Postagens

Poema do Amor Imponderável

Imagem
É a solidão das águas Que batem forte Abafadas Pelo astro sol  Imponente Intocável Distante, imponderável  Cheio de instantes, lembranças  Histórias alheias... A solidão dessas pedras Nas quais transito Com meus pés cansados... É talvez - a solidão dos ventos Que correm aflitos, certeiros... A solidão das rosas Que teimam em surgir... É a minha solidão Do amor esterilizado Da simples contemplação... À beira dos lampiões Confrontos de conflituosas lembranças... Um mar de indagações Flutua, transborda, E vou ficando quieto, Rompendo o ciclo Enfim... É  essa a solidão Que corre e incendeia Afaga e transforma... Transmuta os desejos Dispõe e não machuca...

Não é o meu perdão

Não é o meu perdão Que vai mudar a história E reverter o abismo... Não é o meu perdão Que vai pôr um fim À fome de milhões, Ao povo nos lixões, Aos ossos nas prateleiras, À miséria grassando inclemente... Não é o meu perdão Que fará minorar o desemprego; Não fará recuar o fascismo; Também não dará sossego Às famílias sem arrimo Dos mortos por Covid sem auxílio Deixados à própria sorte Por um projeto de poder Que tortura, mata e rouba Sonhos, vidas e esperanças; E sem pudor, ainda tripudia De quem morre pela inação e descaso, Abandonado ao próprio acaso, Pois a caneta famosa Só pode assinar Recursos para burguês E tantas besteiras que não Não interessam ao povo Definhando de fome Sem dinheiro pro pão... Enquanto, num efeito manada, Milhões procuram um herói - ou um Deus Pra seguir até morrer, Abraçados a outra bandeira, Orgulhosos sem ter motivo... Foda-se o perdão Que vem com a tua proposta Nesse moralismo pequeno burguês e cristão. Não concilio com a indiferença, Não abraço a inconseq...

Sem o Velho Amor

Já não sei mais do amor... Aposentei as entregas, Já não corro distâncias, Só me escondo, E vou dedilhando Cordas soltas Enquanto me vejo desprezar Versos fáceis, flores sonsas... Sem a lua no tempo, Fito a longa espera Do silêncio dos cães Do final das novelas Onde o sono aplaca O barulho das casas Quando o homem sem paixão Segue firme em seu compasso...

Sem o Velho Amor

Já não sei mais do amor... Aposentei as entregas, Já não corro distâncias, Só me escondo, E vou dedilhando Cordas soltas Enquanto me vejo desprezar Versos fáceis, flores sonsas... Sem a lua no tempo, Fito a longa espera Do silêncio dos cães Do final das novelas Onde o sono aplaca O barulho das casas Quando o homem sem paixão Segue firme em seu compasso...

06:00 PM

À hora das Ave Marias, Quando o sol já se pôs E o dia se esconde, Contemplo o farol As ilhas Sinto o cheiro do mar Que bate as ondas suavemente, Num ritmo singular e clamoroso Cadenciado e urgente... À hora das Ave Marias Nuvens escuras diluídas Abrem o caminho pras estrelas Que surgem tão pequeninas Carregam o vento frio Que vem e me abraça pleno. À hora das Ave Marias Se esvai uma ponta de amor Que agora se perde como botão Ou tarde ao pôr do sol À beira de cheias praias Onde um dia algum amor pisou, E as lembranças, mentindo, (Ou fui eu quem menti?) Deixaram sobreviver Até que hoje Na hora das Ave Marias O vento as levou e me disse Que o tempo novo chegou.

Minguante

A lua vai sumindo... Noite a noite, Cobre a névoa, O vento Mudam o tom e a direção... Vou trilhando espaços Sem tempo Para o pra sempre Que não se sabe Que não se viu... Só sei do agora E sem aquele amor Pareço apenas Um olhar que contempla E se basta Com seus desejos Sem muitas paixões... A lua minguou... E com ela, não sei Foi boa parte do amor Verdadeiro - ou assim o imaginei Ficando a doce indiferença E as densas horas De ventos frios e intensos...

Cheia

Sem vento... Só a noite E uma lua grande Indiferente Que afaga sem dizer... É tempo sem espera É cor e poesia É a lua que atropela A noite escura e vazia. Sou eu que já não amo Como quem ama só... Na noite sem estrelas É só a lua cheia Quem dá o tom O jeito A poesia...

A Lua Ontem

Ontem vi a Lua... Rainha de tanto amor Ou seria de ilusões Que se desvaneceram rapidamente? Ontem vi a Lua... E já não era imperiosa Já não tinha o mesmo brilho Já não mais... Ontem vi a Lua... Mas já sou tão calejado Que não naveguei em lembranças Apenas a vi E nada mais...

Poeminha

Imagem
Corri tanto Hoje não corro. Já deixei tanto Que já não deixo A minha vida Por vagos beijos. Eu já não fujo Já não finjo Só vou sendo Sem pressa Sincero e atento...

Gatos

Gato.   Palavra que traduz amor Afeto que transborda no olhar Sincero tempo de contemplação. Amo os bichanos Como se o mundo repousasse em suas patas. Neles confio Como se crianças fossem: Crianças travessas Afoitas Sinceras... Conversamos: Eu com murmúrios, eles miando E o tempo sempre parece pouco Por tanto encanto Para tanto amor... Já não imagino Meu mundo sem esses bichinhos Que refletem o amor Tal como o imagino.