Poema para um distante passado
Ah! Como transborda a saudade
Das tardes idílicas
De quando era só um jovem,
De quando o amor era só um som,
O toque de uma brisa.
O tempo que perdia em olhares
Sob a sombra das mangueiras
E via a luz do sol aos poucos se escondendo
Sorrindo como ria a vida outrora...
Não era tão perdido quanto via.
Era a glória de um menino
Que ainda não conhecia
Os limites que se impõem pelo caminho.
Meus passos eram amplos e alegres
Sob a lama que vivia docilmente
Na campina que crescia indiferente
Aos pés que ali pisavam...
Oh, eram tão simples
As noites de luar e poesia.
Eu era alguém perdido e descontente
Sem perceber que aquele tempo
Agreste e inconstante
Cercado de sol, vento e chuva
Era tudo o que ali
Fazia sentido,
Era o tempo e o lugar certo
Para o amor e a felicidade
Vividos nos desafios de todos os dias.
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