Postagens

Poema para um amigo ausente

Imagem
Já fazem dois dias... E eu ainda não sei Como enfrentar a vida Sem o teu contato diário. Ainda não sei Como enfrentar tantas tempestades Sem te abraçar forte E me acalmar um pouco... Por trás do teu olhar Que parecia tão feroz Havia uma doçura Um amor tão certo e filial... Que já não sei se ao longo Do caminho Essa dor em algum momento Dará espaço a novas esperanças Na luz de novos dias... Só sei que te agradeço. Nem sei se eu mereço Todo o amor que de ti ganhei... São Luís, 31 de julho de 2022.

Poema sem Poesia

Nem sempre tenho as palavras certas. Desde que parei de escrever cartas, Desde que me perdi tentando esquecer... Há tantas noites não fito a lua... Fico sorrindo com coisas bobas, E mesmo assim, noto Que sigo indiferente Como se o sentir de fato Já não fizesse mais sentido... E é tão estranho. Eu já não sou O que conheço, Já não sei o que já fui Mesmo sabendo os passos Que dei. Há tantas noites não fito a lua... Há tantos dias não percebo a rua Com suas histórias que vão e vem.

Poema

Imagem
O sol está tão baixo… O dia surgiu ainda pouco E já se inclina… O vento não corre. As vitórias régias já não desabrocham… É tão seco e tão duro esse inverno Que o clima insiste em estar frio… Desde quando o tempo Passou a correr espaçado, Vou vivendo meio sem saber Como o tempo atravessa rasgado.

Indefinições

O tempo não me assombra... Talvez a certeza de que ciclos Se abrem e fecham Como portas onde ora se entra, Outras se proíbem a passagem Para que não retorne mais. Eu sou um homem de tantos ciclos Que já nem sei por quantos mares naveguei Desde quando percebi Desde o momento em que comecei a me entender... Eu sou um mar que não se assombra... A poesia que não se esconde. Meio fechado, talvez ainda machucado, Porém real o quanto posso, Sendo sincero o quanto quero...

Ai Que Saudades do Boi

Ai que saudades de ver o Boi Girando ao som das matracas Acompanhando das índias Na poesia das tomadas. Ai que saudades da Ilha  Da terra de tanta magia Onde hoje o boi roda Em honra de São Marçal... Ai que saudades do Boi Enquanto longe - aqui Só guardo mesmo as lembranças De um tempo em que era mais fácil sorrir...

Eu Amo Contemplar os Lírios

Imagem
Eu amo contemplar os lírios... Só que enquanto observo Com os olhos apaixonados Mansos lírios Tem gente morrendo de fome Gente morrendo sem teto Gente vivendo com frio... Enquanto me preocupo Com a força do vento Perante a flor efêmera e insegura Há um menino inseguro na rua Sujeito à droga, ao roubo, à miséria Há uma menina prostituída Em alguma viela... Enquanto me contento em ser o poeta Que fala das flores, Que sorri pra vida, Tantos genocidas Trucidam tristes índios Que já não mais onde viver Mesmo sendo os eternos donos Dessa terra, desse longo chão... Enquanto me desvio Da realidade, o mundo real Assoma e desaba Enquanto contemplo os lírios Que em alguns dias Estarão murchos Secos como uvas passas...

Alguma Coisa

Imagem
Não me peçam nada... Não me escolham nada. Não me manipulem. Vou tentando ser livre Mesmo me sentindo preso Por não poder fazer Tanta coisa que já planejei. Não me cobrem nada... Não me julguem em nada. Que já não tenho a paciência Que há tanto perdi... Não me peçam nada... Só me deixem ser Quem eu tento ser... Não me cobrem nada... Não me exponham nada Nessa estação...

Compasso de (Não!) Espera

Imagem
Já não paro à tua espera. Teu sorriso vago Tua lentidão Ou meu desatino Já não existem Já não insistem Já não me ensinam nada. A lua banha a noite Tão seca e tão gentil Tão fria sem querer... Já não paro à tua quimera. Já não sigo esse jogo. Era um tonto, bem menino Bem feliz sem entender... Os grilos cantam e esquecem. A noite se compadece Da espera já esquecida Da primeira juventude vencida Da lembrança duns olhos de lua... Do meu olhar que afaga a rua Redescobrindo lembranças Rememorando esperanças De um tempo ainda azul.

Transmutação

Imagem
O tempo voa tanto que me assusto... Ontem eu era pequeno. Há algum tempo, sorria tão sincero Que hoje Já não me reconheço Ou me percebo Um tanto áspero Um tanto impuro. A lua envolta em luz É só uma lua. Tão diferente de quando olhava o céu E via formas tão reais, tão puras Do meu amor que já não existe mais... Que já se foi com um adeus E se escondeu, E se perdeu Num dia todo azul...

A Lua do Dia 12

A lua incendeia a noite... Eu calo e contemplo Sem chuva, sem raios Só luz e poesia. A lua atravessa o céu E traça um sorriso Que ainda não sei... Que ainda não vi Em cada gesto E qualquer esquina... A lua atravessa a alma... Afaga, acolhe, afronta... Me faz rever Todo o sentir. Me faz sentir E, sereno, continuar caminhando...