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(Re)construção

Caminho nas horas de vagas palavras, Mantendo em silêncio os passos tranquilos. Sem encarar a lua no céu imponente e suave. Levanto as horas sutis No descompasso da minha quimera. Ouço tranquilo o som que badala Com o teu silencioso afastamento de mármore. Tudo polido...  Palavras e gestos, Sigo tranquilo,  sem amor em anexo, Mantendo os passos suaves nas ruas E palavras- retalhos multi versos...

Divagações da noite anil

O encontro da lua com as nuvens escuras Enche a noite de nuances incertos. Dobra o céu diante do silêncio da praça. Segue o fluxo do tempo continuo e disperso. Deixei pra trás as horas de sonhos guarnecidos E quis buscar um sorriso tranquilo Do amor que perdi numa esquina qualquer... Beijei uma boca como o precipício Em meio a um dia tranquilo e linear. Perdi o tempo do teu sacrifício. Não vi o amor da tua quimera. Guardei sozinho o tempo vivido Sem saber se o beijo banal Foi o meu desperdício. Fico no escuro lembrando... O filme dos anos e das cicatrizes, Das horas de angústia e esperança, Da humanidade perdida em meio ao tolo querer.

Noite do Sonho

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Olho as estrelas do sonho Enquanto vejo no escuro da casa A nossa estrela brilhando Com o mundo novo Que ainda não nos permitiram viver. Olho a noite cansada Após um dia abrupto. Sinto teu corpo ao meu lado. Respira ofegante, Enquanto ficamos deitados no chão. Ouço as horas que correm ligeiro. Mas basta a mente estar ao teu lado, Me sinto inteiro Nos teus braços de fera contida, Sutil desejo do sonho mais calmo No doce recato do teu jeito bobo.

Ausente Confronto

A inércia toma conta Do silêncio de um país. Ouço vozes nos corredores e praças, Desarticuladas palavras, resmungos, Apatias bem comportadas. Tanques de guerra se põem Frente ao povo inerte Silenciado e temeroso, Que busca preservar a vida que não tem. Olho para os lados... Quem são meus companheiros, Quando todos procuram apenas estrelas E seguem sozinhos seus tortos caminhos? Nessa hora ninguém vê direita, esquerda ou coisa qualquer, Apenas covardia transpirando Pelos caminhos da nação. Traições, mentiras, discursos, E gente mendigando pão.

Á beira mar

À beira mar, Admirei taciturno o verde barrento Do encontro das águas. Andei sozinho,  caminhei sereno Enquanto a saudade em doses profundas Trouxe ao momento a leve sensação Das certezas que não tenho Nesse dia calmo e morno. Adivinho no descompasso das horas As calmas e sutis passagens Do tempo imponderável... Ouço na transição crepuscular Palavras distantes dos sonhos Que ainda não pensei para nós. Sigo tranquilo,  enquanto difuso O tempo galopa a trote curto, E a saudade expande em meio Ao silêncio da tarde fagueira E dos sonhos mais límpidos.

Falta

Divaga nesta noite vaporosa A mente com relances e recortes Em meio à noite clara e vazia. Hoje não há tua presença, Mas há teu cheiro Guardado criteriosamente Nos momentos de leve entrega Ao sentido verdadeiro De ser humano enquanto o tempo Nos prepara os seus momentos inevitáveis. Ouço o ronco de motores ao longe, E no entanto queria só o teu silêncio inconstante, Enquanto o sol e a lua distantes, Tímidos, esperam isolados Um novo momento para o seu reencontro.

Hora Marcada

Na hora marcada, Segui caminhando, buscando respostas, Tentando esperar uma presença de flor. Pisei no concreto E na cantaria desguarnecida Enquanto  o dia sereno Dava à noite o seu brilho. Noite suave de lua repartida, Trouxe doçura à velha rotina De aversão do sentir com vontade sincera. Vagam as horas da noite serena, Enquanto as lembranças da flor À luz da lua Trazem ao agora a doçura do momento.

Neste dia

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As águas do mar confluem tranquilas À beira da praia bela e vazia. O vento socorre o cansaço do dia, Enquanto contemplo a estática paisagem. Penso em ti no silêncio do vento. Sereno, desejo o nosso reencontro. Ouço o tempo sussurrando Em meio à luz do dia, O quanto as certezas que tenho Pouco significam Se caminho aqui em silêncio, Distante do teu olhar impreciso, Farol dos meus passos sinceros.

Flashbacks

O passo lento na rua deserta Impressiona meus ouvidos atônitos E mantém em alerta o inquieto olhar. Corre o tempo do meu embaraço, Enquanto ao longe cachorros Gritam em demasia À espera de um novo dia, Símbolo da incerteza e mistério. A mente navega em idéias serenas Socorrendo no tempo presente As vontades guardadas em pacotes Nesse tempo de concentração reclusa. Não penso em amores que nunca puderam ser. Apenas vivo o que posso, Quando deixam a porta aberta Com chave,  à minha espera. Enquanto isso,  ergo a cabeça e sigo, Com flores nas mãos E as cartas que ainda não entreguei Buscando no tempo oportuno As ações mais límpidas e certas.

Quadro da Noite

A noite vazia de significados Trouxe à insônia um tom mais sutil. Corre vazio o tempo inconstante Nas horas ligeiras desse silêncio incompleto. Mantenho o olhar furtivo em alerta Temendo o perigo do imprevisível. As horas ligeiras guardam mistérios No frio da noite que impõe o silêncio às ruas. Distantes latidos dão o contraste Do silêncio passivo e a sonoridade constante. Correm as horas da noite solitária. Deixa o tempo reviver seus mistérios, Enquanto fixo o olhar no teto, Imaginando horizontes desconexos.