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POT - POURRI DO COTIDIANO

 Já não me ocorrem as mesmas ideias de sempre... Já não falo tanto de amores. O tempo corre insensível diante da gente E quase não percebemos As mudanças, os detalhes, Amigos distantes,  As surpresas do amor Que hoje me assustam Porque sempre parece que não foram feitas para mim. A gente cresce, Muda, os cabelos ficam brancos... Se percebe diferente, Em silencio, quase sempre ensimesmado, E no entanto, o tempo correndo Com as longas distancias E os frágeis laços humanos Me afligem, desconfortam, Deixam quieto e estranho. Vou vivendo o dia-a-dia Inquieto e em silencio, Pouco atento à paisagem Fechado, enquanto passo noites lendo Em calma e intempestiva solitude Sereno e cismando Diante de respostas Que apenas o incerto futuro Trará, Como o beijo da mulher amada Que ainda não sei aonde está.

Poema de uma noite divagante

  Tudo segue tão normal Como a rotina de todos os dias Como os meio sorrisos Que damos a quem não nos importamos, Como uma saudade que tenta ensurdecer. Os dias seguem longos, melancólicos, Intensos... Às vezes calmos, Às vezes propensos A pensar no que poderia ter sido, No que não é possível controlar Ou saber. E mesmo assim, Ainda espero pela sua mensagem Cada dia mais rara. Já não reclamo do silêncio Já não cobro mais nada, Pois não posso cobrar. Vou vivendo assim Observando o silêncio Sem cutucar a Esperança Vivendo simplesmente, Observando o tempo Reescrevendo o caminho Talvez à sua espera Formosa flor, gentil quimera Do meu amor belo e real A.bela dama, Deusa e Mulher Mesmo andando calmo e sozinho, Sigo pensando em ter você Novamente ao meu lado - Se me quiseres de volta - Enquanto faço o meu caminho...

Contemplativo

O dia azul anil Resplandece com o sol Cada vez mais íngreme Cada dia mais dourado Todos os dias queimando mais que o anterior. Nem parece que às vezes chove. Nem parece que o tempo corre E quando vemos já fazem anos Aquela conversa com os amigos  Fotos rasgadas, velhos suspiros. Chove, mas está quente. Quente, vem um vento frio Correndo como baratas, Zanzando todos os espaços  E sai, mistério ausente Como a luz solar nas frestas do telhado. E o tempo inclemente  Vai passando veloz Mesmo quando lentamente. Onde estão os amigos? Quem sou eu, afinal... Quem me ama de forma eloquente Quando eu me sinto só e triste, Quando busco por respostas  Que sei que não aparecerão  Dobrando a próxima esquina. O que sou, afinal? Um retalho de incertezas, O mistério das certezas perdidas Ou apenas experiências e traumas? Menos jovem que antes, já não sei E talvez não importe sabê-lo E importe apenas viver melhor Fazer o bem Amar melhor e ser amado Em todos os tempos, instantes, m...

Chuva Intensa (Temporal)

Chove muito... Chove forte. O céu coberto de nuvens Impede um feixe de luz do luar. O tempo em trevas está, E o teu sorriso parece mais ausente, Triste, indiferente, magoado a não mais poder. E nem percebi Em todos esses dias de chuva O turbilhão que se formava  Tão silencioso, cheio de si. A chuva cai, inclemente Como uma navalha tocando uma carne Como o cansaço de tanto esperar. A chuva cai, inocente Lavando os erros da gente, Desenhando os trilhos do futuro Que, belo e gentil, guarda surpresas  Incertas, imperfeitas Mas impetuosas, verdadeiras  Enquanto fico esperando o frio passar Para te ter em meus braços Me jogar aos teus pés  Pedir tuas mãos - e também  Todo o resto  E sorrir novamente  Diante do tempo ameno No qual teu sorriso Guiará o nosso caminho.

