Sem Razão Aparente
Os braços doem...
A queda no dia anterior
Foi apenas um episódio.
Os dias seguem azuis e cinzas.
Os olhos correm diante da escuridão.
Observo os casais de longe,
E chego à conclusão
Que, talvez, nunca tenha entendido
Plenamente o amor.
Além da conexão, dos risos e choros,
Das brigas e da paz,
Há verdade no incômodo,
Há certezas que se constroem sobre o nada,
Há dores, cessão, entrega...
E talvez por isso
Mal tenha amado alguém,
Perdido em saltos de intensidade,
Entregas ilógicas, histórias que duram estações
E depois, não mais... Nunca mais...
É vaga a imprecisão do encaixe,
Do toque que enerva,
Do beijo que inspira e afaga,
Do gesto que aflige e calma,
Dos sonhos conjuntos (seriam mesmo?)
Que se perdem no frio.
E assim, é certo,
Talvez não haja em mim
A mais vaga certeza
Sobre como é amar plenamente
Um alguém que se escolhe
Todos os dias
No infinito da finitude.
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