Postagens

Tempo Presente

Lá fora o mar avança... Vem forte, com ondas que assustam... Adentra o tempo e corre... Os olhos das pessoas estão tristes... A vida cada vez mais escassa, A empatia enlatada em fotos Dispersas em redes estranhas. Os tanques de guerra a postos À espera de um tosco pretexto Que esconda os reais motivos Para os saques que a ganância impõe. Enquanto isso, o povo anda cansado Tão fraco como sempre sonhou O patrão que nunca sofreu A dor de não saber a pobreza E o cansaço na luta diária Por um pedaço de pão...

Os Barcos

O barco navega distante e lento... As ondas suaves e o tempo estático. A luz do dia surgiu há pouco, E com ela os sonhos que vem do mar. As ondas oscilam no dia de sol... O barco suave, o tempo dinâmico. A luz do dia sumiu há muito, E sob o luar e as estrelas os sonhos  se reinventam. Os ventos suaves percorrem a costa. Pescadores seguem em busca  do pão, Em barcos distantes e dinâmicos... As horas caminham em passos lentos, Sobre as ondas estáticas Os barcos cheios de sonhos e vida.

Desabafo

Pessoas morrendo de fome... Ônibus lotados, o inferno em movimento. Disparos e violência de graça. O ódio aos sonhos e à esperança. Pessoas morrendo de frio... Mas o que importa é a bolsa que sobe. O salário de alguns que aumenta Enquanto outros nem tem mais trabalho. É justo, meritocrático, dizem. Que justiça é essa que alimenta A miséria de milhões e a ganância De alguns?... Eis a dúvida. A chuva cai... Ploc... Ploc... Ploc... Pessoas morrem de fome, frio e sede. Mas o importante é que estamos seguros e com ovo no prato, E o patrão a cada dia mais rico. Afinal, que mundo é esse, Tomado pelo absurdo, Alienado de tudo, fragmentado no caos? Quem somos nós, afinal? Estamos calados, omissos... O que fazemos pra mudar? Pra onde vamos enquanto Matamos tudo o que temos? Qual futuro queremos Ou - esquecemos - de sonhar?

Os donos do mundo

Os donos do mundo Não tem medo dos seus insanos desejos De suas imponderáveis manias... Os donos do mundo Buscam a guerra Contra tudo o que é certo Pois lhes basta o lucro E a satisfação na morte De pobres inocentes em batalha... Os donos do mundo Tem carteiras de investimentos Espalhadas pelo mundo Vivendo da especulação Matando pessoas de fome, frio, abandono, Se acabando aos poucos Cada vez mais perto do silêncio que grita. Os donos do mundo Juram que são bons. Geram alguns empregos Mas só porque precisam De alguém que - explorado - consiga Aumentar suas riquezas... Os donos do mundo Não se importam se destroem os ecossistemas. Basta que as verdinhas virtuais Se multipliquem continuamente Para que esbocem um sorriso mesquinho De donos do mundo que são.

Sigo

Sigo sozinho Meu longo caminho Confrontando o vento Pisando espinhos... No final das contas Sempre andei sozinho Calmo, melancólico Leve e em silêncio. No final das contas Sempre andei sozinho... Não me serve um recomeço Quando tudo se anulou Sem mistérios, apenas com a tua descrença. Sigo o meu caminho Confrontando o vento Pisando em espinhos Melancólico, em silêncio Leve e calmo. Era doce, mas se foi. Como tudo que é doce Uma hora alguém para No momento em que enjoa... No final das contas Sempre estive sozinho Sem ajuda de fato Largado, esquecido Nos momentos mais tensos Sem gestos de carinho, Só cobranças aos montes... Sigo o meu caminho.

Contexto

Ao longe, os navios... Os vapores do ar, os sonhos de infância. O sol que se esconde Atrás das praias desertas. À frente, as horas Balançando como barcos. Suaves, em compassos Ao som dos batuques. Acima, as nuvens Cobrindo o horizonte Anunciam a chuva Que lava a noite. Ao meu lado, teu cheiro, Teu corpo e teu jeito, Modelo de amor Solto, leve e sem medo...

Poema mais ou menos

Ouço o toque da noite calma e tensa Como um dia de sol e chuva Ou o olhar flexível do tempo, Assustando as horas normas, Esquecendo dos sonhos engavetados. As pessoas que vagam em silêncio Me esquecem e passam por mim, Adentram o mistério da vida, Afogam as amarras dos sons, Alternam temores obscuros, Afastam os sonhos e planos .

Pingos

Ouço a chuva que estala e assusta... Noto o escuro do meu quarto numa noite qualquer de abril... Há sons e ruídos abafados Como os sonhos da infância que larguei. As árvores caem resistindo À imperiosa vontade dos ventos. As flores mergulham nas águas de chuva E somem da vista de todos. Enquanto tudo isso acontece, Espero pela tua volta, Me assusto com o vago silêncio E sonho com um tempo só nosso. Onde as flores no nosso jardim Transmitirão amor a quem vê-las, Encantarão a quem passar pela rua. Quando esse tempo vier, Será a calma e o burburinho. Será o mistério de uma vida a dois. Será um tempo de novas descobertas e sonhos.

Na Madrugada

Os galos cantam na sombria e lenta madrugada. Penso nas flores sensíveis e frágeis. Rememoro histórias, percebendo as respostas Que um dia busquei em meio a tantos desencantos. E me vejo pensando em você... Na entrega doce e apaixonada Que me invade e faz perceber A sutileza na construção De um caminho que seja só nosso. A cada instante,  desejo um sonho só nosso E me afasto de vias tortas e escuras Pra te encontrar onde for preciso E seguir tranquilo ao lado teu. Talvez seja amor, enfim. E isso não me assusta dessa vez... Quem sabe o tempo sempre esteve certo, Mas nunca foi claro no seu horizonte.

Te vejo

A chuva cai... Eu sinto frio. Vejo o teu corpo ao lado do meu, Tua boca selvagem e tão minha Transbordando uma paixão - que é tão tua, Esquecidos do tempo que corre E de tudo que passa ao redor. Vejo os teus cachos tão soltos e livres Que encontram a minha mão por acaso. Teu sorriso discreto e ousado, Teu olhar de malicia e amor. Vejo a gente assistindo a um filme Desses velhos clichês que se fazem Todo o tempo,  em vários lugares, Compenetrados, aglutinados, tão sós. Mas essa noite só chove e falta O teu sorriso,  as tuas palavras O aconchego do teu abraço E o encanto do beijo que enlaça... Só fica o frio da chuva que passa Enquanto espero a noite cair.