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Mostrando postagens de outubro, 2018

A hora morna

As flores desabrocham em meio à hora morna. O barulho das ruas, o ruido das casas... Um novo dia em plena construção. As nuvens ligeiras recortam e trespassam No espaço azul do céu. O vento suave e torto Confronta o calor desse dia. O sol se levanta, os medos se escondem. E meus versos dispersos Curtos e indigestos, Despertam sentidos, deixando escondidos Vestígios de amor.

Medos e medições

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O vento da primavera Seco, certeiro, direto Afasta - na tarde vazia Os passos dispersos da multidão. Flores caem como mágoas diversas ao chão; São deixadas ao léu - como amores largados, Brilham e ressecam sob a luz do sol, Murcham em meio ao dia azul. As horas vazias de silêncio Na contemplação da beira mar. Afastam o silêncio inoportuno, Reconstroem a solidão contemplativa Com o medo de sofrer no intenso, delicado e incerto tempo.

Vênia (?)

Vejo o dia nascer.  Espero o vento passar. Não meço os atos, tampouco momentos. Vou vivendo,  e às vezes tudo isso assusta, Como o vento frio das noites vazias e escuras. Ouço o silêncio no escuro e percebo vontades ofuscadas. Assustam as palavras não ditas ou dispersas Em múltiplos sentidos, expressões que doem Mas apenas enunciam. Me vejo errando como antigamente. E olho o tempo distinto- não sou o mesmo, Não posso ser... Enquanto reflito palavras e gestos, Em meio ao silêncio, só peço desculpas.

Indagações

Quando respondo às tuas mensagens, As palavras fluem e se desencontram. O celular antecipa: "te amo." Mas afasto rapidamente a expressão E mudo o assunto sem trocar de desejo. Não posso perder o controle, Esquecer quem eu sou E sofrer no vazio dos meus sonhos mais límpidos. Olho o céu tão azul - e me questiono Quando sei que é amor, E recupero o tempo que nunca foi de mais ninguém, A força dos anos de vaga solidão... A dúvida impera nos dias azuis. Quando sei se é amor, Ou nada além de medo, Se as minhas palavras São apenas escritas, Se o amor necessita de dois seres comuns? Não será então amor? Seria a mentira sutil preparada Ou será uma semente com medo de germinar Para em seguida ser extirpada do chão? Por isso, no silêncio do celular, Sem querer enfrentar o medo, Não falo nada além de palavras confusas, Que você talvez compreenda - ou não. ...

Catirina (Poema 2)

Solto as amarras de antigas promessas e sonhos. Sigo a linha do horizonte e busco Palavras que descrevam meu medo descontínuo. Do cacto nasceu a flor Que na primavera surpreendeu. Abriu um sorriso e revelou O que meu coração nunca percebeu. Com um vago receio me pergunto Se a flor de cacto corresponde Ao impulso que tenho a cada olhar, À força das palavras sinceras, À paixão que nasce devagar, Ao silêncio inequívoco e eficaz. Restam dúvidas enquanto o dia nasce, A solidão repele E meu sentimento, incerto e insensato, Enfrenta tempo e espaço, E sonha com o que ainda não aconteceu.

Som e Silêncio

O sol se escondeu suave, ligeiro. O vento frio, forte Atravessa as pessoas indiferentes, E afronta a minha solidão, Construída em silêncio e contemplação. Adentra a noite fria, leve e suave. Deixo o vento passar, Transportando idéias, montando retalhos, Olhando sereno o horizonte infinito. Hoje o mar se impõe E caminho a sós com a melancolia. Sons de violões, serenos, sinceros, Transpõem o silêncio, assustam, agridem Um coração apaixonado nessa noite solitária e fria.

Amanhã

O momento afronta e assusta. As palavras fogem, o medo vem. Números assustam; no entanto, Ainda rasteja a esperança sofrida. Não chore, meu povo. Na vida, sem luta Qualquer sonho é impossível, E qualquer vitória improvável. É hora de juntar os cacos; Montar a ciranda de idéias, Enxugar os lacrimosos olhos cansados; Ouvir o coração, dar as mãos E seguir juntos rumo ao novo amanhecer.

Catirina

A mesa e a comida. O cuidado e as palavras. O vento agreste, sutil e lento, Sussurra ao silêncio - inefáveis mistérios. A moça exausta - de nome Catirina De pele negra e vibrante Atende - solicita - à fome imaginada. Afaga em palavras, rompe o manto. Esqueço seu modo intrigante e obscuro. Eu vejo a rua deserta e fria, Na noite sombria de vento sutil. Contemplo o silêncio, enquanto - sereno Percebo teus olhos tão mansos e intensos... Que criam ondas brilhantes Em sonhos diversos No tempo confuso Das horas incertas Dessas noites sem lâmpadas, lanternas, querosene ou luar. Sutil Catirina, tão meiga menina Teus olhos - minha sina, Seus gestos - encantam Os meus que há muito Observam o silêncio Das ruas e sombras, Das flores e sons, Na noite larga e fria...