturno só pede calma E a tranquilidade indiferente do lar.