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Recortes

É o frio E a solidão Tão normal, séria, livre... É a noite quieta O chão molhado Vidas que discorrem E correm pelo chão. É o tempo Indiscreto É a poesia que rasteja As palavras sem luar O mistério sem paixão...

Noite Estrelada

A noite avança, Suave, mansa... A noite estrelada de abril... O tempo quase silente. Somente os sapos E as cigarras Cantando à noite (Quase madrugada!) Beijando a lua Tão apagada Cantando o canto Da madrugada Que vem depressa Que vem sem pressa Tão só na rua Silente passa...

Micropoema

O clima incerto... A chuva armada, O sol impera. O verde brilha, Mergulha a tarde. Em frente, a estrada Vago silêncio...

Campo

Imagem
Repousa o sol sobre a campina... O prado verdeja, sob um tom mais puro, Se impõe, reforça A poesia de lugar/refúgio... E homogêneo, molda Toda a paisagem... As aves revoam, Circundam os lagos, Arrodeiam as palmeiras, Livres, altos, Símbolos da vida plena que se expõe Com o advento do novo dia... Sob as turvas águas Ressoam peixinhos Que tantos meninos Se põem a pescar... E é nessa lida Que a vida vivida Suave, sofrida Se põe a rodar... 

Brejeiro

Soçobraram todas as tuas tentativas  De fazer valer Aquelas velhas ilusões  Aqueles sonhos que não cabem Sem a leitura completa  De toda realidade... Já não é a mesma cor  Já não há o mesmo encanto Já não se perde por amor Pois ele está em todo canto...  E é sozinho Embebido nas próprias reflexões Ali, enquanto o tempo passa, Enquanto o campo inunda Vai contemplando  A cor, o som, a vida...

Poema da Mente Inquieta

Não sei qualquer segredo. Não guardo intimidade. Parece tudo vazio Como velhos finais de amores após o fim da estação... Não sonho idéias tortas. Apenas utopias possíveis Palpáveis, modificáveis. Não me prendo a ideais inertes. Talvez por isso sorrisos Me encantem mais do que tamanhos Cores ou formas padrão... Sou um ser em construção Me desconstruindo e refeito Vou descobrindo o que mereço Querendo o amor simples e puro Sem meios gestos Sem ilusão...

Bilhete

Prometi a mim mesmo que não faria uma carta; Porém, cá estou eu, tentando explicar para a pessoa que fui há alguns anos, as vicissitudes daquilo a que vulgarmente denominamos - amor. Há muitos anos, eu acreditava na história perfeita: um amor sólido, o futuro a dois sendo costurado dia a dia. Quem sabe fosse, em parte, uma idealização absorvida nas obras literárias sobre as quais me debruçava desde o final da infância. A superproteção sob a qual me vi envolto até a maioridade, talvez tenha me alienado ainda mais de tudo que se situava ao redor de mim. Entrementes, olhando detidamente, esse é um detalhe que pouco importa. O que quero contar, minha cara lembrança, meu sincero reflexo de alguns anos atrás, é que as suas (nossas) experiências, em especial as frustrantes, te permitiram aprender a se desvencilhar do fatalismo, a acolher e respeitar a dor. Sobre aquela época, cerca de cinco anos atrás, você admirava a lua várias noites seguidas, e, nela, sempre distinguia formas, sorrisos, ca...

Ser - Poesia

Rabiscos... Palavras soltas. Verdade Onde habitam os sons e as vaidades, Enquanto rasgo Todo um céu de brigadeiro Com o áspero desencanto... São os versos Que me tornam livre Que me fazem alguém Neste enfado... É por eles Que me exponho E escondo... E por eles, transbordo A solidão que me faz bem, O alívio, A vida sendo vida de verdade.

Lama

É o chão de lama. O céu cinza. O clima fazendo promoção da chuva. E eu já não tenho medo De abraçar o que passou Entender o que vivi Tocar nas flores Beijar o ar Sem ter medo De mais nada Que já não possa mudar... É o som da chuva Que está prestes a cair. É a dor em poesia De não saber Onde habita aquele amor Que parecia existir em mim E no lugar do qual ficou a aridez Um pensar polido, Liso Como pedra ou sabão... É o som da lucidez Que me deixa pronto Para um mar de incertezas Incapaz de temer Novos versos e contextos Após anos com medo Dum passado que moldou. É a chuva. Vida. Escolha - o real destino. É o pensar, sorrir, Suave, sincero...

Crush

Tenho um crush por mulheres impossíveis... Mulheres que encantam Mesmo sem a gente conhecer Como se tudo fosse tão relativo À mera captação de suas imagens E o tempo parasse, e desse passagem A tanta beleza, a tantos sonhos... Tenho queda Por mulheres que lutam Pelo que precisam. Pelo que acreditam. Que não se escondem. Que sabem onde querem chegar. Crush ou queda... Não sei ao certo. Só sei que meu coração independente Por vezes suspira inconsequente Por uma imagem Um sorriso Aquilo que vier E for mais sensível Ao toque solitário de uma tela...