Chovem os Nossos Fracassos

Chove... E chove tanto, sem que a chuva fosse esperada. Ela vem, E lava as almas tão áridas, E dá o frescor às pessoas, E corta um pouco a dureza do sol, À dureza dos silêncios cotidianos, Enche as pessoas de verdade De vontade, de querer. Chove... E me sinto leve Com todas as gotas que caem sobre o telhado E que, ocasionalmente, numa goteira Caem sobre mim. Eu me sinto calmo, Muito tranquilo, Vou sendo eu mesmo. Um eu que se sente às vezes afastado De si mesmo, E que pensa em como tudo é falho E talvez seja essa a beleza. Chove... E me procuro Em meio aos pensamentos dispersos, Sutis e segmentados. Pareço circunspecto e cabisbaixo... Nossa geração deu errado  Pois quem veio antes de nós  Também não se importou Com tudo o que acontecia  E agora somos  -- Nós e os que vêm em seguida  Meros escravos da tecnologia  Que não sabem agir para mudar Mal sabem pensar  E se perdem em mundos individuais Que a nada levam Que nada mudam na ordem do dia. Chove... E ...

UM POEMA DE NATAL

Há mais de dois mil anos Lá no meio do Oriente Uma luz surgiu no horizonte Como estrela a brilhar para a gente Que à noite prestasse atenção E sentisse algo bem diferente: Quem tivesse um olhar mais sensível, Menos egocêntrico e indiferente... E essa luz que estrela parecia Trouxe magos, pagãos, Estrangeiros impuros Para uma sociedade excludente À procura dum rei menino Que estivesse recém nascido E que, no entanto, era muito humilde Para nascer num palácio Para ser coberto de pompas E devido à miséria de seus pais Pobres peregrinos nessa terra de ninguém Cheia de senhores a explorar toda gente Nasceu numa manjedoura Próximo aos animais Do curral de uma hospedaria E mesmo assim trouxe esperança ao mundo: Aos sonhadores da vida eterna perfeita E aos revolucionários Que viram em sua vida e princípios Um comunismo primitivo Que é caminho para a vida nova Surgida a partir do Deus Menino Para com o seu povo Que ainda hoje sofre em qualquer parte do globo Nessa terra de ninguém Cheia de senh...

Um Todo Sentimento

Faça chuva ou sol Seja noite, dia, madrugada, Sou todo sentimento Sendo verdadeiro na minha estrada. Eu estou sensível. Eu estou sincero. Não me sinto bem Sem saber sentir, Sem mostrar, sem ser, Não quero repetir O que um dia fui: Alguém preso num véu de indiferença Para não sofrer, para não sentir, Para não doer... Sou todo sentimento, Quando o dia passa lentamente À espera de uma palavra Contemplando o horizonte azul ou cinzento Do ilimitado céu na atmosfera.

POEMA

A noite sem brilho Escura e sem sombra de luar Assombra quem caminha na estrada  E tem medo das motos desconhecidas que passam. O tempo frio Contrasta com o calor intenso Que habita a mesma paisagem Nos dias intensos de sol, Imersos na ausência de fortes ventos Suaves no embalo das águas correntes. Os dias correm ligeiros. O natal já está bem perto. E o que fizemos durante esse tempo? Nós não sabemos, Trabalhamos tanto, ficamos cansados, E mesmo assim, tudo parece nada... O tempo corre... Mesmo calmo e lento, Ele segue intenso Da forma como é a vida.

As Flores

    As flores de ipê Caem aos montes... O orvalho frio na madrugada As encontra.   As horas transcorrem Serenas e sem pressa... O tempo frio Enfeita o tom de solidão.   Palavras doem menos Que o silêncio... Ele grita enquanto Tentamos correr do seu desembaraço Imponente e forte Como voz dominante Mesmo em meio à multidão.   As flores caem Suave, lentamente, Tão serenas Quanto o medo que fica Com as palavras que prendemos.   11 de agosto de 2024.    

À Minha Deusa

  Ela é um universo inteiro Pulsando, intenso e verdadeiro Em minha direção...   Ela é o vigor de minha poesia, Minha força meio secreta, Meu suporte, minha forte companheira.   E eis que, com ela, Percebo que não escondo Minhas vulnerabilidades E vou traçando planos, sonhos, Sentindo a intensidade Na calma com a qual vivemos.   Ela é o Meu Amor, Minha fonte de poesia, Minha preciosidade, delicada E inteligente, suave e firme, Dona de toda a beleza, Minha Vênus, Minha Deusa Com seus traços afro-indígenas, Com o encanto que te habita E me deixa mais encantado Embebido em seu sorriso, Transbordando de alegria e amor...